CAMISA 12



(publicada em 3/3/2016, no Lance!)

O PESO DE UM GOL

Um artigo publicado no domingo passado, no site do jornal britânico The Guardian, merecia mais repercussão no mundo do futebol. A peça nos informou que quatro acadêmicos europeus conseguiram, pela primeira vez, quantificar o impacto da regra do gol do visitante em encontros de dupla eliminatória.

O tema divide opiniões. Há quem esteja de acordo com a ideia que deu origem à valorização do gol marcado fora de casa como critério de desempate: um estímulo à ofensividade e uma proteção contra a decisão por pênaltis. E há quem veja um desequilíbrio de condições que favorece o time mandante no primeiro jogo, ao estimulá-lo a jogar defensivamente em casa e lhe oferecer trinta minutos a mais – em caso de prorrogação, no segundo jogo – para marcar o chamado “gol qualificado”.

O trabalho publicado no Jornal Europeu de Pesquisa Operacional, com o título “o que é um bom resultado no jogo de ida de um confronto em dois jogos?”, baseou-se em 6.975 confrontos de mata-mata no continente, entre os anos 1960 e a temporada 2012-13. O primeiro achado é um fato: a vantagem por jogar em casa diminuiu. Entre 1965-66 e 1980-81, 56,2% dos jogos de ida foram vencidos pelo time mandante. Esse número caiu para 46,1% entre 1997-98 e 2012-13.

O estudo se propôs a descobrir qual é o peso de um gol sofrido pelo time da casa no primeiro jogo. O placar de 1 x 0 significa 65,3% de chance de vitória no confronto. Quando o mandante vence por 2 x 1, a possibilidade cai para 55,3% . Quando perde por 1 x 0: apenas 12,5%.

A comparação entre as vitórias por 1 x 0 e por 2 x 1 revela que o gol sofrido diminui a possibilidade de classificação do mandante do primeiro jogo em dez pontos percentuais, atualmente. Quando dois times de potencial semelhante empatam a ida em 0 x 0, o mandante tem 46,7% de chance de prevalecer. Não surpreende que proteger a própria área tenha se tornado a prioridade de muitos times que abrem confrontos em casa.

10 x 0

Exemplares as reivindicações encaminhadas pelos clubes da Primeira Liga à CBF. Mas, por óbvio, são ideias utópicas diante da confederação que conhecemos. As solicitações de análise de todos os contratos da entidade e da criação de um conselho de ética independente provocaram taquicardia na ex-sede José Maria Marin, que sofre de alergia à transparência.

1 x 0

O Corinthians sofreu mais do que gostaria contra o Independiente Santa Fe. A versão 2016 do time de Tite evidentemente não tem, ainda, os argumentos para solucionar a falta de espaços que mostrou no ano passado. Mas venceu. Dessa vez não com a insistência do time em relação ao tempo, mas com a insistência de Rodriguinho na jogada que parecia perdida. Merecido.



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