Coluna Dominical



MERCADO PARALELO

O técnico Sam Allardyce foi removido do comando da seleção inglesa após ser flagrado, em uma operação de “espionagem jornalística”, dizendo que é possível driblar as regras que proíbem que investidores possuam direitos econômicos de jogadores de futebol. O fatiamento de futebolistas por pessoas físicas, empresas ou fundos de investimento foi vetado na Inglaterra em 2008, e pela Fifa, teoricamente acabando com a prática em todo o mundo, no ano passado.

Allardyce apareceu em um vídeo gravado por repórteres – que se fizeram passar por representantes de uma agência asiática de marketing esportivo – do jornal britânico The Telegraph, negociando um cachê para dar palestras a empresários interessados em comprar jogadores. O desacordo com as normas do futebol internacional não o incomodou, muito menos o pagamento de 400 mil libras para fazer quatro viagens por ano a Cingapura e Hong Kong.

Parece claro ser constrangedor para uma associação de futebol manter o técnico que a representa, a partir do momento em que esse técnico desdenha publicamente do regulamento que a própria associação determina. Mas Allardyce, um treinador com histórico controverso de participação nos negócios do futebol, não está errado ao afirmar que “não há problema” para iludir as normas que governam as transferências de jogadores. O envolvimento de “terceiras partes” apenas ficou mais trabalhoso.

Há algumas maneiras de garantir a investidores uma parte dos direitos econômicos de um jogador. Pode ser uma fatia da comissão – legítima – do agente que representa o atleta; por intermédio da aquisição parcial de um clube (em países onde estes têm donos, como a Inglaterra) e a posterior captação do lucro de uma transferência; ou de um empréstimo para o clube (o que pode ser feito no Brasil), em troca de percentuais de jogadores que serão futuramente negociados. Certamente existem mais exemplos. São mecanismos que não exigem mentes financeiras avançadas.

O que aconteceria em um caso como o de Allardyce no Brasil? Imagine um técnico da Seleção Brasileira em uma gravação comprometedora sobre o que se faz por dinheiro fácil no futebol. Cairia? Como a CBF, dirigida por um cartola indiciado pelo FBI, trataria um treinador que se aproveitasse de sua posição para se envolver em negócios inapropriados? Mesmo que fosse em uma pegadinha – a discussão ética sobre o papel do jornal neste caso fica para outra coluna – sofisticada, que autoridade o Marco Polo que não viaja teria para agir em nome do que é correto?

Durante a semana, a série de reportagens do The Telegraph tratou de técnicos de clubes ingleses que receberam comissões em negociações de jogadores; de um assistente técnico que aceitou suborno; e de um episódio em que atletas dos dois times apostaram no resultado do jogo que disputaram, o que é proibido na Inglaterra. É uma janela que exibe a maneira como muitos dos que vivem o futebol por dentro o enxergam: um mercado como outro qualquer, do qual é preciso extrair o máximo.

AGORA?

Por melhor que seja a notícia, não é correto que os clubes do Brasil, e seus torcedores, descubram na semana da vigésima-oitava rodada do Campeonato Brasileiro que o quinto colocado poderá disputar a Copa Libertadores. As regras de um campeonato devem ser conhecidas antes do início e permanecer inalteradas até o final. Mas se a ideia da Conmebol for confirmada neste domingo, com a quinta vaga para o Brasil no torneio continental, a região da classificação que recebe o nome de “zona do limbo” ficará menor. Só não deveria ser agora, com a competição já próxima ao momento de decisão.

FORA

Os dois líderes do Brasileirão atuarão fora de casa nesta rodada. O Palmeiras, no Arruda, na segunda-feira. O Flamengo, no Morumbi, logo mais. Já são jogos em que há obrigação de vitória

(publicada em 1/10/2016, no LANCE!)



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