JOHAN CRUYFF (1947-2016)



 

Feche os olhos e pense na imagem mais bela que o futebol proporcionou nos últimos quarenta anos.

Independentemente de suas preferências, apenas pense.

Seja qual for o resultado da pesquisa, Johan Cruyff será responsável por ela.

Tudo o que existe de bom no futebol nas ultimas quatro décadas ou foi inventado por Cruyff, ou por alguém para tentar responder ao que ele inventou.

Johan Cruyff é o pai do futebol moderno. O que vemos hoje e nos faz sorrir, ele já via quando jogava, nos anos sessenta e setenta.

Como jogador brilhante, Cruyff já era um técnico; como técnico, transformou-se na figura mais influente da história do futebol.

Desde sua aparição, nenhum time que marcou época neste jogo teria existido sem sua presença ou suas ideias.

O Ajax tricampeão da Europa, o Milan de Arrigo Sacchi, o Barcelona de Pep Guardiola… a Holanda de 1974 e todas as seleções que se inspiraram na filosofia do futebol total, da qual Cruyff é o melhor aluno e principal intérprete.

O “Príncipe de Amsterdã” foi um futebolista rebelde, um jogador contestador que desafiou convenções e provou que o futebol pode ser tudo que a imaginação quiser.

O técnico foi um professor de alegria e liberdade, o homem que acabou com o divórcio entre a beleza e a vitória, sempre pensando que o que de fato importa é o caminho, não a chegada.

Cruyff jogou apenas uma Copa e não conseguiu vencê-la, mas o futebol que ele criou segue conquistando tudo o que existe, incluindo as duas últimas Copas do Mundo.

Ele tinha dois vícios. Um era o cigarro, que desgraçadamente terminou por encerrar sua vida nesta quinta-feira.

O outro, ao contrário, faz com que sua morte seja um engano, e sua presença, uma certeza eterna: o passe.

O futebol moderno está órfão a partir de hoje, mas Johan, filho de Rinus, pai de Josep, avô de Xavi, Andrés e Lionel, estará vivo sempre que uma bola rolar como um pensamento…

… e provocar um sorriso.



  • Perfeito, Andre. Como sempre. Linda coluna! Abs, Anna.

  • Lucleblon

    Versão correta: belíssima e merecida homenagem de um craque das letras.

  • RENATO77

    Boa!!!

  • José Henrique

    Ótimo,!!!!

  • José Henrique

    Desculpem fora do assunto deste post. Porém ver o Palmeiras, no jogo mais importante para eles, que é contra o Corinthians, ser desalojado de seu estádio, que deveria prioritariamente atender a um jogo de futebol, é lamentável. Na verdade o dono verdadeiro do estádio não é o clube mesmo, que pelo visto serve apenas para inquilino. Um estádio novo, bem localizado parece que foi construído prioritariamente como local para shows.

  • Silva

    Aplausos André, muitos aplausos.

  • Moises Neto

    André, você é mais que um mero jornalista; você é um poeta!

  • Bruno Baldibia Caetano

    André, excelente texto. Você é mestre da escrita. Mas tenho uma pergunta:

    “O futebol moderno está órfão a partir de hoje, mas Johan, filho de Rinus, pai de Josep, avô de Xavi, Andrés e Lionel, estará vivo sempre que uma bola rolar como um pensamento…”

    Eu postei, em um texto sobre o Xavi na Trivela, algo parecido com isso:

    “Aluno de Aragonés, irmão de Iniesta, filho de Guardiola, neto de Cruyff, bisneto de Rinus Michels. Melhor meia central de sua geração, a personificação da filosofia blaugraná, a representação física da Catalunha e o maior jogador da história da Espanha. Xavi é o intérprete da perfeição tática. […]”

    Existe alguma chance de você ter lido meu comentário e inspirado sua frase no que eu escrevi? Se sim, fico lisonjeado.

    Novamente, te elogio pelas excelentes redações.

    AK: A origem do que escrevi é um desenho que vi em alguma rede social, daqueles que mostram a evolução das coisas, de Cruyff para Guardiola para Xavi. Apenas incluí os demais no raciocínio. Eu já tinha escrito algo semelhante em um artigo para o site da editora Grande Área, que está aqui (abrindo o terceiro parágrafo): http://www.editoragrandearea.com.br/opiniao/2015/12/1/inimaginvel
    Obrigado pelo elogio. Um abraço.

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