COLUNA DA TERÇA



 

(publicada em 7/3/2016)

MODERNIDADE

A expressão “futebol moderno” é presença frequente nas conversas sobre o jogo, com múltiplos contextos de utlização. Pode se referir ao que é mais atualizado em termos de sistemas e conceitos táticos, no sentido evolucionista; pode ser uma crítica à conversão do esporte em negócio, como se ela fosse evitável; pode, ainda, expressar a rejeição aos estádios que representam a última versão da experiência de assistir a uma partida. A centésima-trigésima reunião anual do International Board anunciou, anteontem, uma nova aplicação para a expressão, sobre a qual não deve haver dramas de interpretação: moderno é o futebol em que a tecnologia é aplicada para proteger e preservar a lisura do resultado de campo.

A decisão histórica dos guardiões das regras do jogo chega atrasada a um esporte que, há muito, superou a capacidade da mediação humana. Os árbitros sempre estiveram em cruel desvantagem em relação à dinâmica dos jogadores, mas só com o avanço das transmissões de televisão foi possível perceber o tamanho da distância entre o futebol real e o jogo que a arbitragem consegue detectar. Como essa distância gera impacto no resultado final de encontros, o que, por sua vez, altera o destino de campeonatos, a opção por ignorar a tecnologia disponível é indefensável. O anúncio de um cronograma de testes para a implantação do chamado “árbitro de vídeo” é a correção de um erro que já causou muitos danos ao futebol.

O ponto de partida do protocolo divulgado no fim de semana merece elogio pelo objetivo e pela forma como pretende alcançá-lo. Citando o texto distribuído pela Fifa: “A expectativa não é alcançar 100 por cento de precisão nas decisões para cada incidente individual, mas evitar decisões claramente incorretas que são pré-definidas como situações que ‘modificam o jogo’ – gols, pênaltis, cartões vermelhos diretos e identificação errada [de jogadores punidos]”. O sistema aprovado para testes envolve um árbitro com acesso aos replays, que se comunica com o árbitro em campo quando é acionado por ele ou quando nota um equívoco que passou despercebido.

Atenção para uma informação importante: apesar de não aparecer na relação de incidentes que serão analisados pelo vídeo, o impedimento – que não apenas exige que assistentes sejam camaleões, com olhos independentes, mas também capazes de congelar duas imagens simultâneas – será revisado nos lances que resultarem em gols, ou seja, quando o erro é mais grave. O período de testes, que terá duas fases, é fundamental para verificar a eficiência do sistema e sua inteferência no fluxo do jogo, uma preocupação natural em um esporte historicamente refratário a alterações de regras. A interrupção usual das partidas a cada vez que um gol acontece deve oferecer tempo suficiente para o trabalho do apito eletrônico.

Doze associações nacionais de futebol, entre elas a CBF, já manifestaram interesse em realizar as avaliações em seus campeonatos. As experiências têm prazo para começar: obrigatoriamente antes da temporada 2017-18 no calendário europeu. A chegada do verdadeiro futebol moderno ainda não está oficialmente marcada na agenda, mas o planejamento anunciado pelo International Board é a vitória de quem deseja ver encontros decididos pelos jogadores. Por mais inacreditável que pareça, esse conceito de modernidade o futebol ainda não oferece.

EDGARDO BAUZA

Ainda estamos nos primeiros dias de março, e o trabalho de um técnico recém-chegado ao São Paulo já se vê sob julgamento. E com um jogo decisivo marcado para quinta-feira, em Núñez, não se deve descartar a possibilidade de um veredicto – não em relação ao emprego, mas à capacidade – a esta altura da temporada. No futebol brasileiro ainda existe a expressão “técnico estrangeiro”, como se fosse uma raça. Existe também o desejo que falhem. Quando são diferentes, são professores pardais; quando são semelhantes, são comuns. Difícil.



  • Marcus

    André, 3 belos exemplos de como é necessário dar tempo para um bom técnico trabalhar e montar uma equipe: Tite, Simeone e Pochettino.

