No LANCE! de hoje



O “MODO DINIZ”

É necessário valorizar o aspecto humano que sustenta a história contada pelo Audax neste Campeonato Paulista. É uma história que ganhará maior repercussão se o time de Osasco der mais um passo, ou dois, no torneio, mas que já demonstrou seu mérito mesmo se os jogadores dirigidos por Fernando Diniz não derem mais um passe sequer.

O estilo e os conceitos associados a uma forma inovadora – por aqui – de jogar futebol já foram dissecados por análises competentes, especialmente no jornalismo online, mas o ponto que merece atenção especial é o trabalho diário de um treinador irredutível em suas convicções com um grupo de atletas dispostos a não apenas compreendê-las, mas defendê-las como se fossem próprias. O maior testemunho do sucesso – sim, indiscutível sucesso – de Diniz é o comportamento de seu time.

Uma equipe de futebol é construída em seu ambiente de treinamento, o que evidentemente transcende as linhas que delimitam o campo. A prática resulta de informações transmitidas de diversas formas, aplicadas com diferentes objetivos, etapas na montagem de uma estrutura que representa uma visão. O treino propriamente dito é o último cenário dos ensaios que preparam um time para levar essa visão à competição. A esse conjunto damos o nome de método, e aí está a importância do resultado esportivo atingido pelo Audax: a validação de uma maneira de pensar o jogo.

Porque a “novidade” trazida por Diniz não está nos índices de posse, no número de passes, ou na distância entre o jogador mais avançado e o mais recuado. São ferramentas conhecidas e utilizadas por muitos técnicos. O que o Audax nos apresenta é a coragem para reuni-las em uma ideia de jogo que não depende de orçamento, mas de trabalho. Fernando Diniz convenceu seus jogadores que esse gênero de futebol os levaria longe, e aí estão. A questão fundamental é como ele conseguiu. É preciso reconhecer o modo e avançar a partir dele.

PENSANDO…

A gigantesca maioria dos times pequenos do mundo inteiro pratica futebol medroso. Atrás de um discurso que pretende convencer que só dessa maneira é possível competir, esconde-se um expediente em que não há pensamento, não há tentativa, não há ousadia. E o jogo permanece estacionado. O presente de Fernando Diniz é a exposição das mentiras convenientes.

… E AGINDO

Times de futebol são organismos pulsantes, jogadores são pessoas, tudo passa pelas relações entre elas e quem mostra o caminho. De alguém que conhece a maneira como Diniz trabalha nessa área: “ele prefere os jogadores desacreditados, o material humano rejeitado, para moldar à sua forma, misturando ingredientes que poucos treinadores gostam de utilizar”.

(publicada em 21/4/2016, no LANCE!)



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