No LANCE! de hoje



IMATURO

1 – Quando a fumaça dos inúteis sinalizadores se dissipou em Itaquera, o Nacional vencia por 1 x 0. O lance foi se desenrolando como aquela notícia ruim que você recebe por partes: bola alta na área, Fagner foi superado por cima, Fernández surgiu na cara de Cássio e Nico López tocou para a rede.

2 – Cinco minutos e uma questão: antes sofrer um gol qualificado no início do que no final do jogo, mas a vitória parcial do Nacional significava o cenário ideal para um time uruguaio fora de casa. Como o Corinthians reagiria?

3 – A dúvida tardou até os quinze. Giovanni Augusto teve clareza para iniciar a tabela com Fagner, e Lucca estava no final do passe que André não conseguiu dominar na área. O Corinthians voltava a depender de um gol, mas o 1 x 1 era dos uruguaios, que marcavam alto e corriam muito.

4 – O gol teve um evidente efeito tranquilizador, mas dominar a bola no gramado úmido era tarefa para poucos. Marcação próxima, conforto mínimo. O Corinthians tentava jogar, o Nacional competia. Competir é bem mais fácil.

5 – Por pouco não saiu o segundo gol do Nacional, na velha armadilha da simulação de contusão. Grave erro de desatenção do Corinthians.

6 – As boas intenções dos jogadores uruguaios ficaram evidentes no túnel da Arena, na saída para o intervalo. Duas tentativas de iniciar um tumulto.

7 – Drama em Itaquera aos 11 minutos do segundo tempo, produto de uma bola perdida na defesa. Categoria de Romero para marcar o segundo gol do Nacional.

8 – Sem espaço, faltou jogo, mas não faltaram ocasiões pela frequência de lances pelo alto. Noite de gala do goleiro Conde, que ainda pegou um pênalti pessimamente cobrado por André, aos 38.

9 – Mas não pegou a cobrança de Marquinhos Gabriel, aos 48, o que apenas aumentou o tamanho da falha de André.

10 – Um Corinthians imaturo não sobreviveu aos próprios erros defensivos. Cada etapa na formação de um time tem seu preço.

FICÇÃO

É preciso viver muito distante da realidade do futebol para qualificar o período de Pep Guardiola no Bayern como um “fracasso”. O jogo simplesmente não aceita uma tolice dessa magnitude. O título europeu é um objetivo não atingido, fato. Imaginar que o Bayern contratou Guardiola apenas para isso é subestimar a gestão de um dos maiores clubes do mundo.

REALIDADE

A final espanhola da Liga dos Campeões da Uefa, segundo encontro dos rivais de Madri nas últimas três temporadas, é animadora para o Atlético. Simeone aperfeiçoou seu time, um expoente do futebol defensivo, enquanto o Real Madrid não é uma equipe organizada sob o comando de Zidane. É clássico, jogo único, e o Atlético ainda sente a amargura de Lisboa.

(publicada em 5/5/2016, no LANCE!)



  • RENATO77

    Gostei da analise. Mas é necessário criticar a mesmice de Tite.Tratar o futebol como uma ciência exata, jogadores predeterminados nas suas funções predeterminadas. Se sai Fagner entra Edilson…e assim por diante. Seja lá qual for a circunstania. Fora isso, exclui-se o fator emocional. Parece que Tite faz questão de tratar da tal meritocracia, como numa empresa…Acho que o futebol é mais complexo que isso. Instinto vale. E muito. Intuição. Deixar André bater o penalti “porque treinou bem”…é prova de que Tite despreza esse aspecto. Inclusive porque o cara ainda é muito questionado pela torcida e a própria imprensa…talvez o SCCP não tenha perdido a classificação naquele penalti, mas um jogador que poderia ser importante num futuro próximo. Arrisco dizer que sua passagem pelo clube tenha acabado ontem. Aquele penalti, naquele momento e naquele jogo…era pra Elias…ou Danilo.
    Enfim, o time uruguaio, mais limitado, veio na casa do adversário e JOGOU MAIS do que o SCCP fez no jogo de ida. É duro ver o treinador mais festejado do país propor uma postura como aquela.
    Ainda vai levar um tempo…
    O CB, por pontos corridos, permite esse tipo de comportamento…mas classificar pra CLA de 2017 pra repetir essa postura?
    Abraço.

  • Anna Barros

    Guardiola é o melhor técnico do mundo mas fracassou no Bayern. Não conseguiu levar o time à uma final de champions. Acontece. Mas seu estilo revolucionário é o que há de mais bonito no futebol. Abs, Anna.

MaisRecentes

Coleta



Continue Lendo

Invasões bárbaras



Continue Lendo

Flamengo 1 x 1 Independiente



Continue Lendo