    Tite perdeu do Tolima e ano apssado perdeu do Guarani. Deram tempo a um técnico reconhecidamente competente e o resultado se viu.

    Pochettino e Simeone começaram mal, no Tottenham e no Atletico de MAdri respectivamente. Hoje é fácil elogiar o Simeone, mas no início os resultados foram medianos. Da mesma forma o Pochettino demorou pra engrenar no Tottenham. Em ambos os casos, situações parecidas com o SP. Eles precisaram pulir o elenco antes de pulir o estilo de jogo. Ir moldando o grupo pra chegar, depois, ao jogo.

    Seria um absurdo, mas não para os padrões do futebol brasileiro, um técnico obviamente competente como o Bauza ser dizimado em 3 meses, mesmo que saia da Libertadores.

    O trabalho no SP é primeiro de gestão de grupo. depois de organização e estilo de jogo.

    Para piorar, ele tem que lidar com problemas de formação do atleta brasileiro: laterais (Bruno e CArlinhos) que pensam como alas, zagueiros que ficam enfiado junto ao goleiro e distante do meio, jogadores técnicos que acham que não precisam marcar (Ganso…que até vem mudando), etc.

  • Silva

    André,

    Antes que você veja “OBSCENIDADE” no meu pensamento, aviso que não sou contra o uso do árbitro de vídeo no futebol. Eu fico curioso, pois acho que não será tão simples. Por exemplo, discordo quando se afirma que o impedimento “será revisado nos lances que resultarem em gols, ou seja, quando o erro é mais grave”. Os impedimentos equivocadamente assinalados pelos assistentes e confirmados pelos árbitros que deixariam os atacantes na cara do Gol podem não ter o mesmo peso, o gol ainda não aconteceu, mas são extremamente relevantes. Agora uma das inúmeras dúvidas que tenho “Hoje, num contra ataque um passe é dado para um atacante em alta velocidade que em posição legal, é impedido de jogar pelo assistente e o árbitro marca o impedimento; no futuro, com a implementação do árbitro de vídeo, o que faria o árbitro? Deixaria o jogo seguir até a espera da conclusão do árbitro de vídeo e ficaria o assistente parado com a bandeira levantada?” Há necessidade dos assistentes, a partir do momento que o uso do árbitro de vídeo seja pleno?
    Abraços.

    AK: O objetivo do sistema, como está escrito, não é analisar 100% das jogadas. E para que o impedimento faça parte dos lances revisados, será necessária uma alteração de regra que submeterá o jogo o transformações mais relevantes. Enquanto isso, o que teremos é um futebol capaz de impedir o prejuízo causado por gols em impedimento, sem impacto no fluxo do jogo. Não entendo como isso pode ser descartado. Um abraço.

    • José Henrique

      Acho que entendi a sua colocação André. Você não questionou o prejuízo causado por gols em impedimento, ao contrário questionou por “gols impedidos de acontecer” por equívocos dos árbitros.

      • Ailton

        Caro AK

        Com todo respeito: o prejuízo dos gols em impedimentos é o mesmo dos que não aconteceram por um impedimento não marcado. Este pensamento é colocar o se em jogo, o goleiro poderia defender ou atacante poderia chutar para fora e esquece que atacante poderia fazer. Um prejuízo objetivo ou subjetivo é um prejuízo.

        AK: 1) Sua premissa quanto ao prejuízo é falsa. 2) Com as regras que existem hoje, é possível apenas revisar gols marcados em impedimento. Você prefere não fazer isso?

  • Ailton

    Caro AK

    Você pode achar que um impedindo mal marcado não é prejuízo.
    Entretanto,, os impedimentos mal marcados são os que mais acontecem.
    Está premissa é falsa?
    Quando gols poderiam ter sido marcados?
    Com todo respeito: a omissão é um erro
    O que jogadores tem que fazer agora é chutar em gol, como o Guerrero fez no jogo do Flamengo
    Parecia um jogador de basquete tentando a cesta depois de uma falta
    Bom fim de semana

    AK: Eu não disse que não é prejuízo. Não sei como posso ser mais claro. Um abraço.

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