CAMISA 12



 

(publicada em 24/3/2016, no Lance!)

FEIJÓ, ZOZÓ E A CPI

“Gostaria que o estimado amigo falasse com o Zozó para se possível na segunda feira fosse realizada essa liberação, tenha certeza que esse amigo estará sempre ao seu lado para todas as lutas, que seja profissional ou pessoal”.

Vivemos uma época de vazamentos, esquemas e codinomes. O material é farto e se renova diariamente, enriquecendo o folclore da pilantragem nacional com requintes de crueldade com o decoro, a vergonha e o idioma. Como dizem os americanos, é tudo muito bom para ter sido inventado.

A preciosidade acima poderia ser produto de mais uma fase da Operação Lava-Jato, o recado de um traficante ou a interceptação de uma correspondência entre contraventores inofensivos. Atualmente, esperamos tudo e não nos espantamos com nada. Mas é parte de um email enviado a Marco Polo Del Nero, descoberto pela CPI do Futebol e revelado pela repórter Gabriela Moreira, da ESPN.

A mensagem é de julho de 2012. Nela, Gustavo Dantas Feijó, hoje vice da CBF para a região Nordeste, cobra Del Nero sobre um acordo feito quando Ricardo Teixeira era presidente da entidade. A “liberação” mencionada no email é referente a R$ 250 mil, de um total de 600 mil, prometidos pelo Dr. Ricarrrrdo à campanha de Feijó para a prefeitura de Boca da Mata, em Alagoas.

Gustavo Feijó declarou ao Tribunal Superior Eleitoral que sua campanha custou R$ 130 mil, e na lista de doadores não aparecem a CBF ou a Federação Alagoana de Futebol, que ele presidia. Em julho de 2012, Del Nero era o vice mais próximo ao presidente José Maria Marin, atualmente sob custódia das autoridades americanas. Embora diga que seu cargo era “decorativo”, para se distanciar da gestão de um cartola preso, os documentos da CPI mostram que Del Nero controlava o fluxo de dinheiro para as federações.

O Zozó mencionado é Antônio Osório da Costa, ex-diretor financeiro da CBF, afastado por ser homem de confiança de Ricardo Teixeira.

ATENÇÃO

O envolvimento de dirigentes do Corinthians nas suspeitas de irregularidades na obra da Arena em Itaquera deve ser apurado com o máximo rigor. Eles podem ter lesado o clube, como tantos já fizeram em esquemas mais ou menos engenhosos. Que sirva para abrir os olhos dos torcedores de cartolas, essa massa desprovida de espírito crítico que crê defender os clubes.

SUCATA CARA

“Acho que é um pouco ofensivo um estádio custar tão caro e faltar água quente, mobília, o gramado ser tão ruim”. A crítica de Levir Culpi à situação do estádio Mané Garrincha (R$ 1,7 bi) é assustadora. Além do custo, é preciso lembrar que o estádio de Brasília – onde não existe futebol que o justifique – não tem três anos de uso. Não foi por falta de aviso.



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