Restam dois (e por pouco tempo)



Algumas linhas sobre a semana dos times brasileiros na Copa Libertadores, começando por quem ficou pelo caminho:

GRÊMIO

Levando em conta o final da temporada passada, a manutenção do elenco/comissão técnica e o interessante trabalho de Roger Machado, o Grêmio aparecia como candidato a uma longa campanha no torneio. A eliminação para o Rosario Central indica que as impressões estavam erradas? Claro que não. 

Não existem garantias no futebol. E se existissem, elas seriam ainda mais frágeis em uma competição como a Libertadores. Na análise fria, talvez mais difícil para a maior parte da torcida, embora o Grêmio não tenha feito os melhores jogos nas oitavas de final, perdeu para uma equipe superior. Mais do que isso: perdeu para um sério pretendente ao título.

Em termos de jogo, ainda que essa leitura se torne complicada por causa dos adversários diferentes, o Central e o Atlético Nacional são os melhores times do torneio. Quis o destino que se encontrassem nas quartas de final. 

Quanto ao Grêmio, é nas horas difíceis que convicções são mais importantes. 

CORINTHIANS

O futebol é tão complexo que, mesmo merecendo ser desclassificado em casa, o Corinthians teve o gol da vaga no pé direito de Romero aos 49 minutos do segundo tempo. É uma certeza que a análise resultadista prevalente seria completamente oposta se a bola entrasse: ênfase no resultado dramático, na vitória “típica”, nas lágrimas de suor. Haveria até quem, com menos escrúpulos e vergonha, mencionasse a “mística de Itaquera”. Não duvide. 

A atuação ruim seria jogada para baixo do gramado molhado do estádio, como se isso fosse um problema. 

Críticas distantes dos mecanismos do futebol decidiram que Tite “já teve tempo suficiente” (nem 5 meses)  para formar um time melhor, que o técnico “não sabe disputar mata-mata” (campeão da Libertadores, invicto), que “há um trauma” por causa das eliminações na Arena (seria uma maldição?). Por favor…

O que houve de pior no segundo jogo diante do Nacional foi que o dono da casa foi controlado pelo visitante no aspecto mental, um claro sinal de imaturidade (cinco meses…) que diz muito a respeito da maneira conservadora como o Corinthians atuou em Montevidéu. O resto são conjecturas. 

Ou se acredita em trabalho, ou na cultura do resultado e da insatisfação permanente. 

ATLÉTICO MINEIRO

A vitória do Atlético Mineiro sobre o Racing é um contraponto apropriado em relação ao Corinthians. Elenco reforçado desde o ano passado, transição para o modo de jogar de um novo técnico. Não falta confiança no próprio jogo para superar um adversário difícil, mesmo sofrendo um gol qualificado em casa. 

É a segurança que se tem em relação à capacidade do time que faz com que o ambiente do Independência seja utilizado positivamente. Ademais, o Atlético tem fartura de líderança técnica e de postura em campo na figura de Pratto. Mesmo perdendo um pênalti…

Há um aspecto fundamental no encontro com o São Paulo: a intensidade física, fator tão decisivo quanto qualquer outro no futebol de hoje. O foco exagerado no campeonato estadual pode gerar um desgaste desnecessário no fim de semana e um preço cobrado no jogo de ida, no Morumbi.

Parece um equívoco imaginar que os mesmos jogadores serão capazes de fazer três partidas em uma semana, no mesmo nível físico. 

SÃO PAULO

Como se escreveu aqui, o primeiro jogo contra o Toluca foi a melhor exibição do São Paulo em muitos anos. Escolha qualquer critério de avaliação de uma atuação e a nota dos 4 x 0 será alta. Mas há algumas questões relacionadas àquela noite. 

A fragilidade do time mexicano, desfalcado, é uma delas. A sequência na qual a partida está inserida, outra. 

Boa vitória sobre o River Plate, derrota por goleada para o Audax, empate na altitude com o The Strongest, recital contra o Toluca, derrota no México. 

A irregularidade é clara. O que leva à questão principal: o último jogo do São Paulo no Morumbi foi um evento anômalo ou o encontro de um time com seu potencial?

O confronto com o Atlético nos ajudará a encontrar a resposta. 

Independentemente de qual seja, o momento ressalta a importância da sobriedade para julgar o trabalho de um técnico. Falou-se em “decisão” para Edgardo Bauza na viagem a La Paz. O São Paulo voltou classificado e aí está. 

Cinco meses…



  • Francisco Alves de Sousa

    Acho que a mudança que a conmebol propõe para um formato parecido com a champions, provocará uma mudança importante na disputa. Será preciso, tão logo confirme a mudança, uma reflexão. Times como o do Tite serão beneficiados, pois na segunda fase da disputa, o time estará muito mais rodado e próximo do ideal. A ver.

  • RENATO77

    Perfeitas colocações sobre o SCCP diante de tantas bobagens que foram ditas a respeito das desclassificações.
    Abraço.

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