No Lance! de hoje



OUTRO GOL DE PRASS

1 – Palmeiras e Corinthians pisaram juntos no gramado do Pacaembu, horas depois da morte de um inocente durante um confronto de criminosos disfarçados de torcedores. A mensagem de paz continuará a ser um exercício de hipocrisia enquanto clubes derem suporte aos grupos que abrigam bandidos.

2 – Bom trabalho de Cuca na organização do time para incomodar o Corinthians em seu campo. O bloqueio alto pareceu surpreender e obrigou Tite a alterar momentaneamente a forma como a bola deveria sair da defesa.

3 – O antídoto para a pressão com linhas altas é o movimento diagonal de atacantes, em sincronia com o passe que não pode acioná-los em impedimento. Quem dita o momento preciso é o jogador que recebe a bola. Mover-se entre linhas requer QI futebolístico.

4 – O Corinthians de 2015 encarava esse tipo de marcação com a lucidez de quem se defendia exemplarmente e tinha jogo para desorganizar o adversário. A versão 2016 ainda tem trabalho a fazer.

5 – Os dois lados do clássico foram competentes em suas missões defensivas, especialmente o Palmeiras. O que restou do jogo, na primeira metade, foram tentativas frustradas de desamarrá-lo.

6 – Grande defesa de Cássio, negando um gol ao Palmeiras após a defesa corintiana esquecer que Alecsandro estava em campo. O lance teve origem na individualidade de Gabriel Jesus.

7 – Pênalti bem marcado para o Corinthians. Infelicidade de Thiago Martins, ao optar por disputar a bola com Giovanni Augusto, próximo à linha de fundo. O atraso do zagueiro palmeirense determinou a falta.

8 – Prass. De novo. Onde o Palmeiras estaria sem seu goleiro, que triplica de tamanho quando carrega o time sobre seus ombros?

9 – Terceiro pênalti seguido perdido pelo Corinthians.

10 – E como o futebol é um jogo que tem suas próprias vontades, o momento gerado pela defesa de Prass se alastrou pela arquibancada, atravessou o campo e marcou o gol do Palmeiras. Desatenção da zaga corintiana na jogada de bola parada. Dudu jamais poderia estar sozinho após o desvio de Zé Roberto.

11 – Cássio provavelmente calculou mal a saída, mas a falha primária foi a liberdade oferecida ao jogador em condições de finalizar.

12 – A televisão mostrou que Dudu estava levemente adiantado, o que deveria invalidar o gol. É por isso que o vídeo é necessário para auxiliar o apito e não permitir que jogos sejam decididos por erros. Mas enquanto a tecnologia não for utilizada, a arbitragem humana não pode ser cobrada por lances como esse.

(Atualização, segunda-feira, 14h: até no vídeo existe dúvida em relação ao lance, por causa da posição de André, que habilitaria Dudu. Críticos da utilização do replay costumam apontar episódios em que nem a tecnologia é conclusiva como “argumentos” para deixar tudo como está, como se existissem sistemas infalíveis. É simples: o replay disseca a esmagadora maioria das jogadas duvidosas, o que torna o esporte mais justo. Nos raros lances em que a dúvida persiste, deve prevalecer a marcação do árbitro.)

13 – Jamais descobriremos se Gabriel Jesus, claramente impedido, “roubou” o segundo gol de Dudu. Pareceu que a bola estava no rumo da trave, o que ele não tinha a menor condição de saber.

14 – Não se pode duvidar do impacto da ambição, mas, ao mesmo tempo, é impossível medi-lo. A impressão de que um time teve mais desejo pela vitória pode ser tão enganosa quanto o diagnóstico de “falta de raça”. O que não é tangível faz parte do jogo, mas até que ponto? Fato é que alguns clássicos – encontros que excedem o aspecto esportivo – acabam pendendo para o lado em que o resultado era mais necessário.

“5”

A atuação de Casemiro ajuda a explicar por que o Real Madrid conseguiu vencer o Barcelona, no clássico de sábado no Camp Nou. O volante brasileiro soube desarmar com eficiência e entregar a bola com simplicidade, qualidades que tiveram notável efeito no funcionamento do meio de campo do time de Zinedine Zidane. Casemiro também mostrou boa noção de posicionamento e vitalidade para cobrir uma área vasta do campo, libertando Kroos e Modric para um maior envolvimento ofensivo. Essa função de estabilizador no centro do campo é tão difícil quanto importante, um modelo para poucos jogadores no futebol atual. Casemiro tem potencial para se estabelecer no papel de “5”.

MSN OFF

No Barcelona, o rendimento pouco característico de Messi, Suárez e Neymar pode estar relacionado à data-Fifa e aos jogos do outro lado do oceano. Clubes com astros sul-americanos têm esse problema.

(publicada em 4/4/2016, no Lance!)



  • John Ross

    Parabens pelo blog, mutio bom nivel. No lance do gol do Derby, penso que o Ze’ Roberto simplismente errou, e o ‘balao’ com a cabeca, ‘achou’ o Dudu. Ele estava no lugar certo, o casio nao tem nenhuma culpa ao meu ver. Viu um adversario sozinho e foi para o ‘abafa’, tomou o gol, paciencia.

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