Um ano sem perder?



O futebol às vezes premia técnicos com a sensação de interferência decisiva em um resultado. Acontece, de maneira mais clara e direta, quando um jogador que entra em campo em uma substituição faz um gol importante.

Jorginho levou a questão a outro patamar, ontem, no empate (melhores momentos, aqui) que classificou o Vasco na Copa do Brasil. Rafael Vaz, zagueiro, entrou no lugar de Thalles a dez minutos do final do jogo, quando o CRB vencia por 1 x 0 em São Januário.

A princípio, foi dificil compreender a mudança. Qual é o ponto de trocar um atacante por um defensor, quando o placar não interessa e o tempo está acabando?

O gol de empate ilustra o ponto. Rafael Vaz demonstrou qualidades como finalizador, ao concluir o cruzamento com um leve toque, quase dividindo com o goleiro.

As casualidades são responsáveis por boa parte do aspecto subjetivo do futebol. O gol do Vasco pode ter sido um caso de “compartilhamento de sorte”: a finalização não era bem o que ele pretendia fazer, a bola entrou e Jorginho sorriu por dentro.

Talvez.

Mas as informações das quais dispomos sugerem que os dotes ofensivos do zagueiro foram o motivo da substituição, e que a jogada do gol foi apenas a teoria se convertendo em prática.

E convém lembrar que Rafael Vaz fez gols contra o Flamengo e contra o Botafogo, na decisão do Estadual.

Convém lembrar, também, que Jorginho dirige o Vasco desde agosto do ano passado e obviamente conhece os jogadores com os quais trabalha, mesmo que jamais tenha treinado com Rafael Vaz como atacante (algo que só quem acompanha os treinos do Vasco com assiduidade sabe dizer).

Tudo realmente indica que, em um momento de dificuldade, ao final de uma atuação ruim, Jorginho imaginou que um jogador que estava no banco de reservas poderia ter impacto no resultado se recebesse a oportunidade. E foi exatamente assim que as coisas aconteceram, nos acréscimos.

Jorginho conduz o Vasco na maior sequência invicta da história do clube, 28 jogos. O que nos permite um pensamento ousado.

A melhor campanha do Campeonato Brasileiro da Série B, em pontos corridos, é a do Corinthians em 2008: apenas 3 derrotas em 38 jogos.

Três derrotas.

É inconcebível que o Vasco, um time de nível de Série A, atravesse a segunda divisão sem perder nenhum jogo?

Improvável, notável, inédito… sim.

Inconcebível? Não.

De fato, não é inconcebível que o Vasco termine o ano de 2016 sem perder nenhum jogo, mesmo que não tenha sucesso na Copa do Brasil. O regulamento permite que um time seja eliminado sem ser derrotado (assim como permite ser  campeão com derrotas, obviamente).

Para que algo assim aconteça, Jorginho vai precisar de doses de sorte muito maiores do que a que talvez esteja envolvida no gol de zagueiro que ele arquitetou ontem.

Mas pode ser feito. E só pelo Vasco.



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