No LANCE! de hoje



HERANÇA

A última vitória da Seleção Brasileira no Equador aconteceu há trinta e três anos. Gol solitário de Roberto Dinamite, na fase de grupos da Copa América de 1983 (à época, em vez de ter uma sede única, o torneio era disputado em jogos de ida e volta). Desde então, foram dois empates e duas vitórias equatorianas, sempre pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo: 0 x 0 em 1994, 1 x 0 em 2001, 1 x 0 em 2004 e 1 x 1 em 2009, quando Júlio Baptista marcou o único gol brasileiro nas quatro visitas mais recentes.

O histórico negativo é um problema adicional para Tite, de quem se espera uma estreia não só com vitória, mas uma exibição de futebol que remeta aos momentos mais brilhantes do Brasil de 1970. A maneira como o ex-técnico do Corinthians chegou à Seleção – quase por aclamação, após dois anos perdidos – gerou, também, uma resistência fundamentalista a ele por parte de quem não o vê como o melhor substituto de Dunga. Ou, pior, por parte de quem entende que Dunga não deveria ter sido substituído.

A repercussão da primeira convocação feita pelo novo técnico dá a medida da margem de erro que lhe será concedida. A reação a nomes como Giuliano, Paulinho e Taison, por exemplo, beirou o escândalo, prova de que se pensa muito pouco antes de gritar. Independentemente da qualidade, do momento ou de onde atuam os jogadores citados, é natural que um treinador opte por futebolistas com quem já tenha trabalhado ao fazer a relação de convocados para seus primeiros dois jogos no comando. Com o benefício do tempo e das experiências, é igualmente natural que ajustes sejam feitos.

Talvez por conveniência, esse dunguismo latente prefere esquecer que jogadores como Marcelo e Thiago Silva vinham sendo ignorados pela comissão técnica anterior, sob o argumento da preferência do treinador. Tais preferências, no sentido mais amplo, resultaram no sexto lugar na classificação das Eliminatórias, herança deixada para Tite.

TREINO

A Seleção Brasileira se apresentará diretamente no Equador, no próximo domingo. A ideia é aumentar a possibilidade de uma correta adaptação às reações da bola na altitude e evitar surpresas no jogo do dia primeiro de setembro. Está correto. A parte física será afetada de um jeito ou de outro, ao contrário do aspecto técnico, que pode ser solucionado.

FASHION

“A mediocridade tem muito poder e ataca em manada. Quando aparecem os excelentes, a mediocridade fica exposta e muita gente não suporta”. Brilhante frase de Jorge Valdano, em entrevista ao diário argentino Olé. Valdano se referia a Pep Guardiola, mas o raciocínio não se aplica apenas a ele. Vivemos uma época em que a mediocridade está na moda.

(publicada em 25/8/2016, no LANCE!)



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