No LANCE! de hoje 



É A VIDA

Solicitação de licença para aplaudir uma decisão da Fifa: a punição a federações nacionais por manifestações desrespeitosas do público é um exercício de cidadania e um passo na direção correta. Não que uma multa seja capaz de erradicar condutas cretinas em estádios, obviamente não. Mas o aviso de que o futebol não está envolvido por uma bolha de imbecilidade é salutar, ao menos para promover o debate.

A CBF terá de pagar cerca de 70 mil reais por causa de gritos homofóbicos da torcida no jogo contra a Colômbia, mês passado, na Arena da Amazônia. O valor é irrisório, mas a questão é relevante. Mesmo porque a reincidência, como se deu com a federação chilena, elevará a multa e levará à proibição de jogos da seleção em determinados estádios. O Chile não poderá enfrentar a Venezuela em Santiago, no ano que vem.

Bozos que ainda não perceberam que estamos em 2016 “pensam” que o ambiente do futebol é um território removido do restante da sociedade, no qual comportamentos preconceituosos não são apenas tolerados, mas estimulados. Há quem faça contorcionismo educacional para explicar aos próprios filhos que o trogloditismo está autorizado, mas apenas na arquibancada. Como se houvesse uma chave para desligar o respeito.

É mais do que importante que o futebol seja utilizado para discutir assuntos que o trascendem, como aconteceu com Lucas Vacha e Tomas Koubek, os jogadores do Sparta Praga que ofenderam a assistente de linha Lucie Ratajova após um jogo do Campeonato Tcheco, no último domingo. Recorrendo a uma notável explosão criativa, ambos disseram que Ratajova – que errou em um gol decisivo – “deveria estar na cozinha”. Serão obrigados pelo clube a treinar com o time feminino.

Como diz Paulo Autuori, uma das mentes privilegiadas do esporte no Brasil, “o futebol é a vida”. O jogo pertence a todos que desejarem fazer parte dele, sem restrições e, muito menos, abusos.

LENDAS…

O mito da existência do jogador “de clube” e do jogador “de seleção” reapareceu ontem, durante a entrevista coletiva de Tite, com referência a Thiago Silva e Fernandinho. É um raciocínio intrigante. Na seleção, tudo é diferente em relação ao clube: o técnico, os companheiros, o sistema, o ambiente, às vezes até a função em que jogadores são utilizados…

… DOS CAMPOS

… mas quando algo não vai bem em um funcionamento que é coletivo, por algum motivo se decide que a responsabilidade é apenas do jogador que “não serve para a seleção”, como se um defeito genético só permitisse boas atuações por seu clube. É mais fácil se apegar a lendas do que compreender o jogo, motivo pelo qual essas falácias sobrevivem até hoje.

(publicada em 6/10/2016, no LANCE!)  



MaisRecentes

Flamengo 1 x 1 Independiente



Continue Lendo

Relíquia



Continue Lendo

Feliz Natal



Continue Lendo