No LANCE! de hoje



DIFERENTE

Ao perder para o América mineiro, ontem pela manhã, o Santos se excluiu da lista de cinco times que poderiam encerrar o primeiro turno na liderança do Campeonato Brasileiro. Tamanho equilíbrio na parte mais nobre da tabela permite imaginar um quadro semelhante no final da segunda metade, o que produziria uma rodada decisiva sem precedentes. Exatamente por isso, talvez, o título simbólico não seja tão auspicioso em 2016.

Não há motivo para duvidar que o Palmeiras, provável vencedor do primeiro turno, estará na disputa pelo troféu em dezembro. O que não deve acontecer é a fuga precoce de um time, ou dois, fragmentando a competição a exemplo do que se viu em 2015. Ao final da rodada deste domingo, apenas três pontos separavam o primeiro do quarto colocado. Do líder ao sétimo, seis. Vitórias de Corinthians e Atlético Mineiro – ambos jogam em casa – na noite de hoje achatarão para dois pontos a diferença na zona da Libertadores.

Também é preciso considerar que o cenário das primeiras posições após dezenove rodadas pode ser enganoso. Apesar do sopro de sorte que o “campeão” do primeiro turno costuma carregar, ninguém estabelece como objetivo virar o campeonato na liderança. O que os candidatos ao título pretendem é não se descolar do topo. A partir daí, é claro, quanto mais alto melhor. O Atlético Mineiro e o Flamengo, por exemplo, não poderiam alcançar a liderança neste fim de semana, mas concluíram o turno em sequências positivas, diferentemente do Palmeiras, que venceu após três rodadas.

Voltando ao Santos. O nível de prejuízo causado por convocações faz da campanha santista um sucesso indiscutível. E não é preciso falar sobre modelos de jogo ou do balanço entre o que o time pretende e efetivamente consegue fazer. Basta ver os nomes que frequentam a escalação titular, suas posições de origem e como são utilizados. Dorival Júnior tem desenvolvido os jogadores à sua disposição, um aspecto do trabalho dos técnicos que escapa à capacidade de observação de quem só se preocupa com resultados (não, troll, isso não significa que Dorival é o único técnico do Universo que merece esse elogio, ok?).

É improvável, mas se o Corinthians superar o Cruzeiro por três gols de diferença, logo mais, será o líder, por saldo, e terá vencido os últimos quatro turnos do Campeonato Brasileiro. Se ganhar por dois gols, empatará com o Palmeiras em pontos, vitórias e saldo, o que levaria a definição do líder ao terceiro critério de desempate, os gols a favor (vantagem palmeirense de oito gols, neste momento). Obviamente, o jogo pode terminar empatado ou com vitória cruzeirense, situação na qual a distância entre líder e vice-líder pode ser de apenas um ponto, se o Atlético Mineiro derrotar a Chapecoense. 

Ao Palmeiras, time que ocupou o primeiro lugar por mais tempo no turno e que não pode ser superado em pontos, a recuperação do bom desempenho é mais importante do que a posição na classificação. Seis dos sete melhores do Campeonato Brasileiro estão na Copa do Brasil. O Flamengo é a exceção. Setembro e outubro costumam revelar aqueles que não disputarão o título. É possível que 2016 seja diferente até nisso.

PISO RUIM

É embaraçoso o estado do gramado do estádio Mané Garrincha, algo que só piorará com a sequência de jogos. A impressão que se tem é que a obra mais suntuosa da Copa do Mundo de 2014 precisa ser utilizada ao máximo e o campo de jogo é uma questão menos importante. E no caso dos Jogos Olímpicos, as condições sofríveis do gramado reforçam a sensação do futebol como esporte intruso, distante do evento. A imagem que fica é péssima.

CLIMA RUIM

Os bastidores da Olimpíada revelam as preocupações do Comitê Olímpico Internacional com os problemas de organização dos Jogos, muitas vezes camuflados pela festa. Tal qual um hóspede exigente e incomodado com seu quarto de hotel, o COI não quer mais lidar com os defeitos que encontrou no Brasil, especialmente relativos à segurança. Como se a realidade de uma grande cidade brasileira – qualquer uma – fosse desconhecida pelos senhores dos anéis.

(publicada em 8/8/2016, no LANCE!)



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