No LANCE! de hoje 



PRIMEIRO ATO

Então… após dois jogos e um salto de quatro posições nas Eliminatórias Sul-Americanas, o que se pode concluir? No sentido de estabelecer verdades irrefutáveis (elas existem no futebol?) sobre a Seleção Brasileira sob novo comando, nada. Exercícios de futurologia são ainda mais fúteis, de modo que o caminho indicado, como sempre, é o da sobriedade.

O que não impede que a análise das atuações do Brasil contra Equador e Colômbia aponte aspectos evidentes a respeito de uma forma de jogar que, sim, produziu duas vitórias. E o que é mais importante: as intenções por trás desses aspectos sugerem um rumo interessante, porque baseado em ideias atualizadas de preparação e competição.

Nos dois jogos da data Fifa, a Seleção Brasileira teve posse de bola superior a 60% e índices baixos – especialmente contra a Colômbia – de passes longos. É um time orientado a praticar jogo associado e curto como ferramenta para se organizar e, por consequência, desorganizar o adversário. A presença de jogadores de alta capacidade técnica na defesa e no meio de campo dá suporte à manutenção da posse e à construção de movimentos desde a própria área.

A reação coletiva à perda da bola é outra característica que o Brasil exibiu nas duas vitórias com Tite. O jogador oponente é atacado pelos que estão mais próximos nos primeiros segundos, em uma tentativa de recuperação rápida. Quando não dá certo, reorganizam-se para ocupar espaços e não comprometer a ordem defensiva. A jogada do gol de Neymar em Manaus, que prosseguiu após um defensor colombiano tocar duas vezes na bola, ilustra essa ideia.

A aplicação do que foi ensaiado em poucas sessões surpreendeu a comissão técnica, como Tite declarou anteontem. O que indica que os jogadores foram bem escolhidos e absorveram o plano apresentado. Um início promissor, que permite uma projeção otimista pela evolução da convivência e da maneira de atuar.

INSTABILIDADE

Sinais de um trabalho que começa: no trecho em que o jogo contra a Colômbia poderia ter se desequilibrado para qualquer lado, a Seleção manteve a personalidade e a organização, mas passou a errar passes em excesso no ataque. Foi nesse período que a atuação de Casemiro teve maior impacto. Tite ficou satisfeito com a procura persistente pelo gol.

QUALIDADE

Neymar tem 48 gols em 72 jogos pela Seleção Brasileira. Acima dele, em gols, estão – apenas – Pelé, Ronaldo e Romário, nessa ordem. A antipatia pela imagem pública de um jogador frequentemente contamina as opiniões sobre seu desempenho. No caso de Neymar, essa confusão de conceitos já levou muita gente a qualificá-lo como “produto de marketing”.

(publicada em 8/9/2016, no LANCE!)



  • Júnior

    Muito interessante tua visão a respeito do que vem sendo os jogos da seleção Brasileira.

    O que mais me chamou a atenção foi a forma como os jogadores agridem o oponente quando perdem a bola, não deixando em nenhum momento o adversário poder “pensar”.

    Estamos voltando, voltando para o lugar que nunca deveríamos ter saído.

    Ótimo post.

  • Gustavo Sordi

    Concordo com tudo, Tite está implantando conceitos atuais e que funcionam com ele – provavelmente – pela sua capacidade prática de implantação. Imagino que grande parte das virtudes de Guardiola é saber colocar todo o seu abissal conhecimento em prática, se fazer entender e simplesmente saber e falar exatamente o que o jogador tem que fazer (talvez até com qual pé pisar primeiro, rs).
    Sobre Neymar, um monstro, porém acho um pouco injusto colocar amistosos na conta, uma melhor análise seria apenas de gols em jogos oficiais de todos esses jogadores.

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