No LANCE! de hoje 



CONTRATOS

O problema com entrevistas de jogadores de fama estratosférica é a percepção de que devem nos oferecer pensamentos elevados sobre qualquer tema. Há uma lógica meio perversa de que “já que ganham tanto, bem que poderiam…”, como se a remuneração que recebem estivesse atrelada a obrigações que eles evidentemente não possuem.

Acontece com Neymar, com quem já se tentou, várias vezes, conversar em ON a respeito de assuntos sobre os quais ele não tem conhecimento/domínio/curiosidade, em projetos para revelar “o outro lado” de um jogador cujos interesses fora do futebol jamais satisfarão os critérios dos que acham que ele deveria ser outro tipo de pessoa. A exigência inatingível se mostra de diferentes formas.

Atletas estrelados nos Estados Unidos, onde o sistema educacional e suas ramificações esportivas são capazes de formar jogadores excepcionais e cidadãos intelectualizados, muitas vezes não têm nada a dizer. Até em relação a eles a sensação de desperdício é injusta, pois histórias pessoais podem tê-los conduzido ao esporte, e só ao esporte, como solução familiar. No Brasil, sob condições incomparáveis, faz ainda menos sentido.

Uma reportagem publicada ontem, na Folha de S. Paulo, mostrou que quatorze dos dezoito convocados para a seleção olímpica de futebol terminaram o ensino médio. Neymar, craque desde os onze anos, não é um deles. Na escola da bola, na qual o astro do Barcelona terminará a carreira com mestrado, doutorado e possivelmente algo mais, há, no máximo, dois companheiros com possibilidades semelhantes.

Tomara, um dia, futebolistas brasileiros se comuniquem tão bem quanto jogam. Enquanto não for assim, nos servirá entender que os que alcançaram o topo, especialmente, levam a vida que sonharam e são as pessoas que desejam ser. Os salários espetaculares não determinam nada além do que está escrito em seus contratos.
 
COTOVELO

Não é perfeitamente normal que Edgardo Bauza tenha uma relação mais próxima com jornalistas argentinos e se sinta mais à vontade ao falar com eles? Imagine um técnico brasileiro trabalhando na Argentina, com os relacionamentos que tem aqui. Só falta ser essa a razão do rigor com que o treinador do São Paulo tem sido tratado desde que a AFA o chamou.

CRUZEIRO

A figura do “técnico estrangeiro” permanece estigmatizada no futebol brasileiro, atrasado. Quem contrata outra visão, outros métodos e outras formas de ser e agir, deve estar preparado para enfrentar resistências e sustentar a posição que assumiu. Em resumo, deve evoluir para promover a evolução. Contratar só para dizer que tentou é um ato de mesquinhez.

(publicada em 28/7/2016, no LANCE!)



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