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Então foi o presidente do Corinthians quem deu a boa notícia que a CBF pretendia divulgar. A chegada de Tite à Seleção Brasileira foi confirmada pelo dirigente que o perdeu, no exato momento em que o site oficial da confederação comunicava que Rogério Micale será o técnico da seleção olímpica nos Jogos do Rio. Bizarro.

Roberto de Andrade poderia ter utilizado outros termos, mas está correto em sua indignação sobre o Corinthians não ter sido comunicado do convite a Tite. Se é que as coisas aconteceram assim, claro. É possível que o Marco Polo que não viaja pense que não tem de perguntar nada a um presidente de clube, da mesma forma que Andrade se manifestou – “a comissão técnica não precisa dar aval” – sobre a reunião com torcedores profissionais que irritou o técnico. Como dizem, o futebol é dinâmico.

De fato, a CBF insiste que ligações foram feitas e mensagens enviadas ao telefone do dirigente corintiano, o que sugere que alguém falta com a verdade. A irritação de Andrade pode ter sido genuína, ou uma estratégia para congregar o torcedor em um momento complicado para o clube. Ou, ainda, uma sinalização da simpatia do Corinthians ao movimento de associação de clubes que deu origem à Primeira Liga, que não tem apoio em São Paulo. Pode ser tudo isso, ou nada disso.

Acreditar em cartolas é um exercício arriscado, quase sempre uma garantia de frustração. Mas enquanto se aguarda uma manifestação de Tite sobre aceitar trabalhar com Del Nero, cuja renúncia ele pediu em dezembro do ano passado, um outro exercício – de otimismo – pode ser feito: ao sair do Corinthians para a Seleção, Tite talvez represente um papel na necessidade urgente de avanço no futebol no país. Seria utópico?

A Seleção Brasileira agora tem um técnico com trajetória, currículo e comprovada capacidade de trabalho. Pode ter também um agente de mudanças, naquilo que faz em seu campo e no que precipitou nas relações entre seu ex-clube e a CBF.

EM TESE

Desconsiderando impedimentos contratuais e falando no plano teórico, a transição mais suave para o Corinthians seria Roger Machado, técnico do Grêmio. Método semelhante. Fernando Diniz e Silvinho, hoje auxiliar na Inter de Milão, são opções pelo novo, que merecem análise. Assim como uma segunda oportunidade para Eduardo Baptista em um clube grande.

NA PRÁTICA

O técnico da seleção olímpica tem de ser… o técnico da seleção olímpica. Qualquer escolha diferente seria um contrassenso. Micale é o autor do trabalho e deve conduzi-lo até o momento principal, independentemente da supervalorização da narrativa do “título que falta”. É um treinador de boas ideias, que merece a oportunidade de mostrá-las na Olimpíada.

(publicada em 16/6/2016, no LANCE!)



  • Duilio De Assis

    Como se o Gremio fosse apenas uma inconveniência.

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