No LANCE! de hoje



PASSANDO

Pode ser surpreendente que, na última temporada europeia, o Campeonato Italiano tenha visto mais passes do que as ligas da Espanha e da Inglaterra. A Premier League é imbatível em dinheiro e grife, enquanto o Campeonato Espanhol inegavelmente tem os times mais fortes. A Itália? Bem… a Itália é mais ou menos como aquele tio que vivia como rei e atualmente mal fala no Natal.

Mesmo assim, no que diz respeito ao fundamento básico do futebol, o Campeonato Italiano é fluente e articulado. E o time que lecionou a Serie A 2015-16 em todas as categorias ligadas ao passe foi o Napoli, vice-campeão. Média de 655,6 associações por jogo, com 85,8% de acerto. Os napolitanos lideraram a concorrência local em posse de bola, com 59,3% (quinto maior índice entre as cinco principais ligas da Europa, atrás apenas de Bayern, PSG, Barcelona e Borussia Dortmund, nesta ordem) e em passes curtos completos, evidência de futebol construído.

Quem gerencia o jogo do Napoli é Jorginho, futebolista dotado de todas as qualidades para se estabelecer em um dos papéis mais importantes que existem: o meiocampista que defende, organiza e distribui. Jorginho simplesmente comandou o futebol europeu em passes por jogo na última temporada: 102,6, com 90,9% de sucesso. Alonso, Kroos, Busquets, Motta… estão todos atrás dele. Releia os nomes e note em que tipo de companhia Jorginho se encontra.

A quantidade de passes importa menos do que sua natureza e efeito. Se tiveram a velocidade apropriada, se serviram aos objetivos de cada movimento, se dificultaram a ação dos defensores, se potencializaram as virtudes dos companheiros… esses são os critérios pelos quais os geradores de jogo devem ser avaliados. Sempre de acordo com as ideias de cada time, a forma como pretendem vencer. O Napoli se organiza para ocupar espaços por intermédio da circulação da bola, sob as ordens de seu camisa oito.

Jorginho, 24 anos, catarinense de Imbituba, joga na seleção da Itália.

O SILÊNCIO…

Eduardo Ferreira, diretor de futebol do Corinthians, esteve com a cara na janela nos últimos dias, por dizer que encontros em que “torcedores” organizados agem como patrões de jogadores de futebol são próprios de nossa cultura. A corrupção também é uma prática cultural no Brasil, e nem por isso devemos aceitá-la ou fingir que não notamos. Difícil…

… É DE OURO

É curioso que Ferreira não tenha sido igualmente questionado por uma declaração ainda mais grave. Foi ele quem garantiu, durante a pré-temporada nos Estados Unidos, que a saída de meio time não impediria que o Corinthians jogasse o mesmo futebol de 2015. Qual seria o efeito desse tipo de devaneio na “análise” de quem não enxerga nada e só sabe reclamar?

(publicada em 26/5/2016, no LANCE!)



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