Coluna Dominical



FECHEM A CBF

O Ministério da Cultura tem a obrigação de fechar a Confederação Brasileira de Futebol. Esvaziar a ex-sede José Maria Marin, lacrá-la e submetê-la a uma quarentena anti-incompetência. Chegamos a esse ponto. E sim, seria um dever do Ministério do Esporte, mas, francamente, para que serve o Ministério do Esporte? De modo que é uma responsabilidade do órgão que zela pela expressão da cultura brasileira e pelo patrimônio histórico do país. A semana foi tão extraordinariamente tóxica – até para os padrões de uma entidade recordista em barbaridades – que não resta alternativa.

Graças a Martín Fernandez, do globoesporte.com, soubemos que a CBF ofereceu o comando da Seleção Brasileira a Tite nos últimos dias. O que espanta não é a negativa do técnico do Corinthians, reação que deveria ser esperada tendo em vista o que Tite sempre declarou sobre suas regras pessoais de negociação e, tão importante quanto, a decepção que o período pós-Copa do Mundo lhe causou. Para contexto: Tite fez chegar ao intermediário da confederação que “está muito feliz no Corinthians e não pretende interromper o projeto”, o que é efetivamente uma recusa. A informação intrigante é que o contato para a substituição de Dunga, às vésperas da Copa América Centenária e dos Jogos Olímpicos, foi feito à revelia de Gilmar Rinaldi, que ocupa a posição de coordenador de seleções.

Fernandez também informou que empresários argentinos procuraram a CBF para conversar sobre Jorge Sampaoli. Neste caso, quem respondeu negativamente foi a confederação, pelo fato de enxergar Tite como os planos a, b e c. Desperdiçar a oportunidade de marcar uma reunião com o treinador campeão da Copa América com o Chile, e conhecer sua visão para a Seleção, já é conteúdo comprobatório suficiente para interditar a CBF. Dispensar Sampaoli, como se ele fosse uma visita inconveniente, é mais um atentado à Seleção Brasileira. Mas partindo da mesma entidade que escolheu Dunga quando poderia optar por qualquer técnico do planeta, não chega a surpreender. É apenas mais uma demonstração de ignorância e incapacidade. E tenhamos o cuidado de evitar lembrar a reação de Marin ao saber do interesse de Pep Guardiola, em 2012, porque esse tema faz mal à saúde.

E a semana teve mais. Carlos Eduardo Mansur, de O Globo, revelou a história da tentativa de aproximação entre a CBF e a Double Pass, empresa belga especializada em metodologia de formação de jogadores, cujas impressões digitais podem ser encontradas na trajetória do futebol alemão até o título mundial no Brasil e, também, no surgimento de jogadores belgas de nível internacional. Reuniões aconteceram durante do ano de 2015, sem frutos. De acordo com a peça de Mansur, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que a escolha foi por um projeto de estrutura diferente. O representante da Double Pass notou que “o pessoal técnico [da CBF] estava muito ocupado com o curto prazo”. É sério.

Ainda sobre a Double Pass, uma informação de Rodrigo Mattos, do UOL, gera uma imagem assustadora: Dunga e Gilmar Rinaldi foram as pessoas que vetaram a parceria com a empresa belga. Mattos conta que, durante a apresentação do projeto de certificação feito para a Federação Alemã e para a Bundesliga, os membros da comissão técnica da Seleção Brasileira mostraram-se “desinteressados e entediados”, o que diz o bastante a respeito deles e do trabalho que realizam. Nada pode ser mais danoso do que a combinação de incompetência e arrogância. É insuportável que figuras em posições mais importantes do que conseguem compreender sigam se apegando a fantasias como “a mística da amarelinha” e a noção de que “não temos nada a aprender, mas a ensinar”. (se bem que se o assunto for corrupção, de fato somos um modelo.)

Há uma guerra em curso na CBF, entre o departamento de seleções e membros da diretoria. Uma forma de acabar com ela é evacuar o prédio. É urgente.

(publicada em 9/4/2016, no Lance!)



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