No LANCE! de hoje 



TETO

É absolutamente legítimo o desejo de Paulo Henrique Ganso de deixar o São Paulo antes do final de seu contrato. E nem é preciso evocar o direito de cada um cuidar da própria carreira para explicar por quê. Uma oportunidade como a que o Sevilla oferece não aparece todos os dias para jogadores de vinte e seis anos, muito menos como encomenda de um técnico com as ideias de Jorge Sampaoli.

As últimas declarações do diretor esportivo do Sevilla ajudam a entender que tipo de equipe Sampaoli enxerga. “Ele propõe um jogo em que a posse de bola seja fundamental e buscamos jogadores que a percam pouco”, disse o ex-goleiro Ramón Verdejo, popularmente conhecido como Monchi. “Não há um esquema básico. O mister tem várias ideias, mas com o mesmo conceito: ter a bola e ser protagonista nas partidas”, acrescentou.

Talvez seja uma caracterização injusta, mas Ganso é frequentemente descrito como um jogador imaginário, alguém cujo potencial máximo teve raras aparições em uma trajetória marcada pelo conflito entre o talento e o desempenho. O perfil de time que o Sevilla pretende construir não só representa sua última chance na elite do futebol mundial, como também o insere em um ambiente de jogo que pode ser especificamente o que sempre lhe faltou.

Bem acompanhado em um time que pratique futebol de posse, as opções para a utilização de Ganso são generosas. Até mesmo no papel de regista, denominação italiana para o meiocampista que atua recuado, à frente dos zagueiros, responsável pelo início de movimentos ofensivos (ver: as últimas versões de Andrea Pirlo). Ganso reúne as qualidades – visão, passe e posicionamento – necessárias para ser excelente nesta função.

A ida para o Sevilla deverá esclarecer uma dúvida a respeito do teto do futebol de Ganso: a de que ele pode se estabelecer na Europa se tiver os companheiros certos. Muitos jogadores que atuaram com Ganso pensam assim.

FACES

Em agosto de 2015, o Internacional era dirigido por Diego Aguirre. O clube gaúcho demitiu o técnico uruguaio às portas de um Gre-Nal e contratou Argel, que não completou um ano no cargo. Nos últimos dias, pensou em Mano Menezes, considerou Luxemburgo e escolheu Paulo Roberto Falcão. Fosse uma pessoa, seria um caso preocupante de múltiplas personalidades.

ONTEM

O árbitro chileno Patricio Polic contaminou o jogo de volta das semifinais da Libertadores, ontem em Medellín. É inadmissível que ele não tenha marcado um pênalti em Hudson, no final do primeiro tempo, com o placar em 1 x 1 com o Nacional. Daí a dizer que o São Paulo foi eliminado do torneio por causa da arbitragem é um exagerado exercício de simplismo.

(publicada em 14/7/2016, no LANCE!)



  • Edouard

    AK, a propósito de discutir, em tese, o lance do pênalti sobre o Hudson (que houve): tenho lido que o SPFC poderia ter feito o gol e jogar todo o segundo tempo com um jogador a mais, dada a expulsão do infrator. Mas a regra não foi justamente alterada nesse ponto, para que os lances de pênalti resultem na aplicação de cartão amarelo para o faltoso? Estou enganado? Um abraço.

    • André Kfouri

      Sim, a regra mudou e determina cartão amarelo se o árbitro entender que a falta não foi intencional, ou seja, que o defensor tentou disputar a bola. Um abraço.

  • Bruno Manzano

    AK, vc não concorda que a expulsão do Maicon foi equivocada? que o justo seria o cartão amarelo?, como não citar a arbitragem como um dos fatores determinantes pro resultado dessa semi.

    • André Kfouri

      Como escrevi na coluna de domingo passado, a regra é específica quanto a situações de mão/braço no rosto ou cabeça em lances sem disputa de bola. Há árbitros que aplicam a regra e outros que não aplicam. É extremamente confortável – para não dizer oportunista – apontar excesso de rigor do árbitro e inocentar o comportamento de Maicon (que teve postura digna, vale frisar, ao comentar a expulsão). Também discordo veementemente de quem afirma que o jogo estava equilibrado até a expulsão. O Nacional já era bem superior, embora o placar estivesse em 0 x 0. Um abraço.

  • Felipe de Souza

    Será no mínimo curioso assistir ao futuro “confronto Neymar x Ganso”.
    Se não me engano eles não jogaram contra ainda…

    • André Kfouri

      Eles se enfrentaram pelo Campeonato Paulista de 2013, na Vila Belmiro. Santos 3 x 1 São Paulo.

      • Felipe de Souza

        É, me enganei…

        • André Kfouri

          Nos confrontos da Supercopa da Espanha, Neymar estará na Olimpíada.

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