Dois anos atrás



Menos de dez dias depois da final da Copa do Mundo de 2014, a CBF reconduziu Dunga ao comando da Seleção Brasileira.

Técnicos ao redor do mundo estavam disponíveis ou acessíveis a um plano de quatro anos, em um projeto para recuperar o time humilhado na semifinal do Mundial em casa. Quem estaria interessado? Quem seria capaz de recusar?

As pessoas que comandavam a confederação à época não se deram ao trabalho de descobrir. Uma delas, José Maria Marin, está em prisão domiciliar em Nova York. A outra, Marco Polo Del Nero, tornou-se um presidente recordista em eliminações na Copa América sem estar presente.

Eles escolheram Dunga, um técnico inventado por Ricardo Teixeira no final de 2006, que não deveria ter assumido a Seleção sem ao menos um esboço de trabalho que o credenciasse. Um técnico que, por motivos semelhantes, não poderia ter sido chamado de volta.

Há uma grande inverdade frequentemente repetida a respeito do primeiro período de Dunga como técnico do Brasil: a de que foi uma época de bom futebol, encerrada por um mau segundo tempo contra a Holanda, na Copa de 2010.

Foi uma época de bons resultados até o torneio na África do Sul, assim como havia sido o trabalho de Carlos Alberto Parreira no ciclo anterior. Quanto a jogo, Dunga montou uma equipe competitiva, que praticava futebol de contragolpe no momento em que a vanguarda do esporte caminhava para a elaboração. Ou seja, nem moderno era.

O fatídico segundo tempo contra os holandeses, em Port Elizabeth, foi um colapso de jogo e postura. Guardadas as devidas distâncias, o segundo tempo contra o Paraguai, na Copa América do Chile, também foi marcado por uma queda de desempenho. Assim como aconteceu no jogo contra o Peru, ontem em Boston, após quarenta e cinco minutos iniciais de bom nível.

Vitórias em amistosos levaram cartolas ao desatino de declarar que o prestígio da Seleção Brasileira estava recuperado. Em jogos de competição, o Brasil de Dunga não ganha de ninguém. Está em sexto lugar nas Eliminatórias Sul-Americanas, sem perspectiva de um padrão coletivo.

O mais grave é a sensação de “ruim com, pior sem”, pois estamos no meio do caminho entre o Brasil e a Rússia, e um recomeço a essa altura diminuiria a possibilidade da formação de uma equipe. Tite, o melhor treinador brasileiro, negou um convite recente. Talvez o melhor técnico disponível com experiência em seleção seja Jorge Sampaoli (em vias de assinar contrato com o Sevilla), mas, com pouco tempo para implantar seus métodos, como culpá-lo por dizer “no, gracias”?

A ocasião apropriada para um processo criterioso de escolha, com avaliação de candidatos, contatos, conversas e elaboração de um cronograma até a Copa de 2018, infelizmente, passou. Marin e Del Nero conceberam Dunga e sua visão rasa de futebol.

O resultado está aí: a encruzilhada após mais uma campanha da qual não sobrou nada, e a decisão nas mãos das mesmas pessoas, responsáveis pela penúria da Seleção Brasileira.

Há algumas semanas, Dunga esteve no Bem Amigos e disse “não quero ter razão, só quero ganhar”. Tente relacionar esse “conceito” à participação do Brasil na Copa América do centenário, em que só conseguiu fazer gols no Haiti.



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