No LANCE! de hoje 



CHEFE

Você deve ter visto o gol de Messi, de falta, contra os Estados Unidos. No canto do goleiro, com a bola passando na frente do goleiro, rumo ao ângulo esquerdo. Se olhar com atenção, notará que a bola, de fato, passou por cima de Guzan (que, sim, cometeu o equívoco do pulinho para o lado errado): ela vinha em uma trajetória mais alta do que o travessão, e só caiu no último palmo antes de entrar. Especialistas em planejamento de voo não seriam tão precisos.

Não há como garantir que a Argentina conquistará a Copa América do centenário e encerrará a seca de troféus que dura desde 1993. Aliás, isso só importa aos argentinos e aos adversários da decisão (esta coluna foi escrita antes de Chile x Colômbia). O que interessa a muito mais gente é o que se passa com a seleção de Messi, um time que tem exibido o tipo de futebol que agrada e assusta. Desde que o melhor jogador do mundo veste a camisa de seu país, nunca vimos a Argentina desse jeito.

Os americanos apresentaram um caso de submissão futebolística. Foram cruelmente sufocados tanto pela marcação (nenhuma finalização) que não lhes permitiu raciocinar quanto pela posse (68%) que não lhes deu descanso. E a cada toque de Messi na bola, a desorganização e o medo foram notáveis no time dirigido por Klinsmann. Enquanto versões anteriores da seleção argentina pareciam times à espera de Messi, a atual se associa ao redor dele. Pela primeira vez, o 10 está inserido em uma ideia coletiva. Como astro, é claro, mas parte de um sistema.

Ao contrário da seleção que alcançou a final da Copa de 2014, a Argentina atual se organiza com a bola nos pés e se impõe tecnicamente. E é fascinante perceber que, justamente no momento em que a equipe mostra um funcionamento coletivo à altura de seu principal jogador, Messi assume o papel de protagonista, comportando-se – em jogo – como “chefe”. Faltam dois anos para a Rússia.

CÓDIGO DEL NERO

O “código de ética” da CBF permite que a entidade seja presidida por um dirigente indiciado pelo FBI. Também permite que a confederação pague salários para políticos defenderem seus interesses em Brasília. Mas não permite que um treinador tenha um parente em sua comissão técnica. Pretende-se que o código seja aplicado a federações e clubes. É sério.

VAI ESQUENTAR?

A Euro 2016 tem a “chave da morte”, com todos os campeões do mundo posicionados do mesmo lado. Se o caminho para a final está aberto para seleções que talvez não pudessem sonhar com ela, o encontro das camisas mais pesadas deve produzir futebol de melhor nível a partir das oitavas de final. Até agora, o torneio realizado na França não teve grandes jogos. 

(publicada em 23/6/2016, no LANCE!)



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