No LANCE! de hoje



PUNIÇÃO REDUZIDA

Arbitragem de futebol não é um tema de grande interesse, por motivos óbvios. Pouca gente se importa com as leis do jogo, exceto quando seu time se envolve em situações polêmicas que acontecem em… quase todas as partidas. A compreensão das regras contribui para o entendimento do que se vê, embora a tendência a criminalizar árbitros exija menos trabalho. Enfim, trata-se de um tema importante e necessário, especialmente quando as leis sofrem alterações como as que foram feitas em março. Efeito imediato no Campeonato Brasileiro.

Além dos testes do árbitro de vídeo, medida revolucionária que minimizará o impacto de erros do trio de arbitragem em jogos e competições, a atualização da regra 12 é, com distância, a mais relevante. As situações em que ações faltosas de defensores impedem óbvias oportunidades de gol serão punidas com menor rigor, acabando com a chamada “punição tripla”. De acordo com a regra antiga, em vigor desde o início dos anos noventa: quando a falta acontecia dentro da área, o árbitro deveria marcar pênalti e expulsar o autor da infração, que ainda seria suspenso por pelo menos um jogo.

A novidade é a desativação do cartão vermelho. Se o árbitro entender que o jogador de defesa cometeu, sim, a falta, mas teve genuína intenção de atingir a bola, a punição – além do pênalti, claro – será um cartão amarelo. A ideia é evitar o exagero de expulsar jogadores por faltas não intencionais, colisões acidentais ou os frequentes casos em que pernas se entrelaçam enquanto o atacante e seu marcador estão olhando para a bola. No aspecto, digamos, moral, a mudança faz total sentido. Mas a nova prática aumentará a complexidade da decisão do árbitro, que, além de determinar se a falta aconteceu, terá de julgar se foi intencional.

A alteração na regra 12 clama pela chegada do árbitro de vídeo, que inicialmente revisará gols, expulsões com cartão vermelho direto e pênaltis. A análise eletrônica de faltas dentro da área – em ocorrências de clara oportunidade de gol ou não – ajudará a determinar se a marcação foi correta e se houve intenção, protegendo o jogo de erros decisivos. Enquanto as imagens não forem utlizadas, o árbitro estará à mercê da subjetividade em lances que se desenvolvem em velocidade superior à capacidade do olho humano, muitas vezes prejudicado pelo próprio posicionamento.

Há, ainda, uma pegadinha. O “benefício” do cartão amarelo só vale para jogadas dentro da área. Se uma chance evidente de gol for interrompida com falta fora da área, a regra segue determinando expulsão direta, pois neste caso não existe risco de punição tripla. É certo que os eventos dessa natureza continuarão a despertar debates exaltados, até mesmo com gritos de “último homem!”, figura que não existe na regra e, quando aparece “na mídia”, serve apenas para confundir e desinformar. De qualquer forma, o cartão vermelho compulsório em jogadas de gol dentro da área acabou, desde que a falta seja cometida em boa fé. Palpite: exceção feita a um clamoroso pontapé, o cartão amarelo será prevalente.

MARATONA

Ao fim da segunda rodada do Campenato Brasileiro, nenhum time ganhou dois jogos. Certezas foram colocadas em dúvida e dúvidas foram convertidas em preocupações. Mas a distância de quem somou mais para quem somou menos (excluindo o América-MG, zerado) equivale a uma vitória. Trata-se de uma maratona em que o pelotão de elite larga junto com os corredores de fim de semana.

“FRACASSO”

Pep Guardiola, em três anos no Bayern: três títulos do Campeonato Alemão, dois da Copa da Alemanha, um da Super Copa da Uefa e um do Mundial de Clubes da Fifa. Sem falar do que é tão importante quanto troféus, ou mais: o avanço do futebol, como jogo, por intermédio de seu trabalho em um clube como o gigante alemão. Um autêntico fracassado.

(publicada em 23/5/2016, no LANCE!)



  • Edouard

    Acho que seu palpite está correto, e essa é umas situações em que nenhuma das soluções (expulsar ou não expulsar) parece suficientemente justa, especialmente porque campeonatos como a “Brazilian League” (obrigado por isso) são absolutamente incapazes de manter um mesmo critério de arbitragem. O dúvida é sobre a filosofia de jogo: a falta faz, ou não, parte do jogo? O pênalti existe para desencorajar o uso da falta como recurso tático ou técnico nos lances capitais, e exige cautela do defensor. Agora, volta-se à situação em que o defensor se vê autorizado a não ser cauteloso, porque a sanção para a falta é menos pesada do que o resultado da jogada se a falta não for cometida. Talvez se a regra tivesse sido alterada em sentido oposto… Algo como informando que o cartão deve ser o amarelo, e não o vermelho, “se o árbitro considerar que o defensor claramente não teve a intenção de cometer a falta”.
    O que houve com o sistema de comentários?
    Um abraço.

    • André Kfouri

      Algumas alterações foram feitas no sistema, mas estamos por aqui como sempre. Um abraço.

  • André Kfouri

    Testes em breve. Aplicação até 2017-18. Um abraço.

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