No LANCE! de hoje



ERRO DE PROJETO

A história da Copa Libertadores repete o que se deu em 2013, e o São Paulo retornará ao estádio Hernando Siles para um jogo decisivo em uma noite de quinta-feira. À diferença do que aconteceu há três anos, o encontro com o The Strongest vale pela última rodada da fase de grupos, e um empate basta para levar o time paulista às oitavas de final.

Mas as dificuldades de jogar em La Paz permanecem exatamente as mesmas, assim como o planejamento do São Paulo para minimizar os efeitos da altitude no desempenho do time: chegar à capital boliviana horas antes do jogo. Em 2013, deu errado. O São Paulo aparentemente suportou os rigores do futebol a 3.660 metros do nível do mar, mas perdeu via dois gols de fora da área, em que o comportamento da bola foi traiçoeiro e decisivo.

Não é possível ignorar o dilema fisiológico. Mesmo quando não há mal estar e/ou problemas respiratórios, o rendimento físico de jogadores não adaptados sofre um declínio drástico, especialmente no segundo tempo. Além das preocupações normais inerentes a qualquer jogo de futebol, é preciso economizar esforço para não ficar à mercê do adversário local, armadilha que os times da alturas exploram há décadas. O tempo necessário para uma aclimatação satisfatória é inviável, por isso a opção pela menor exposição possível à altitude. Mas cada organismo reage à sua maneira: naquela quinta-feira em abril de 2013, o meio-campo Maicon não conseguiu completar nem o primeiro tempo.

É curioso, entretanto, que a adaptação técnica continue sendo negligenciada, mesmo quando a experiência escancara sua importância. Viajar a La Paz somente no dia da partida também reduz ao mínimo o contato com a bola e suas reações, aspecto central no plano de jogo dos times bolivianos. Não é por outro motivo que goleiros visitantes são unânimes ao mencionar as trajetórias surpreendentes de chutes de longe. Não é por outro motivo que os times bolivianos continuam arriscando de fora da área, muitas vezes de distâncias que parecem extremas. Há três anos, o gol que derrotou o São Paulo partiu de uma posição mais próxima da linha do meio de campo do que da linha da grande área.

A programação do São Paulo prevê a viagem para Santa Cruz de La Sierra na quarta-feira e a subida para La Paz na tarde do dia seguinte. Não haverá nenhum treino na sede do jogo, nem mesmo a tradicional visita ao estádio. O encontro dos jogadores são-paulinos com a bola – experiência que seria especialmente útil para o goleiro Denis – se limitará ao aquecimento para enfrentar o The Strongest.

Quando a partida começar, a velocidade do jogo a 3.660 metros de altitude será uma surpresa para o time brasileiro. Em vez de jogar em Osasco ontem à noite pelas quartas de final do Campeonato Paulista, o time titular do São Paulo poderia estar em La Paz, com três treinamentos programados antes de decidir seu destino na Libertadores. Esse foi o expediente usado pelo Atlético Mineiro quando venceu o The Strongest no Hernando Siles, também em 2013, ano em que foi campeão continental.

CRESCENDO

A fluência de movimentos ofensivos começa a aparecer com mais regularidade no novo Corinthians de Tite. Elias e Fagner já repetem as associações pelo lado direito, uma das marcas do time do ano passado. A manutenção da estrutura garante o padrão de atuação, com desempenho acima do que se esperava no início da temporada. Falta mostrar esse mesmo nível de jogo contra adversários mais qualificados.

RENOVANDO

Mais e melhores oportunidades para o técnico Fernando Diniz e sua ideia de futebol.

AFUNDANDO

É em jogos como o empate entre Leicester e West Ham, pelo Campeonato Inglês, que o futebol pede socorro urgente ao auxílio eletrônico à arbitragem. Que o festival ridículo de equívocos do juiz, todos com impacto direto no resultado, seja um troféu para os defensores do “charme do erro humano” no futebol.

(publicada em 18/4/2016, no LANCE!)



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