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MEDALHA DE JOGO

Antes da Copa América do centenário, aqui se escreveu que “o Brasil não precisa ganhar [o título]. O discurso da exigência de vitória é apenas uma justificativa para o modo de (não) jogar preferido. Se, ao final do torneio, tivermos visto um time, a participação da Seleção Brasileira terá sido positiva”.

Não vimos um time, Dunga não resistiu ao péssimo segundo tempo contra o Peru em Boston e, por isso, Rogério Micale estará à frente do banco quando o Brasil estrear nos Jogos Olímpicos, logo mais. Por questão de coerência, aqui não se cobrará de Micale “a tão sonhada”, “a tão desejada” medalha de ouro, simplesmente porque ela não é necessária.

Em que pese a narrativa do “título que falta”, o currículo da Seleção Brasileira não é carente de glórias e não precisa, especialmente, de conquistas alcançadas com futebol opaco. Nesse aspecto, a falácia de que o título olímpico seria uma resposta ao 1 x 7 é algo tão fantasioso que nem os mais avançados efeitos especiais seriam capazes de tornar crível.

O desastre de 2014 só poderá ser respondido com jogo, e para que haja jogo é preciso haver uma equipe. Uma medalha de ouro conquistada sem bom futebol seria um remédio com validade vencida, a deixa para o ressurgimento de um discurso ufanista e ignorante do qual é obrigatório guardar a maior distância possível. O futebol da Seleção – a olímpica e a principal – deve recuperar o merecimento.

Para isso não é necessário ganhar um título, embora o mérito leve à conquista com frequência. Micale tem falado muito mais em futebol do que em resultado, sem recorrer aos clichês que povoaram as entrevistas de Dunga nos últimos dois anos. A repetição de que o Brasil tem de vencer sempre se tornou um alvará para o futebol mesquinho. O que a Seleção Brasileira precisa fazer é algo que não se vê há muito tempo: jogar.

O PRÓXIMO

A transferência de Gabriel Jesus para o Manchester City é a quinta maior da história do futebol brasileiro. Entre o atacante do Palmeiras e Neymar, o primeiro da lista, há três jogadores que não fizeram o sucesso que se esperava: Denílson, Lucas – em atividade na Europa – e Robinho. O talentoso Gabriel, convém lembrar, ainda é um jogador em formação.

O PRÓXIMO?

Pelo futebol exibido, o Rosario Central foi o segundo melhor time da Libertadores 2016. Seu técnico, Eduardo Coudet, tem 41 anos. Trazê-lo no meio da temporada pode não ser a melhor opção, mas se trata de um treinador jovem e promissor. É preciso vencer o estigma do “técnico estrangeiro” no futebol brasileiro, o que só acontecerá com suporte e segurança.

(publicada em 4/8/2016, no LANCE!)



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