Coluna Dominical



CARTOGRAFIA

“Se Deus quiser, a gente vai chegar à final. Tenho certeza absoluta disso”, disse Ricardo Teixeira. Era outubro de 2011. No evento de divulgação do calendário da Copa do Mundo de 2014, em Zurique, o então presidente da CBF misturava fé e convicção ao comentar o caminho teórico da Seleção Brasileira no Mundial em casa. O Maracanã só aparecia na rota em caso de classificação para a decisão, uma aposta ousada que deu terrivelmente errado. O Brasil não jogou no Rio de Janeiro.

Quase cinco anos – e dois presidentes – depois, a CBF volta a planejar os rumos da seleção no país. E demonstra que o vício em jogos de azar continua irresistível. Na programação das próximas rodadas das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, o Brasil receberá a Colômbia, em Manaus (6 de setembro, Arena da Amazônia); a Bolívia, em Natal (7 de outubro, Arena das Dunas); e a Argentina, em Belo Horizonte (11 de novembro, Mineirão). O Maracanã terá de esperar mais um pouco.

Raciocinemos sobre o último compromisso da Seleção Brasileira, em casa, em 2016. Uma oportunidade para encerrar um ano turbulento, quem sabe, com boas sensações (o Brasil ainda irá ao Peru, em 15 de novembro). O adversário é simbólico, perfeito para a obtenção de um resultado enfático sob o comando de um novo treinador. Se todos os jogos das Eliminatórias são igualmente importantes, o encontro com a Argentina sempre terá um valor adicional. Clássicos significam mais do que pontos.

E de que forma a CBF agendou a visita de Messi e seu elenco de suporte? Com o retorno da Seleção Brasileira ao gramado em que sofreu a mais devastadora derrota em cento e dois anos de história. Não é necessário possuir poderes mediúnicos para descobrir que tema dominará a narrativa nos dias anteriores ao jogo, ou qual será o efeito psicológico para os jogadores brasileiros. Também não é preciso ser um especialista em estratégia para concluir que esse tipo de exposição não faz sentido.

Se você pensa que fatores externos não interferem, lembre que, nos últimos anos, a CBF tem levado a Seleção para jogar em locais onde entende ser possível criar um ambiente de estímulo. Evita-se o Sudeste por ser considerado exageradamente crítico ao time, ao técnico, aos cartolas. A escolha de Belo Horizonte para o encontro com os argentinos é intrigante não só por este aspecto, mas também por ressuscitar o 1 x 7. O Brasil tem de voltar a jogar no Mineirão, é evidente. O retorno só não precisava ser contra a Argentina.

O quadro se agrava ao notarmos que os destinos da Seleção Brasileira, quando não têm caráter puramente comercial, são decididos com base em favores políticos. Um time a serviço das plataformas pessoais dos cartolas da vez. No caso em questão, além de não examinarem o que faria bem à Seleção Brasileira, também ignoraram o que poderia ser mais um adversário para a Argentina: o Maracanã, onde a Copa do Mundo terminou em frustração. O Brasil não atua ali desde a final da Copa das Confederações, em junho de 2013.

IMPRESSÕES

Após dez rodadas, o Palmeiras é quem tem mais jogo, mais opções e mais recursos para ser vários times em um. Embora o Campeonato Brasileiro seja longo e arriscado, equipes assim normalmente terminam bem.

CONCEITOS

Interessante a “tese” de que Neymar precisa sair do Barcelona para ser “o melhor do mundo”. De onde se originam essas verdades? Num ambiente em que as individualidades exageradas comprometem os objetivos esportivos, a busca por um prêmio como ideal de carreira só pode garantir frustração. Algo está errado quando o troféu oferecido pela Fifa vira um fetiche. E se este é mesmo o sonho máximo de Neymar, ele certamente sabe que não depende apenas dele.

GUARDIÕES

Para cada ameaça de protagonismo do futebol defensivo, em qualquer parte do mundo, jogadores como Banega, Iniesta e Modric tranquilizam quem se preocupa com os caminhos do jogo.



  • Pedro Valadares

    Toda nova politicagem que surge da CBF, me preocupa mais o destino do Tite =/

  • Anna Barros

    É um absurdo a seleção brasileira não jogar no Maracanã. De novo!!! Lamentável!!

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