No LANCE! de hoje 



QUE PENA, PRASS

Que tremenda falta de sorte. De Fernando Prass, da seleção olímpica e do Palmeiras. Já seria um drama para um jovem jogador, como o colorado Valdívia, que não foi capaz de falar sobre a oportunidade perdida – por causa de uma lesão no joelho, sofrida em novembro do ano passado – de disputar os Jogos Olímpicos sem se emocionar. O meia do Inter tem 21 anos e, tomara, uma longa trajetória a percorrer no futebol, com todos os objetivos possíveis. Para Prass, 38, a janela está se fechando.

Não deveria ser assim. Seria confortante se o jogo garantisse as experiências merecidas a futebolistas que se conduzem como o goleiro palmeirense, como uma condecoração pela folha de serviços. A convocação de Prass fez total sentido sob qualquer ótica: o desempenho o qualificou, a capacidade de liderança o valorizou e a vivência conferiu uma sensação agradável de justiça a uma carreira que não passou pela seleção brasileira. Prass não recebeu favores de ninguém. Participar de uma Olimpíada com a idade em que a maioria dos jogadores já se despediu do futebol seria uma conquista pessoal.

O corte fere ainda mais pelo instante em que aconteceu, dias antes da estreia, quando o ambiente da competição já se instalou no grupo formado. Uma parte importante da vida de um esportista é saber processar frustrações, sentimento que acompanha as lesões inerentes à profissão. Prass certamente lidará com essa decepção com a serenidade que o caracteriza e receberá apoio até de quem não torce para o time que ele defende, um fenômeno que se dá com os raros jogadores que estão acima da rivalidade insana que o futebol desperta.

Além do goleiro titular e provável capitão (não se deve desconsiderar a escolha de Neymar como produto da lesão de Prass em Teresópolis e as dúvidas sobre sua condição), a seleção olímpica perde uma fonte de tranquilidade e concentração, dois aspectos valiosos para qualquer equipe, mais ainda para quem carrega a carga de uma medalha obrigatória a ser conquistada em casa. O componente humano aumenta o mistério do futebol até para as pessoas que julgam conhecê-lo, por isso é frequentemente dispensado por análises que tratam o jogo como um tabuleiro animado.

O Palmeiras perde uma de suas referências em meio a uma campanha promissora. Prass já estaria ausente enquanto durasse a participação do Brasil no torneio olímpico de futebol, agora provavelmente não voltará a atuar pelo líder do Campeonato Brasileiro até os jogos de ontem. O Palmeiras não conseguirá substituir o desempenho de seu principal goleiro, muito menos a figura proeminente no vestiário e na rotina. A questão é como a lacuna influenciará o rendimento do time na segunda parte de um campeonato muito equilibrado no setor mais nobre da tabela.

Quem mais perde, sem dúvida, é Fernando Prass. Ele merecia estar contemplando sua estreia pelo Brasil na próxima quinta-feira, ao invés de imaginar como os dias seriam diferentes se seu cotovelo direito permitisse. Os Jogos Olímpicos não estão mais ao alcance, a seleção brasileira talvez esteja. Que tremenda falta de sorte.

TREINANDO E FALANDO

A atuação da seleção olímpica no amistoso contra o Japão foi muito interessante para quem presta atenção às entrevistas de Rogério Micale. Foi possível notar, no comportamento do time, vários dos conceitos que o técnico comentou publicamente desde que a equipe se reuniu para a preparação para a Olimpíada. E após a vitória por 2 x 0, Micale observou situações do jogo que de fato aconteceram. Parece óbvio, mas nem sempre é assim. Falar sobre futebol com paciência e, ao que parece, paixão, facilita o entendimento de todos e tem um caráter didático que é fundamental para a análise do próprio trabalho de um técnico. A seleção de Micale joga como um time treinado e ele se comunica da maneira correta. Não apenas no ponto de vista de quem o ouve, mas para a compreensão do que pretende

(publicada em 1/8/2016, no LANCE!)



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