Jogos mentais



Cuca declarou após o jogo que alterar escalações e sistemas não é sua receita preferida. Seu método tem como base um time definido e a sequência para aperfeiçoá-lo. 

Mas é inegável que o 3-5-2 usado em Rosário cumpriu o papel desejado, como o mesmo Cuca explicou ao mencionar os movimentos das laterais para o centro feitos pelos atacantes do Central. 

O Palmeiras não deixou de vencer porque teve os jogadores errados, ou mal organizados, em campo. E sim por causa de algumas decisões equivocadas em momentos específicos. O futebol também é um jogo mental. 

O pênalti cometido por Vítor Hugo é um exemplo. Mão no ombro dentro da área é o tipo de ação que não é penalizada com frequência, e por isso jogadores costumam apostar contra a decisão do árbitro. Mas a natureza das arbitragens na Libertadores indica que, especialmente fora de casa, o risco se torna excessivo. 

A expulsão de Gabriel Jesus é outro. Ser flagrado em um revide contra um jogador argentino é quase um batismo em torneios sul-americanos para jovens jogadores nascidos no Brasil. Exatamente por essa razão, a tendência precisa acabar. Gabriel era uma fonte de apreensão para os defensores do Central. Foi vítima de uma velha armadilha. 

Mas o que machucou mais foi o gol de Cervi, em uma jogada ensaiada de cobrança de falta que já tinha sido feita no encontro dessas mesmas equipes no Allianz Parque. 

É um lance brilhante pelo engano que provoca. Bola parada na lateral da intermediária se transforma em jogada aérea, é quase uma lei. Ao contrário do que se viu em São Paulo, ontem a execução foi perfeita, especialmente pela noção de Cervi de que Prass tinha saído do gol, senha para o toque cavado. 

Mas o Palmeiras deveria estar atento. A cabeça decidiu. 

Se houve um aspecto de jogo que poderia ter sido melhor foi a posse. A bola ficou muito tempo com o Central, mais do que é prudente mesmo quando a ideia é ser reativo. Isso pode ser trabalhado, mas não da noite para o dia e não acontecerá enquanto sistemas não forem treinados. 

Leva tempo. Assim como a clareza para enxergar na frente e não cometer erros de julgamento. A isso se dá o nome de experiência. 



  • Bruno Giosa

    Os erros que levaram a não vitória ontem foram realmente causadas pelo lado psicológico de alguns atletas. Mas foram mais erros individuais e específicos do que a desorganização que rondava o Parque nos últimos tempos. A evolução de “compra” do plano de jogo parece ter continuado em relação a domingo o que me deixa um pouco mais otimista quanto ao futuro do time.
    Como você mesmo disse (e até o Cuca já disse) leva tempo até o sistema encaixar por completo com as pessoas ideais. Quem sabe no Brasileiro o time se torne constante nas apresentações.

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