No LANCE! de hoje



O BANQUETE DO CENTENÁRIO

Imagine o que passou pela cabeça de um torcedor do Barcelona, na semana passada, ao ver Lionel Messi se machucar durante um amistoso entre Argentina e Honduras. Os mais atentos devem ter se lembrado da lesão de Neymar na Copa de 2014, tais as semelhanças entre os choques – joelhada nas costas – e as reações de ambos. Agora imagine se este torcedor do Barcelona for o presidente do clube que lhe remunera com fortunas anuais. Ou o técnico, que conta com o melhor jogador do mundo para vencer todos os jogos.

Messi não estava a serviço da seleção de seu país em um encontro relevante do ponto de vista esportivo, ou mesmo em um desses amistosos com cachês milionários que enriquecem tanta gente esperta. A Argentina fazia um aquecimento para a festa de aniversário do que provavelmente é a entidade mais corrupta do mundo do futebol. Para a surpresa de ninguém, a Conmebol se revelou um clube de cobradores de propina desde que discretos policiais suíços abordaram a recepção de um cinco estrelas em Zurique, há pouco mais de um ano. A Copa América fora de época que começou ontem celebra um século de tradições.

Se funciona como alívio, os barcelonistas podem tampar as orelhas e repetir mil vezes que o time está em férias, assim como os demais europeus. O mês de junho passa a ser um período de orações diárias para que ninguém se machuque nos Estados Unidos ou na França, durante a Euro 2016, que pelo menos está em sua vaga no calendário. Já os torcedores de clubes brasileiros, em diferentes níveis de agonia, não têm esse consolo: a CBF tratou de depenar times em nome da festa da Conmebol, como se o Campeonato Brasileiro fosse um torneio inconveniente feito para agradar patrocinadores e amigos em posições importantes.

Pense no Santos. Enquanto times como Grêmio, São Paulo e Corinthians lamentam a cessão de jogadores para os quais não possuem substitutos – e o Palmeiras festeja a burocracia que manteve Gabriel Jesus no Brasil -, o Santos foi cruelmente desossado pela convocação da Seleção Brasileira. Não se trata apenas do número de jogadores relacionados, mas do que Ricardo Oliveira (cortado por lesão), Lucas Lima e Gabriel representam na estrutura do time montado na temporada passada, candidato teórico às primeiras posições do BR-16. Um trabalho desfeito pela lista de Dunga, condenando o Santos a lutar na metade de baixo da classificação.

Ao final do ano, a perda de nomes fundamentais será uma anotação de pé de página na avaliação do trabalho de Dorival Júnior, obrigado a desenvolver jogadores “durante o voo” em uma competição desequilibrada pela entidade que a organiza. Será frequente o exercício de verificação da utilização esporádica de atletas que seriam úteis em seus clubes, masoquismo imposto pela CBF ao estimular o conflito entre a Seleção e o campeonato mais importante do país, com o aval de dirigentes como Modesto Roma Júnior, presidente do Santos. Todos aclamaram o Marco Polo que não viaja, que infelizmente não poderá degustar o banquete do centenário.

UM TIME

O Brasil não precisa ganhar a Copa América. O discurso da exigência de vitória é apenas uma justificativa para o modo de (não) jogar preferido. Se, ao final do torneio, tivermos visto um time, a participação da Seleção Brasileira terá sido positiva.

UMA CHANCE

A Argentina tem uma grande chance para encerrar a estiagem de títulos e levantar o primeiro troféu desde 1993. Higuaín está maduro, Messi está presente e Banega é o meia que pode ativá-lo. Nenhuma outra seleção reúne classe e necessidade como a de Gerardo Martino.

UM MEIA

Atenção com o Uruguai, que não sabe disputar nada sem dedicação total e possui os jogadores para adicionar essa Copa América à coleção do país. Mesmo com a ausência de Suárez no início. Olho em Matías Vecino, meia da Fiorentina, 24 anos. Ele tem jogo para conectar a abnegada defesa uruguaia aos homens de frente.

(publicada em 4/6/2016, no LANCE!)



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