Coluna Dominical 



MAIS CÉREBRO, MENOS FÍGADO

A ideia não era voltar ao tema, mas a semana passou e a indefinição sobre o próximo técnico da seleção argentina gerou uma onda de incompreensão a respeito da postura de Edgardo Bauza. Em alguns casos, é o tipo de incompreensão proposital que emporcalha as redes antissociais. Em outros, é a disseminação de um pensamento retrógrado que, além de injusto, não consegue nem mesmo ser compatível com a situação em questão. E, claro, asneiras como a expressão “esse argentino” começaram a acompanhar raciocínios iluminados sobre o assunto. Somos incapazes de evoluir.

Diz-se que Bauza desperdiça o tempo do clube que lhe paga e que, para não ser refém das vontades profissionais de seu técnico, o São Paulo deveria estabelecer um prazo para que ele se decida. É mais ou menos como se Patón não tivesse retornado de Buenos Aires até agora, desligado o celular e, entre quilos de assados de tira e garrafas de tintos nacionais, ignorasse, às gargalhadas, as tentativas do clube de se comunicar com ele. Como se o time não tivesse um técnico enquanto as pessoas que atualmente respondem pela Associação do Futebol Argentino (AFA) deliberam sobre a melhor escolha.

A bravata teria o objetivo de mostrar a Bauza “o tamanho do São Paulo”, mas, de fato, sua simples sugestão opera exatamente no sentido contrário. Se atendida, diminuiria o clube diante de um técnico desejado – ao menos como um candidato – pela seleção nacional de futebol da Argentina. Por que motivo é tão complicado perceber que a consideração ao nome de seu treinador é algo que honra o São Paulo, um fato que deveria envaidecer seus torcedores no que diz respeito à imagem do clube? Não, perder um técnico no meio da temporada evidentemente não é uma perspectiva agradável, mas o ponto é outro, pois o São Paulo não tem nenhum controle sobre o processo.

Ademais, pressionar Bauza é uma medida sem sentido, uma vez que ele próprio é incapaz de determinar o andamento das coisas. A não ser, lógico, que se retire da lista de opções. Mas por que ele faria isso? Mais: como pedir isso a Patón? No mundo do futebol, entende-se o apelo das seleções como um ponto de exclamação no currículo de um técnico. Até mesmo os que compõem a elite da profissão projetam dirigir seus países após um período a serviço dos principais clubes europeus. Bauza não se inclui neste patamar de treinadores, e o São Paulo não está neste nível – atenção, trolls – no que se refere ao mercado internacional de trabalho. A reação de Bauza à possibilidade de treinar a Argentina é perfeitamente compreensível. Ao aguardar pelo desfecho, o clube se mantém na posição que lhe permite dar prosseguimento ao trabalho. É uma postura inteligente. E Patón segue trabalhando.

Houve quem se incomodasse com a visita à sede da AFA, no final da semana passada, exigindo que Bauza dissesse à sua seleção nacional que viesse a São Paulo se quisesse conversar com ele. Uma atitude de extrema simpatia, que certamente o tornaria o favorito ao posto… brilhante ideia. A propósito, Bauza queria ir a Buenos Aires em um dia de folga, mas a AFA foi intransigente e insistiu na reunião na última sexta-feira. Quem é capaz da alucinação de enxergar pequenez no comportamento do São Paulo talvez deva saber que, no departamento de futebol do clube, em vez de preocupação, há uma convicção: entende-se que a estrutura atual permite uma troca de comando sem desestabilizar o time. Se for necessária.

NÃO SE CALE

É correta a percepção de que a seleção olímpica passou a ser vista com mais simpatia, e o futebol nos Jogos, como algo mais relevante do que realmente é. Possivelmente tem a ver com o fato de o técnico do time ser a pessoa que merece a oportunidade, com a forma como ele se comunica sobre todos os assuntos (até sobre a realização da Olimpíada no Brasil) e com o tipo de futebol que pretende praticar.
 

(publicada em 30/7/2016, no LANCE!)



  • Vicente Alves

    Saudações. Dois pontos a considerar sobre o jogo Joinville e Oeste, série B do Brasileiro. 1. Mesmo horário que o jogo amistoso do Brasil e Japao, prejudicando a presença de público e interesse pelo jogo em Joinville. Basta lembrar que Joinville, a terceira maior cidade do Sul do Brasil, metrópole em formação, tem estimados 1.000.000,00 de habitantes na região e apenas um clube de futebol profissional. Um desrespeito e absurda atitude da CBF e Rede Globo. 2. O time do Oeste, em clara atitude anti-jogo, manteve praticamente 70 por cento de posse de bola, ensejando poucas possibilidades reais de gols para ambos os times, resultando num modesto 1 a 0 . O simples domínio da bola, sem claro objetivo de gol, pode e deve ser qualificado como anti-jogo. No basquete há limite de tempo para o ataque, no vôlei, apenas três toques, no tênis, a bola deve passar a rede. Alguns ataques do Oeste poderiam ser desqualificados por anti-jogo.

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