No LANCE! de hoje 



NEYMAR E A COLÔMBIA

O sempre excelente Tim Vickery observou bem em sua última coluna no ESPNFC: a única derrota de Neymar pela Seleção Brasileira adulta, em um jogo de competição, foi contra a Colômbia. A ocasião é marcante na carreira dele não apenas pelo resultado, mas por ter sido a noite em que uma expulsão lhe rendeu quatro partidas de suspensão. Foi na Copa América de 2015, encontro que certamente também está na memória do colombiano Carlos Sánchez, pela marcação implacável sobre o astro brasileiro na vitória por 1 x 0.

O jogo da fase de grupos do torneio realizado no Chile foi a “revanche” da vitória da Seleção na Copa do Mundo de 2014, lembrada como o dia em que Zúñiga acertou uma joelhada nas costas de Neymar e o tirou do Mundial. O que pouco se recorda é o rodízio de faltas violentas – perdoado pela arbitragem – em James Rodríguez no primeiro tempo, expediente que elevou a temperatura em campo de tal forma que o que houve ao final não pode ser visto como um incidente isolado.

Desde aquela tarde de sexta-feira na Arena Castelão, a Colômbia não é uma adversária randômica para o principal futebolista brasileiro. E jogar contra o Brasil passou a ser um evento que os colombianos fazem questão de viver intensamente. Até mesmo o time sub-23 que esteve em Itaquera durante os Jogos Olímpicos foi bruto no jogo em que Neymar fez seu primeiro gol no torneio, mas também se descontrolou a ponto de arriscar ser expulso. O craque e o oponente desta terça-feira estão entrelaçados por jogos de alta octanagem, nos quais ele costuma se converter em figura, para o bem ou para o mal.

Neste aspecto, o encontro de amanhã não deve apresentar nada novo. Embora seja provável que a Colômbia atue defensivamente em Manaus, controlar Neymar é uma obviedade em qualquer planejamento e entrar em sua cabeça é uma das formas de fazê-lo. Enquanto o teste para a Seleção será construir espaço, o desafio de Neymar será lidar com o contato físico proposital da mesma maneira que faz no Barcelona, ou seja, sem deixar de jogar. Sua postura na Seleção nesse tipo de situação tem sido diferente, o que convida adversários a procurar a tecla que o desconcerta.

A vitória sobre a Venezuela permite aos colombianos um plano conservador na Arena da Amazônia, estimulado pelo desempenho do Brasil em Quito. A postura que gera menos riscos é a que espera e aposta nos efeitos da impaciência do público – evidentemente inspirado pelo que viu na última quinta-feira – no comportamento da Seleção. O Brasil encontrará dificuldades diferentes às impostas pelos equatorianos, principalmente na metragem de campo disponível a Neymar e Gabriel Jesus. A organização coletiva será ainda mais importante na elaboração de movimentos ofensivos, tarefa que aumentará a exigência sobre um time que começa a se formar.

Se o Brasil tiver ideias claras, Neymar não estará sobrecarregado como naquela noite em Santiago, o que o ajudará a se concentrar em seu papel central. O sentido do futebol é do coletivo para o individual, criando condições para que os diferentes sejam acionados em situações nas quais possam desequilibrar. Se Neymar for protagonista, no melhor sentido, a Seleção provavelmente terá feito outra boa atuação.

SÍMBOLO

A cada aparição pública do coronel Nunes, lembramos que essa é a “nova” CBF, a CBF “do compliance” e das modernas práticas de gestão. Mesmo que o representante da presidência fique em silêncio.

INIESTA EM LETRAS

Vem aí a biografia do craque dos craques. Estará disponível a partir de hoje, na Espanha, “La Jugada de Mi Vida” (“A Jogada da Minha Vida”), livro de memórias de Andrés Iniesta, escrito com a colaboração dos jornalistas Ramón Besa e Marcos López. Nenhum jogador de sua geração enxerga o futebol como Iniesta. Se sua biografia refletir a inteligência que ele demonstra em campo, será um desses livros que lamentamos quando chega ao fim.

(publicada em 5/9/2016, no LANCE!)



  • Edouard

    Jogos de baixa octanagem (mais propensa a ignição), foi o que você quis dizer, certo?
    O Tite, segundo se fala, não costuma pedir para seus times baterem. O Corinthians não batia (eis uma visível diferença em relação ao time do Cristóvão), e foi sucessivamente campeão do tal fair play. Espero ver uma Seleção pilhada para apresentar bom futebol, e não para encarar o cenário de guerra que tem virado os jogos contra a Colômbia. Desejamos um knock out futebolístico, e é tempo de ver a Seleção voltar a deixar cicatrizes nos adversários. o que ocorreu em Quito é bom exemplo. Não jogamos bem no primeiro tempo, mas também não nos apequenamos. Depois, foi feito o que se espera. Quando o Equador abriu a guarda, caiu. Um abraço.

    • André Kfouri

      Não. Eu imaginei um jogo de “maior taxa de compressão”. Espero que seja de alto nível de futebol. Um abraço

  • Flávio Tomboly

    Olá André,
    Foi a primeira vez que li um texto seu. Que grata surpresa.
    Um conteúdo muito lúcido e rico de informações. Gostei bastante da seleção do técnico Tite, espero que o que vimos no primeiro jogo se repita hoje contra a Colômbia.

    Gostaria de ver o Daniel Alves apoiando um pouco mais ou quem sabe o Fagner no segundo tempo em seu lugar para vermos como ficaria o lado direito com ele apoiando. Do resto, não mexeria em mais nada. Ao menos por enquanto…

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