A questão Denis



Já era importante, ficou ainda mais. A expulsão em La Paz impõe uma decisão difícil à diretoria do São Paulo. 

Alguns pensamentos:

1) A falha no gol do The Strongest é clara e indiscutível. Denis saiu para defender a bola alçada na área, temeu um choque com um adversário e teve uma atitude de proteção – acionada por medo – ao virar o rosto. Resultado: não sabia onde estava a bola, que bate em seu corpo e toma a direção do gol. Um caso cristalino de trabalho mal feito. 

2) Denis foi o único a falhar no gol? Não. Dois jogadores surgem livres para finalizar. Livres, quase  embaixo do travessão. Sem mais. 

3) Denis é um caso raro de um goleiro inexperiente aos 29 anos. Não é necessário explicar o motivo. O fato de substituir o maior ídolo da história do São Paulo não torna seu trabalho mais simples. É natural que ele cometa erros decorrentes da falta de vivência na posição em situações de pressão. Como o primeiro jogo – decisivo, frise-se – na altitude. 

4) A falha no gol e a auto-expulsão são situações completamente distintas e assim devem ser analisadas. A primeira foi um erro técnico. A segunda, uma irresponsabilidade, que também é produto de inexperiência. O primeiro amarelo foi precoce e o segundo – absolutamente justo – foi um grave equívoco de julgamento que colocou em risco a classificação do São Paulo. Bastaria um, apenas um, chute relativamente bem colocado para superar Maicon e eliminar o time brasileiro. 

5) Futurologia, mas cabe o exercício: se Denis não fosse expulso, Calleri provavelmente também não teria sido (não se faz aqui um julgamento do cartão vermelho para o atacante). Calleri entrou em campo para abraçar Maicon após os heroísmos do zagueiro-goleiro. Talvez – apenas talvez – sua conduta fosse outra caso o jogo terminasse com Denis onde ele deveria estar. 

6) O que queremos dos árbitros, em relação a coibir o desperdício intencional de tempo? Punir apenas os times tecnicamente inferiores que viajam ao Brasil para fazer o relógio andar, ou sustentar resultados favoráveis em casa por intermédio do antijogo? É aceitável que um goleiro – que já tinha sido advertido exatamente por isso – queira mudar o lado do tiro de meta, nos acréscimos de um encontro em que o placar lhe interessa? Por favor… não há como criticar a decisão do árbitro neste caso específico. Denis foi tola e corretamente expulso. 

7) Denis merece o apoio do time, do clube e da torcida para continuar trabalhando e servindo ao São Paulo. Mas poderia se ajudar evitando declarações que sugerem relutância a aceitar os próprios erros. O período difícil contribuirá para seu amadurecimento. Isto é uma coisa. O que fazer para o primeiro jogo contra o Toluca é outra. Ele não estará em campo e seu substituto – também inexperiente – se recupera de uma cirurgia de apêndice. Parece claro que o São Paulo deve contratar um goleiro que tenha capacidade e trajetória que o qualifiquem para a tarefa em questão. Não será fácil encontrar um.  



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