Dramas olímpicos



Alguns comentários e algumas perguntas sobre a seleção olímpica…

1) Dois jogos e nenhum gol, contra África do Sul e Iraque. Com jogadores renomados à disposição e uma preparação que pode ser qualificada, no mínimo, como razoável. Não é inexplicável, pois quase tudo o que acontece em um jogo de futebol tem explicação. Mas, como desempenho, é indefensável.

2) A comparação dos dois jogos na Olimpíada com o primeiro tempo do amistoso contra o Japão é intrigante. No encontro preparatório, a organização e as intenções do time foram facilmente perceptíveis. Em competição, viu-se o oposto. Desordem, pressa, receio… e obviamente à medida que as coisas seguem erradas e as insatisfações se acumulam, tudo fica mais difícil.

3) Os melhores técnicos do mundo, em diferentes modalidades, dizem que é no momento de dificuldade que as convicções ganham importância. A tentação a fazer alterações não pode ser mais forte do que a crença no que se planejou e se treinou. Rogério Micale está diante de um dilema para o jogo contra a Dinamarca e a – possível – sequência do Brasil nos Jogos Olímpicos. 

4) Micale e alguns jogadores insistem no discurso de que o time tem feito as coisas bem e sido vítima de extrema falta de sorte na conclusão das jogadas. Não é verdade. O Brasil não constrói movimentos com clareza e não cria oportunidades agudas com a frequência que se espera, tendo em vista a fragilidade dos adversários. 

5) Sobre Micale: a repercussão dos resultados decepcionantes começa a desenhar um perfil de técnico que fala, mas não faz. Como se o fraco desempenho – em dois jogos – tornasse inúteis a preparação profissional e a comunicação de conceitos. Ele é um técnico de categoria de base, lidando com uma oportunidade que impõe enormes responsabilidades. O passado recente da Seleção Brasileira adulta não se inclui entre elas.

6) Se o Brasil tivesse vencido os dois jogos em lances de bola parada, Micale seria descrito por boa parte do público e crítica como um técnico “competitivo” e/ou “inteligente”. O que interessa à maioria é o final do filme, não a história. Temos horror ao método e, também por isso, chegamos a esse ponto. 

7) Parece claro que Fernando Prass não foi escolhido como capitão por causa da lesão que sofreu em Teresópolis. Anunciá-lo e ter de escolher outro jogador após o corte do goleiro seria inconveniente, principalmente em relação a Neymar. Se fosse ele, seria a “segunda opção”. Se não fosse, seria um rebaixamento ainda maior. Isto dito, a opção por Neymar foi um equívoco. 

8) Ainda sobre Neymar: o argumento das férias para explicar seu momento físico tem pouco valor. Como se sabe, Neymar escolheu jogar a Olimpíada (e se não tivesse escolhido, estava escalado para o torneio). Estar na melhor forma possível era obrigação dele. “Mas ele não tem direito a descansar e se divertir?”. Claro que sim. A questão é que não se pode ter tudo em todas as horas, é preciso estabelecer prioridades. 

9) O que fez Renato Augusto para merecer a condenação do público em Brasília? Profissional corretíssimo, jogador talentoso, excelente companheiro. E como se não bastasse, sabe lidar com dificuldades e incertezas. Após as vaias e o gol perdido contra o Iraque, ele estava na zona mista do Mané Garrincha, dando explicações.

10) A torcida tem direito a expressar descontentamento durante o jogo, embora esse comportamento seja claramente prejudicial ao time. Escolher um jogador como alvo, porém, é vontade de atrapalhar. 

11) O nome de Dunga ressurgiu ontem à noite, por mais estranho que pareça. Estamos relacionando dois anos de Dunga na Seleção principal a dois jogos de Micale na seleção olímpica? É isso? Nonsense.

12) E o que Tite tem a ver com o que se passa na Olimpíada? Claro, a observação de jogadores que possam servir ao time principal é parte do trabalho dele, mas o único foco são as eliminatórias (e o sexto lugar que Dunga lhe deixou…). 

13) Sobre as Eliminatórias: o Brasil não venceu nas últimas quatro visitas ao Equador. 



  • Eu acho que Neymar seria o capitão de qualquer jeito. Era complicado para o Micale não escolher o Ney.

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