No LANCE! de hoje



FUSO-FUTEBOL

Diego jogou na Europa desde 2004, quando saiu do Santos para o Porto. A lembrança serve para que não se coloque a qualidade de seu futebol em questão, pois, especialmente para um jogador não europeu, não é fácil permanecer no principal centro do esporte por tantas temporadas seguidas.

O melhor Diego, o jogador que vimos surgir com a camisa santista e que atuou em muito bom nível no Werder Bremen entre 2006 e 2009, seria capaz de transformar qualquer time brasileiro em tempo razoavelmente curto. Ocorre, por óbvio, que o melhor Diego estaria em situação privilegiada em algum clube europeu e não se interessaria por retornar ao Brasil.

O Diego que chega ao Flamengo aos 31 anos é um ótimo jogador, em potencial, para o patamar atual do futebol brasileiro, uma vez superadas as dificuldades de readaptação que ele enfrentará. A reentrada no ambiente que Diego deixou um ano depois de atingir a maioridade apresentará várias diferenças em relação ao que ele conhece. A questão que importa: quanto tempo levará para que o novo meia rubro-negro entre no “fuso-futebol brasileiro”?

Não é um tema apenas físico ou de visões distintas do mesmo jogo. Método de treinamento, logística, ritmo, posicionamento… nas palavras de quem fez a mesma transição: “é praticamente outro esporte”. Um aspecto que pouco se nota é a mudança de horário de treinos e jogos. No Fenerbahçe, treina-se às 11 da manhã ou às 7 da noite. E não se joga à tarde.

Diego terá de reeducar seu organismo a responder com desempenho em situações de preparação e competição às quais ele não está acostumado. E precisará se recuperar em períodos mais curtos. A vida pessoal também sofrerá: no Brasil, jogadores de futebol vêem suas famílias com muito menos frequência do que na Europa.

Sim, pode ser um sucesso e um impulso para o Flamengo, por isso a postura do torcedor e do clube precisa ser de apoio, paciência. Essa talvez seja a parte mais difícil.
 
EVOLUÇÃO

Em duas entrevistas na Granja Comary, só bons sinais. Sobre o time olímpico, Rogério Micale falou em “defender com onze e atacar com onze”. Tite conversou com dezesseis técnicos e viu dez jogos do Equador, próximo adversário do Brasil nas Eliminatórias. A seleção brasileira parece estar em uma nova era no aspecto dos conceitos e da comunicação.

POSIÇÃO

Romildo Bolzan Júnior será o vice-presidente da Liga Sul-Americana de clubes, organização recém-criada, com a qual os quatro clubes paulistas preferiram não se envolver em nome de um “voto de confiança à Conmebol”. O presidente gremista dá nova mostra de ser o dirigente brasileiro com visão mais evoluída sobre o papel institucional dos clubes.

(publicada em 21/7/2016, no LANCE!)



  • MRC

    Bairrista? Nah, que isso

    • André Kfouri

      Procure um dicionário.

  • Felipe Daldegan

    Bom é o Robinho, que era banco NA CHINA, né?

    • André Kfouri

      Foi isso que você concluiu?

  • JOVIANO CAIADO

    Diego – Horário de treino e jogo, nem tanto. Fácil adaptação. As constantes viagens, sim, pois o Flamengo, mesmo quando tem o mando, joga em outra cidade. O mais difícil parece ser o fator “futebol brasileiro”, como se “joga o jogo” aqui. O entrosamento com seus companheiros e, importante também, como jogam seus colegas-adversários. Em semana de treinos, duas horas na parte da manhã e duas a partir das 16h00. O convívio familiar será normal. Vai almoçar, descansar, jantar e dormir em casa.

    • André Kfouri

      Com respeito: os pontos sobre horários de esforço e vida familiar foram comentados por jogadores de futebol que fizeram a mesma transição. Creio ser inteligente levar em conta a experiência deles e, acima de tudo, não julgar que sabemos melhor do que eles como isso funciona.

  • Eduardo

    André, concordo com boa parte do texto e acredito na sua independência profissional, já que nunca o vi agindo de forma bairrista como muitos dos seus colegas. Entretanto, discordo de um ponto essencial, vejo, talvez por otimismo clubista, que o Diego atual, mesmo fora do seu auge e das suas melhores condições físico-técnicas, já é um jogador capaz de mudar qualquer clube brasileiro de patamar em um curto período de tempo, talvez não a ponto de carregar nas costas como Neymar fez pelo Santos (acredito que nesse estágio, Diego, só conseguiria no seu auge) , mas, certamente, dando um toque diferencial como Jadson e Renato Augusto no Corinthians, por exemplo.

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