Atacantes pelo lado



Dassler Marques, ali no UOL, chamou a atenção para a evolução de Fagner no Corinthians, na trajetória que se iniciou em 2006, quando ele tinha 17 anos.

Quatro assistências e dois gols em 2016, ainda no início, igualando os números de toda a temporada passada.

Ambos os gols aconteceram na vitória sobre o Novorizontino, no domingo passado. O mais comentado foi o primeiro, um foguete de fora da área. O mais significativo foi o segundo, produto de uma sequência de tabelas do lado direito.

Uma das principais diferenças do time atual para o que foi campeão brasileiro são os mecanismos ofensivos. Eram automáticos no ano passado, ainda parecem emperrados neste ano. A associação entre Fagner, Elias e Jadson era uma das marcas do time, fonte de triangulações que foram a origem de muitos gols.

O movimento Fagner-Danilo-Fagner-Elias-Fagner-gol deve ter provocado em Tite alegria em dobro: pelo gol e pelas características da jogada que o gerou. É bem provável que a construção o tenha deixado mais satisfeito. A compreensão mútua que está por trás desse tipo de lance é o efeito mais demorado dos treinamentos. Não terminará em gol sempre, mas esse é um aspecto secundário.

A melhora defensiva é apontada como aspecto fundamental no crescimento de Fagner (a nota do UOL menciona o trabalho específico, com o auxílio de vídeos, que ele tem feito), mas seu envolvimento no ataque é o que aparece mais. É onde o alto nível técnico que o caracteriza tem impacto direto.

Um dos motivos que levaram o Corinthians ao título do BR-15 foi a reunião de jogadores de capacidade técnica superior: além dos três já citados, Renato Augusto, Danilo e Vágner Love (após reencontrar sua melhor forma, perdida nos anos em que jogou em centros menos competitivos).

Em um mundo ideal, todos os jogadores deveriam ser formados como meio-campistas, no sentido de ser incentivados a desenvolver as habilidades necessárias para jogar na faixa central do campo. A partir de uma avaliação rigorosa, os melhores permanecem e os menos capazes são redirecionados a outras funções. A “base” adquirida lhes daria vantagem técnica em qualquer posição.

Em artigo publicado recentemente, Matías Manna aborda os conceitos de Johan Cruyff sobre a formação de laterais a partir da seleção natural de pontas. Os melhores ficam e são polidos como atacantes extremos, enquanto aqueles que estão um passo atrás são convertidos em laterais. Assim, tem-se jogadores nos quais se pode confiar na participação ofensiva pelos lados.

Fagner fez falta ao Corinthians nos períodos em que se machucou durante o Campeonato Brasileiro de 2015. Muito bem equilibrado, o time conseguiu manter seus níveis de atuação com laterais que surpreenderam (Edílson e Guilherme Arana) e minimizou os efeitos de sua ausência.

Na virada do ano, quando a transferência de Jadson para a China se concretizou, Tite considerou a possibilidade de resolver o problema internamente. Apesar de ter capacidade para fazer a função, Fagner foi descartado. O técnico do Corinthians não estava disposto a mexer em uma das peças mais ajustadas de seu time.



  • nilton

    “Não terminará em gol sempre, mas esse é um aspecto secundário.”
    Olha o André citando Parreira. (Ironia-ON)

    Mas como todos que entende de futebol brasileiro sabe, os estaduais somente tem 3 finalidades:
    Matar projeto no nascedouro;
    Iludir torcedores;
    E preparar os times para o que realmente importa (momentos decisivos da Libertadores e Brasileirão)

    • André Kfouri

      Para esclarecer: o aspecto secundário não é o gol, mas a importância do final da jogada quando o que está sob análise é a construção. Um abraço.

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