Coluna Dominical



VELOCÍMETRO

Um artigo publicado na edição de anteontem do jornal espanhol El País ofereceu uma amostra do que estão fazendo, hoje, aqueles que têm uma visão cristalina do futebol do futuro. Não surpreende que sejam alemães. O uso de programas de computador que, desde 2011, revelam padrões de movimentação de jogadores evoluiu para análises personalizadas que podem ser apresentadas quase em tempo real. Neste campo, o futebol ainda está atrás da NBA e da NFL.

A seleção alemã tem trabalhado para diminuir a distância, ao investigar os benefícios de ferramentas de informática que permitem obter dados sobre tendências ofensivas e defensivas de rivais. Como marcam, de que forma pressionam a bola, quais são os jogadores importantes na saída para o ataque. A equipe de analistas a serviço do técnico Joachim Low prepara vídeos que são exibidos no vestiário, durante o intervalo de jogos, para solucionar problemas.

Na Copa do Mundo de 2014, o zagueiro Boateng solicitou uma análise dos movimentos de Cristiano Ronaldo para o jogo em que os alemães derrotaram Portugal por 4 x 0, na Fonte Nova, em Salvador. Os programas são capazes de produzir pequenos informes com objetivos de desempenho individual, que podem ser enviados para os telefones celulares de jogadores. Goleiros, por exemplo, recebem pesquisas sobre características de cobranças de pênaltis de futuros oponentes.

A revelação mais interessante na peça do El País diz respeito ao aspecto que determina a vanguarda do futebol: a velocidade de circulação da bola. Influenciado por sua inspiração no jogo da seleção espanhola e do Barcelona, Low se propôs a diminuir drasticamente o tempo de posse de cada jogador. A seleção alemã conseguiu reduzir esse índice de 3,4 para 1,1 segundo, em média. A ideia é negar a bola ao rival, mas por intermédio de associações cada vez mais rápidas.

O instrumento que colabora para essa evolução é um aplicativo – também utilizado pelo Borussia Dortmund e pelo Bayer Leverkusen (óbvio, não?) – que mede a frequência e a eficiência da circulação da bola, com o objetivo fundamental de determinar a quantidade de jogadores adversários superados a cada passe completo. Estamos diante da criação do conceito que marca uma era: o passe que elimina defensores. Kroos, Xhaka, Iniesta e Modric lideram o esporte nesta estatística.

Uma boa notícia no âmbito doméstico: com menos investimento e suporte tecnológico, o futebol brasileiro avança pelo trabalho de comissões técnicas atualizadas com o pensamento moderno. A do Grêmio é um exemplo. A ideia de jogo de Roger Machado prioriza um indicador de desempenho chamado “velocidade de retenção de bola” (VEL), o mesmo índice que preocupava Joachim Low. Desde o ano passado, o time gaúcho baixou o tempo médio de posse por jogador de 2,91 para 2,78 segundos. O Corinthians, com 2,81s, registrou a menor média do BR-15.

Ao explorar métodos de aplicação de análise de dados, a Alemanha pretende se manter no topo do futebol de seleções. O processo se iniciou na derrota para a Espanha, na final da Euro 2008. O que se viu na Copa de 2014 foi o produto final – posse, passe, compactação, velocidade de associação – que já tem uma nova versão. Os alemães querem ser melhores em seu próprio modo de jogar, elevando a barra para quem tem a ambição de superá-los.

IMPRESSIONANTE

Walter Feldman, funcionário do Marco Polo que não viaja, declarou que Tite “ficou impressionado” em sua visita à CBF, na última terça-feira. Faz total sentido. Alexandre Silveira, carrega-malas de Ricardo Teixeira que manda motoristas atropelarem jornalistas, foi quem buscou o técnico no aeroporto. Na sequência, Tite chegou ao prédio batizado com o nome de um cartola corrupto que está preso nos Estados Unidos. Ao sair do elevador, encontrou-se com outro cartola, este indiciado pelo FBI, que não sai do país por medo de ser detido. É certamente impressionante.

(publicada em 18/6/2016, no LANCE!)



  • Sergio

    Hahaha, perfeito. Podemos finalmente concordar com o secretário-menor em alguma coisa.

  • André Kfouri

    A deficiência é de conhecimento, acima de tudo.
    Um abraço.

  • Carlos Fernandes

    André, a tendência é esse tipo de informação ficar cada vez mais essencial para os times. A partir de Julho já será possivel que jogadores usem dispositivos eletrônicos de rastreamento durante os jogos, o que vai aumentar enormemente a quantidade de informação e a precisão delas, tornando-as ainda mais valiosas.

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