No LANCE! de hoje



TANQUE: 3/4

O jogo mais importante no futebol brasileiro em 2016 começou a ser disputado ontem, no Mineirão, quando Diego Aguirre escolheu a formação com a qual o Atlético Mineiro iniciaria o encontro com o América. Ao repetir, na partida de volta da final do campeonato estadual, sete jogadores que atuaram contra o Racing, Aguirre fez uma aposta ousada: a de que eles serão capazes de disputar três jogos em sete dias com a mesma intensidade física.

O risco aumentou no final do primeiro tempo, quando o zagueiro Tiago levou o segundo cartão amarelo e foi expulso, obrigando o Atlético a encarar a decisão em desvantagem numérica até os 36 minutos da segunda metade, quando o América também perdeu um jogador. O acréscimo de esforço em um jogo de importância relativa pode cobrar um preço alto depois de amanhã, quando o time de Aguirre visitará o Morumbi na ida das quartas de final da Copa Libertadores. O São Paulo trabalha pensando neste jogo desde a última quinta-feira, ao retornar do México.

A análise resultadista que prevalece no futebol brasileiro já condenou a aposta feita pelo técnico do Atlético, mas pelo motivo errado. O fato de ter perdido o título mineiro em uma partida na qual não utilizou sua melhor escalação possível é razão para críticas. A valorização exagerada do campeonato estadual inverte a noção de prioridade: em vez de ser contestado por escalar a maioria de seus titulares em um jogo que não se compara em relevância ao encontro com o São Paulo, Aguirre sofre por não ter mandado todos a campo. Mas apenas porque perdeu.

Apesar da experiência e do conhecimento do ambiente do futebol no Brasil, a relativização da Copa Libertadores deve ser chocante para um técnico uruguaio. Situações como a presente provavelmente são ainda mais incômodas para Aguirre, um treinador adepto da utilização consciente de jogadores – por aqui apelidada de “rodízio” – em nome da manutenção do desempenho do time. No futebol atual, o caráter determinante do aspecto físico é indiscutível, razão pela qual o torcedor do Atlético deveria estar contrariado pelo número de titulares que jogaram ontem, não pelo número de titulares que ficaram no banco.

O pedido que será feito a esses jogadores não é simples: enfrentar o São Paulo com a mesma entrega física dos jogos contra o Racing e o América, levando em conta que o adversário de quarta-feira terá uma semana de descanso. Não é um objetivo inatingível, mas técnicos e preparadores físicos são praticamente unânimes ao dizer que jogar mais de uma vez por semana compromete a capacidade de uma equipe ser competitiva em seu máximo nível. Frases como “o futebol é quarta e domingo” deveriam ter ficado no passado ao qual pertencem, assim como aqueles que insistem em repeti-las.

Diego Aguirre será julgado de forma ainda mais severa caso o Atlético Mineiro não passe pelo São Paulo. A conta não é só dele. O dirigente incapaz de se desapegar do campeonato estadual ainda é o modelo no país, apesar de certos discursos que se renovam a cada início de temporada. Na hora da decisão, falta coragem. Quem ouve é o técnico.

BICAMPEÃO EM SÃO PAULO

Santos e Audax fizeram mais um jogo interessante, dos poucos em que se pode notar um confronto de estilos no futebol brasileiro. Novamente, o Santos alterou sua maneira de atuar para ter melhores chances de derrotar um adversário que procura das as cartas em qualquer lugar. Prevaleceu a ideia de Dorival Júnior de trocar posse por espaço, e o contra-ataque com Ricardo Oliveira decidiu. O Santos é bicampeão com méritos, e o Audax é o time do campeonato.

BICAMPEÃO NO RIO

O Vasco de Jorginho é um time organizado, sólido e que se conhece bem. Neste sentido, é mais consciente do que pode – e do que não deve – fazer em relação à equipe da temporada passada, que venceu o estadual e foi rebaixada. A tese do “time de Série A disputando a Série B” precisa virar prática para encerrar 2016 devolvendo o Vasco à primeira divisão, verdadeiro objetivo do ano.

(publicada em 9/5/2016, no LANCE!)



  • Anna Barros

    Vasco vai voltar, se Deus quiser. E da série A, não sairá mais! Abs, Anna.

  • Eu esperava bem menos do Botafogo. Fez um campeonato decente.

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