No LANCE! de hoje



PATERNIDADE

A seleção brasileira olímpica, enfim, está nas mãos do técnico apropriado. O plano de entregá-la ao treinador do time principal foi suspenso quando Dunga deixou a sala, e definitivamente abortado pelo bom senso de Tite. Rogério Micale é o pai, não mais a barriga de aluguel.

Uma pena ele não ter o goleiro Éderson (Benfica) e o lateral Fabinho (Monaco), não liberados por seus clubes. Ambos muito provavelmente seriam titulares. A necessidade de outro goleiro fez Fernando Prass aparecer no radar, uma convocação que faz sentido sob qualquer aspecto. Prass nunca jogou pela seleção, mas sua trajetória o recomenda por qualidade, experiência e perfil de liderança.

O time olímpico pode ter um ataque formado por Douglas Costa, Gabriel e Neymar, com Gabriel Jesus no banco. Não existem muitos países com tal fartura de escolha, uma medida de como as queixas sobre o nível individual dos jogadores à disposição são equivocadas. Felizmente, Micale enxerga o futebol de maneira oposta a quem se serviu desse tipo de desculpa.

Uma das grandes questões sobre “a busca do ouro” é Neymar. A dinâmica entre o astro, os demais jogadores e a comissão técnica estará relacionada a qualquer resultado obtido no Rio de Janeiro. Obviamente, como se verifica em qualquer ambiente hierárquico, tudo dependerá do tipo de relacionamento que Micale estabelecer com ele. Neymar é único, mas não é o único.

Quem é próximo do técnico da seleção olímpica o tem na conta de um treinador atualizado e dotado de uma visão bem definida do que pretende. Suas manifestações na entrevista após a convocação revelam uma tendência a ver as coisas de forma descomplicada.

Os Jogos Olímpicos representam uma responsabilidade para a qual Micale se prepara há tempos, sem saber se a teria. É correto que ela venha acompanhada da oportunidade que muitos gostariam de ter.

Uma foto feita por um torcedor no MetLife Stadium, na final da Copa América do centenário, ilustra a solidão de Lionel Messi na seleção argentina. Durante o segundo tempo do jogo, Messi estava cercado por todos os jogadores de linha do Chile. Nenhum outro jogador argentino aparece na imagem. O futebol é cruel, especialmente para quem não enxerga.

SALDO

O pior negócio que se pode fazer é aquele que não pode deixar de ser feito. Os motivos pelos quais Maicon se tornou um jogador crucial para o São Paulo ficam para outra hora. Uma vez concretizada a segunda maior negociação da história do clube, o veredito terá mais a ver com o que acontecer com o São Paulo em três anos do que com o desempenho do zagueiro.  

(publicada em 30/6/2016, no LANCE!)



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