COLUNA DOMINICAL



BOLA DIVIDIDA

No dia dez de abril, Santos e Audax jogaram na Vila Belmiro, na última rodada da fase de classificação do Campeonato Paulista. Quem não tinha um motivo especial para acompanhar um dos times em campo provavelmente não se lembra nem dos autores dos gols da vitória santista por 2 x 1. Quem viu o jogo talvez se recorde de que o Santos atuou sem sete titulares, o que não o impediu de manter a invencibilidade de seis anos em seu estádio, em jogos válidos pelo torneio estadual.

Não foi um encontro importante do ponto de vista competitivo. Ambos os times já estavam classificados para a fase seguinte. Fernando Diniz levou seu modelo de jogo a um dos ambientes mais desafiadores do futebol brasileiro, enquanto Dorival Júnior aproveitou a oportunidade para alterar a configuração de seu time de uma forma que só os mais atentos notaram. No segundo tempo, com o placar empatado, Dorival substituiu o zagueiro Luiz Felipe pelo meiocampista Ronaldo Mendes. Rafael Longuine, um meia, foi jogar na zaga ao lado de David Braz. Léo Cittadini e Serginho passaram a atuar como volantes, com Lucas Lima (meio), Ronaldo Mendes (direita) e Joel (esquerda) na linha de três antes de Ricardo Oliveira. A formação com jogadores capazes de realizar funções diferentes produziu o gol da vitória, de Mendes, aos quarenta e três minutos do segundo tempo.

O relatório pós-jogo dos assistentes da comissão técnica do Santos contém números muito interessantes no que se refere ao trato da bola. O jogo teve 1155 passes, 601 do Audax e 554 do Santos. O aproveitamento de passes certos ficou em 90% para o time de Dorival e 88% para a equipe de Diniz, que teve mais posse na Vila do que os donos da casa: a bola ficou com os jogadores do Audax por 53% do tempo. O gráfico de passes trocados mostra leve superioridade do Santos na articulação no campo de ataque, região em que os jogadores santistas mantiveram a bola por um total de quatorze minutos, contra treze do Audax. O Santos também foi melhor na média de passes trocados por minuto, com dezessete, uma estatística associada à velocidade da bola, índice que distingue equipes no futebol de hoje. O Audax trocou um passe a menos, em média, a cada minuto.

A preferência pelo jogo construído, evidente nos sistemas de Dorival e Diniz, gerou setenta minutos de bola rolando, um número que merece elogios. O Santos cometeu dez faltas, uma a mais do que o Audax. O encontro de dois times orientados a manter a posse e utilizá-la tecnicamente da melhor maneira era esperado por ambos os técnicos e forneceu informações importantes com vistas à decisão que começa amanhã, em Osasco. Enquanto o Santos – provavelmente o time que pratica o futebol mais moderno do Brasil – quer o quinto título estadual nos últimos sete anos, o Audax tem a oportunidade de vencer os quatro clubes grandes de São Paulo no caminho para uma conquista que seria impecável.

Se a partida do último dia dez não ficou na memória, as duas próximas se anunciam como exibições de futebol de posse, passe e ataque. Santos e Audax prometem dividir a bola ao meio. Levando em conta a maneira como enxergam o jogo, poderiam tranquilamente fazer o mesmo com o troféu.

(publicada em 30/4/2016, no LANCE!)



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