No LANCE! de hoje 



DOIS

Palmeiras e Flamengo são os dois únicos participantes desta corrida? É o que parece, hoje. E os últimos cinco dias foram especialmente interessantes, pela oportunidade de vê-los se enfrentando, na quarta-feira, e em situações distintas no fim de semana. Um período em que o topo da classificação poderia ter sido reconfigurado, como se supunha durante o intervalo do jogo entre eles, mas permanece como era há uma semana.

Há duas maneiras de avaliar o ponto que separa o líder do vice, após a vigésima-sexta rodada. Cada uma cai melhor de acordo com a preferência do freguês. Pode-se louvar a colheita do Palmeiras em uma sequência extremamente exigente (Fluminense, São Paulo, Grêmio, Flamengo e Corinthians), na qual somou onze pontos e conservou a ponta. E se pode considerar o amadurecimento do jogo coletivo do Flamengo, que tem levado a um desempenho naturalmente superior nos encontros com equipes mais frágeis, e confiável, sem se importar com as condições, contra oponentes de seu tamanho.

O jogo no Allianz Parque ofereceu uma amostra valiosa. Ao perder Márcio Araújo – bem expulso, frise-se – no minuto quarenta, o plano de atuação do Flamengo teve de ser imediatamente repensado. O empate, que já não tinha um gosto ruim, ganhou em atração com a inferioridade numérica, embora parecesse um objetivo menos provável no instante da substituição escolhida por Zé Ricardo: Diego por Cuéllar. A retirada do jogador que pensa, capaz de alterar o rumo das coisas em um lance, é sempre arriscada. Mas o Flamengo decidiu ser sólido e reativo, postura que gerava uma vitória impactante até os trinta e sete minutos do segundo tempo.

Contra o Figueirense, o Flamengo voltou à posição de quem tem de distribuir as cartas e construir o próprio caminho, papel no qual se sente cômodo e não aparenta esforço. As equipes que sugerem jogar fácil, no sentido da fluência de movimentos, geralmente são as que não têm dúvidas sobre o que pretendem e como, sinais do promissor casamento entre ideias e potencial. Diego está inserido no plano coletivo de um time que claramente espera ser o vencedor a cada vez que pisa no gramado, pois tem repetido o rendimento necessário, independentemente do adversário e do local.

O Palmeiras não trabalha com menor dose de confiança, embora a fonte seja diferente. As três vitórias e os dois empates conseguidos na série mencionada acima – na qual o time visitou Fluminense, Grêmio e Corinthians – não foram frutos de atuações vistosas, e a pior delas, contra o Flamengo, foi resgatada pelo brilho individual de Gabriel Jesus. Mas a capacidade de vencer, ou ao menos não perder, mesmo sem o melhor futebol, é um atributo dos times bem sucedidos. Se não jogou como gostaria nas últimas cinco rodadas, o Palmeiras somou a pontuação que lhe permite respirar um pouco e planejar com inteligência.

O clássico com o Corinthians foi um indício dessa competitividade. Cuca determinou uma forma de atuar que incomodou o rival com marcação incansável e farejou as falhas defensivas que equipes perturbadas normalmente cometem em jogos com esse perfil. Um gol cedo, superioridade evidente e vitória merecida em Itaquera, onde o visitante não costuma ganhar. Desnecessário mencionar o que um resultado assim representa no aspecto motivacional, principalmente por vir na sequência do encontro com o Flamengo e ter sido conquistado sem o melhor jogador palmeirense.

Prossegue a corrida. O líder tem sido constantemente competitivo, auxiliado pela individualidade; o vice-líder tem mostrado melhor organização e gerado mais jogo. Esse foi o panorama nas cinco rodadas mais recentes de um campeonato que se encaminha para seu trecho final, sem que se possa apostar em um terceiro desafiante. Alguns enxergarão um conflito entre jogar bem e vencer, essa mentira criada por quem prega que o mau jogo leva a conquistas.

(publicada em 19/9/2016, no LANCE!)



  • Ailton Souza

    Caro AK

    “O Flamengo está jogando hoje o melhor futebol do Brasil”, afirma Juca Kfouri e muitos comentaristas esportivos, como você considera que o Dorival Junior é o melhor treinador do Brasileirão de 2016, na sua opinião o que precisa para o Zé Ricardo chegar a este patamar de melhor treinador do Brasil?

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