No LANCE! de hoje 



PORTA GIRATÓRIA

Se o São Paulo perder Edgardo Bauza nas próximas horas, ele será o segundo treinador a deixar o clube para assumir uma seleção nacional em nove meses. Juan Carlos Osorio trocou o Morumbi pelo México em outubro do ano passado, em um movimento mais alimentado pelo desejo de não ter de lidar com Carlos Miguel Aidar do que com a possibilidade de dirigir Chicharito Hernández. A experiência de trabalhar em uma Copa do Mundo sempre fez parte do planejamento de carreira do técnico colombiano, de modo que a saída mexicana veio a calhar. Bauza, por outro lado, parece ter sido surpreendido por uma chance que não estava em seus horizontes.

O dinamismo do futebol é uma força incontrolável. Tivesse a Argentina conquistado o título da Copa América do centenário, Bauza muito provavelmente só teria ido ontem à Buenos Aires via google maps. É possível relacionar os fatos a um pênalti desperdiçado por Lionel Messi ou a (mais) um gol perdido por Gonzalo Higuaín em uma decisão por seu país, como um efeito dominó que reúne momentos aparentemente desconectados, em uma conspiração inusitada que abre portas a quem talvez não tenha perdido um minuto sequer pensando nelas. Além do resultado do torneio nos Estados Unidos e da saída de Gerardo Martino, o caos administrativo no futebol argentino contribuiu para que o técnico do São Paulo pegasse um avião para seu país e se imaginasse na Rússia, daqui a dois anos, à beira do campo.

Mesmo deixando de lado a poderosa relação que os argentinos têm com o que podemos chamar de “pátria esportiva”, pense no que uma oportunidade como essa significa para um técnico que sempre trabalhou com elencos modestos. Em questão de dias, Bauza pode transitar da pressão pública sobre a diretoria do São Paulo – única postura que sugere uma preparação de sua saída – pela contratação de nomes como Andrés Chávez e Julio Buffarini à fartura de escolher os melhores futebolistas argentinos espalhados pelo mundo. A análise sobre Bauza ser ou não o treinador mais capacitado para dirigir a seleção argentina é uma conversa inteiramente diferente. As opções óbvias (Sampaoli, Simeone, Pochettino…) estão bloqueadas por seus contratos. O que importa ao torcedor são-paulino é que o técnico de seu time pode ser formalmente convidado a uma posição que poucos profissionais recusam.

Não imagine que as pessoas que comandam o São Paulo estão imobilizadas pela situação, à espera de um telefonema portador de notícias que podem desviar radicalmente a temporada do clube. Enquanto Bauza conversa com os encarregados de encontrar um técnico para a Argentina, o perfil de um possível substituto já foi definido. Os sinais indicam a procura por alguém que enxergue análise de desempenho como um aspecto primordial e que utilize essa inteligência no dia a dia. Como investimento no departamento de futebol, um profissional para realizar esse trabalho de maneira avançada foi contratado pelo clube há cerca de um ano. Ele se envolveu diretamente no estudo que levou à contratação de Edgardo Bauza. O último clube em que esteve foi o Corinthians, onde trabalhou com Mano Menezes.
 
PATAMAR

A questão com Alexandre Pato não é a diferença entre a projeção que se fez quando ele surgiu e a realidade que se apresenta desde então. O patamar de remuneração que ele alcançou, aspecto sempre levado em conta em tentativas de avaliação sobre sua contratação por clubes brasileiros, deve-se unicamente à trajetória que Pato percorreu no futebol. A ida precoce para a Itália o colocou em um nível salarial exagerado para o que se pratica no Brasil, valores sustentados por contratos assinados e que precisam ser respeitados. Essa é a leitura que predomina nas análises sobre o futebol de Pato, não uma ideia pré-concebida sobre o que ele deveria ser.

(publicada em 23/7/2016, no LANCE!)



  • Mário Antônio Milaré

    Bauza, por favor vaze logo e leve o mala do Centurion, Wesley, Mena, etc, isto não é time é pesadelo.
    Bando de amarelentos e vermes…..

    • Klaus P.

      Que análise profunda sobre o contexto em discussão. Estou impressionado.

  • Aproveite e leve o Centurión. Quero vc e o Centurión fora do meu time. Estou quase tendo avc com esse Centurión jogando. Jogador BURR0000

MaisRecentes

Até o fim



Continue Lendo

Sem casca



Continue Lendo

Na boa…



Continue Lendo