No LANCE! de hoje



OUTRA COISA

“A Copa América é outra coisa”, disse o técnico uruguaio Oscar Tabárez, no mês passado. Ele se referia às diferenças entre o torneio do qual se acostumou a participar e a competição que acontece neste ano, nos Estados Unidos. As longas viagens por um país imenso e o calor nesta época do ano transformam a rotina do evento centenário, tomando-lhe as características tradicionais.

A primeira Copa América fora da América do Sul também é “outra coisa” por causa do formato com dezesseis times, entre eles o Haiti, que não tem nível futebolístico para fazer qualquer papel que não seja o de perdedor designado. Independentemente das declarações respeitosas dos adversários – não há motivo ou desculpa para outra postura – a vitória sobre os haitianos já era um fato desde a montagem dos grupos.

Para a Seleção Brasileira, um treino camuflado de jogo. Colher de chá da organização, por proporcionar uma rodada com nível mínimo de estresse e garantia de boas sensações. Uma benção para um time que precisa de minutos. A colossal distância técnica entre os jogadores de cada lado prejudica, apenas, a análise do desempenho do Brasil. Ou um ou outro jogador que, aos olhos de uma comissão técnica tão obcecada pelo esforço, não tenha tratado o encontro com a devoção esperada.

Dunga fez bem em escalar a mesma formação que empatou com o Equador, e o time se colocou em seu lugar obrigatório de vencedor com folga. Menos do que isso seria motivo para constrangimento, embora o gol de Marcelin seja o tipo de evento que, por dias, provocará uma lembrança desagradável especialmente aos jogadores da defesa. Como o barulho de um parachoque amassado pela coluna do estacionamento que você só viu após o estrago. Um dia passa.

No domingo, ao menos no que diz respeito ao oponente, a Copa América voltará a ser o que sempre foi. Vejamos que Brasil se apresentará diante do Peru.

POR ENQUANTO

Em termos coletivos, o México jogou o melhor futebol deste início de Copa América. Rafa Márquez, aos 37 anos, ordena o time de Juan Carlos Osorio. A Argentina atuou essencialmente no contra-ataque na estreia, sem Messi, contra o Chile. A conexão Banega-Di María não perdoou os erros na saída de bola dos atuais campeões. O torneio ainda não esquentou.

FECHADO

No país das “conversas culturais” entre torcedores profissionais e jogadores de futebol, as explicações estão sempre prontas e as tragédias pouco importam. O estádio mais extravagante da Copa do Mundo de 2014 está interditado por causa dos bandidos uniformizados. Já não havia futebol no DF para justificar o Mané Garrincha, agora não pode haver futebol lá.

(publicada em 9/6/2016, no LANCE!)



  • Silva

    Caro André,
    Interditar o Estádio por causa de brigas de vândalos é na verdade colocar a culpa na vítima. Medidas contras aqueles membros de torcidas organizadas, muito deles identificáveis por imagens, não são tomadas. Executivo, Ministério Público, Legislativo, Judiciário e a Sociedade. Resultado, nós vamos continuar reféns desses elementos extremamente nocivos a sociedade.

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