NO LANCE! DE HOJE



 

(publicada em 26/3/2016, no Lance!)

VELHO ENREDO

1 – Um dos temas do encontro em Recife era o aparente desequilíbrio entre o ataque do Brasil e a defesa uruguaia. Em um jogo de videogame, Coates e Victorino, especialmente, não teriam chance de conter qualquer combinação entre Willian, Neymar e Douglas Costa. A resposta do futebol real demorou menos de um minuto.

2 – A Seleção Brasileira mexeu na bola após o apito inicial e procedeu a fazê-la circular. O décimo passe foi um longo e preciso lançamento de Daniel Alves para Willian, da lateral à ponta-direita. Coates não foi páreo para o meia do Chelsea; Victorino e Fucile nem viram Douglas Costa chegar para concluir.

3 – Não é que o gol precoce tenha desorganizado o Uruguai. A incapacidade de acompanhar a troca de passes curtos pelo meio do ataque do Brasil era esperada. A vantagem na articulação ficou clara no lance em que Neymar recebeu na área e concluiu para fora.

4 – No lance do segundo gol, nova falha defensiva uruguaia. Não saberemos se Renato Augusto conseguiria dominar o passe forte de Neymar. Sabemos que Álvaro Pereira amorteceu a bola ao tentar cortá-lo. A finta de corpo do ex-corinthiano no goleiro Muslera foi o ponto alto, criando o espaço para finalizar.

5 – Em termos de resultado, 2 x 0 com 25 minutos era melhor do que se poderia esperar de um clássico do continente. Em jogo, a Seleção cometia erros frequentes de posicionamento quando a bola chegava à área de Alisson. A repetição deles, diante de jogadores como Suárez e Cavani, permitiu que o Uruguai voltasse ao jogo.

6 – Na jogada pelo alto, Sánchez cabeceou para trás sem ser incomodado por Filipe Luís. David Luiz, de costas para Cavani enquanto a bola viajava, se surpreendeu com a aparição do atacante do PSG, completamente desmarcado. Cavani fazia má partida até ser convidado a mexer no placar e devolver a seu time a certeza de que a noite em Recife não estava perdida. Assim funciona o futebol uruguaio.

7 – A desatenção diante do jogador errado voltou a comprometer a atuação da Seleção no início do segundo tempo. Acionado pela esquerda do ataque, Luis Suárez foi presenteado com o tempo que converte atacantes medianos em ameaças. O 9 uruguaio, sabe-se, está muito acima da média e não atuava por seu país desde a Copa do Mundo. David Luiz lhe deu uma oportunidade irrecusável, e o chute cruzado passou por baixo de Alisson.

8 – O filme é antigo, já foi visto e revisto, mas sempre parece estar na primeira exibição. A seleção uruguaia, aparentemente batida, levanta-se e ressurge. E a reação do adversário é perder o controle da própria temperatura, como se não conhecesse a história da qual é personagem. O jogo ríspido favorece o time de azul, pois diminui distâncias técnicas e provoca desorganização.

9 – A arbitragem deveria ter marcado um pênalti de Cavani em David Luiz, por agarrão, mas isso não apaga a superioridade uruguaia em ocasiões para vencer o jogo. Na principal delas, Alisson salvou David Luiz de uma assistência involuntária para Suárez, defendendo com o pé o chute do atacante do Barcelona.

10 – Ao final, o tema do clássico se inverteu. O desajuste que ficou mais evidente aconteceu na outra área; foi a defesa do Brasil que sofreu com Cavani e Suárez.

AC/DC

“O legado de Johan não são os títulos. O conhecimento e seu futebol são seu grande êxito. Quando eu comecei a jogar, não sabia nada de futebol. Tinha algumas características e um talento, mas não sabia interpretar o jogo, o desconhecia. Cruyff nos abriu um mundo novo e fascinante. Nos ensinou tudo, era como estar em um filme constante. (…) Cruyff te explicava por que você perdia e por que ganhava. Em cada treinamento, cada conversa, no intervalo… nunca senti algo assim. Vocês não sabem o que é quando o time não funciona, e no meio tempo Cruyff venha e te diga “não funciona por isso!” . Os técnicos e torcedores costumam dizer que você não ganha porque corre pouco ou não se esforça o suficiente. Ele vinha, te protegia e te explicava. Seu legado é infinito, como meu agradecimento”. Pep Guardiola, sobre seu mentor.



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