CAMISA 12



(publicada em 25/02/2016, no Lance!)

BOLA E CORAGEM

Dizer que o Bayern jogou por uma hora no campo de defesa da Juventus, anteontem, em Turim, é uma imprecisão. O time alemão foi além do que já seria extraordinário, ocupando a INTERMEDIÁRIA dos donos da casa por dois terços do tempo. Foi possível notar Vidal (que efetivamente operou como zagueiro, em uma defesa que não tinha defensores centrais puros), o jogador mais recuado do Bayern, bem à frente da linha do círculo central no território italiano, enquanto a bola circulava próxima à área de Buffon.

Neuer foi fotografado absolutamente solitário na própria intermediária, observando o jogo se desenvolver distante dele. Era ali sua posição quando seu time jogava, pois o único risco para o Bayern nessa situação era uma bola longa. Lahm e Alaba avançavam para gerar superioridade numérica nos lados do campo; Douglas Costa, Lewandowski, Thiago, Muller e Robben mantinham a última linha da Juventus dentro da área; a pressão do Bayern com a bola era constante e ameaçadora. Sessenta e quatro por cento de posse, 607 passes completos (contra 262), quatorze finalizações e dois gols na casa do adversário, no caso, o melhor time da Itália.

Quem acompanha futebol com interesse deve imaginar como é difícil construir uma atuação assim, manter tal nível de controle sobre o que acontece em campo, de forma – entre outros objetivos – a minimizar os próprios defeitos. Os problemas defensivos do Bayern aumentam a importância da posse, aplicando a mais básica das verdades sobre o jogo: enquanto ataco, não sou atacado. Tem mais a ver com bola e coragem do que com diagramas, algo tão raro que só dois times no mundo têm capacidade de fazer, independentemente do adversário e das condições.

O jogo terminou em 2 x 2, por causa do caráter da Juventus e de falhas individuais. O Bayern esteve perto de vencer exatamente porque jogou como jogou. No futebol de quem sempre quer ser protagonista, o raciocínio vai do desempenho ao resultado, jamais no caminho oposto.

ESPECTADORES

A posse do Barcelona no estádio do Arsenal foi ainda maior (65%), com mais do que o dobro de passes do time inglês, que normalmente prefere jogar a ser oportunista. Para quem acha que “contra o Granada é fácil…”, times espanhóis de pequeno porte costumam ficar mais tempo com a bola, em jogos contra o Barcelona, do que o Arsenal fez em sua própria casa.

DRAMA

A capacidade do Barcelona de vencer de diferentes formas é um dilema para os melhores adversários. O time catalão é tão bem construído que pode se dar ao luxo de esperar pela vitória. Joga a seu modo pelo tempo que for necessário, sem perder a confiança, pois sabe que os gols surgirão de um jeito ou de outro. E, de fato, eles surgem. É verdadeiramente cruel.



  • Renato Mello

    Aguardando comentário sobre o jogo do LÍDER do Grupo 5 da LIBERTADORES… afinal, sobre clássicos paulistas e afins temos constantemente, bem como de outros times que disputam a competição continental – o chamado “trio de ferro”, apenas, quer dizer…

    AK: Obrigado pelo tempo em espera, sua ligação é muito importante para nós.

    • Renato Mello

      hahahahahahahahahahahahaha!!! Só faltou chamar de “troll”… é impressionante a forma como você sempre responde a quem o critica, andré! E o PIOR: crê, sempre, que é por “clubismo”, e não apenas por querer que a leitura de um blog que – ao menos posa de – comenta o futebol NACIONAL e internacional, não fique RESTRITO a, na parte dita “nacional”, aos comentários sempre dos mesmos times. Outro dia mesmo, quando comentei aqui, não achei absurdo não ter comentado APENAS sobre o meu Atlético; achei o mesmo sobre não ter dito nada sobre o GRÊMIO também, que também tinha jogado pela Libertadores e não “mereceu” nenhuma linha! A propósito, respondendo seu questionamento de outro dia: quando me referi a “independentes”, quis dizer sobre jornalistas/colunistas/comentaristas que dizem (ou procuram mostrar, ao menos) não ter uma postura presa ao “mais do mesmo”, sempre ficando com textos e/ ou comentários fixos apenas em times do RJ ou SP. Há sim, claro, esse tipo (raro) de profissional. Você sempre tentou passar ser um deles, mas infelizmente não é o que mostra em seu blog. Prefere comentar uma derrota do flamengo para o bangu ou um empate do corinthians com o juventus da rua javari do que um jogo como Cruzeiro e Inter, Atlético e Grêmio, ou com qualquer time do nordeste. Mas se qualquer time dos estados “preferenciais for jogar no norte, nordeste ou onde for, merecerá pelo menos uma linha. Já um jogo de LIBERTADORES dos times fora desses estados… fica SEM comentários. Fazer o que né? Como diz o outro, “acontece” … só acho uma pena. Especialmente quando vindo de alguém com o conhecimento que você tem, como bem mostrado em seus textos (especialmente) sobre futebol internacional, basquete, etc. Poderia perfeitamente também dar uma contribuição para os outros estados com seus comentários no que se refere ao futebol. Mas se (e eu disse SE), de repente, a “linha editorial” do LANCE! “não permite”, ou “visa” somente os estados de RJ e SP… paciência. Agora, se é uma escolha SUA – como pelas suas “respostas engraçadinhas” parece ser, sempre procurando fazer juízo de valor a quem comenta mesmo que SEM agressão a sua pessoa – acho triste. Bem, era só isso. Pode me chamar de “troll”, fazer mais alguma “piada”, etc. Nunca liguei para isso e não vou começar agora. Aproveitando, já que “minha ligação é muito importante para vocês”, quero o retorno do seu supervisor então assim que acabar a espera… pelo menos é o DIREITO que as companhias telefônicas dão aos seus clientes, certo? Até 😀 !!!Renato Mello Por uma imprensa esportiva melhor / um futebol melhor / menos bairrismo e mais seriedade e educação no trato com o leitor! Grato! 😉

      AK: O supervisor entrará em contato com você no prazo máximo de dez dias. Até lá, veja se jornalitas/blogueiros de Belo Horizonte, Porto Alegre ou de cidades do Nordeste tratam dos times de São Paulo. Eu jamais me propus a acompanhar tudo e tratar de todos. Faço quando posso. À direita na página estão os nomes dos clubes e o respectivo conteúdo. O que sempre me propus a fazer foi responder no mesmo tom do comentário. Por um futebol melhor, por leitores melhores, menos complexo de inferioridade e mais noção de como as coisas funcionam. Um abraço.

      • Renato Mello

        1 – Eles tratam sim, acompanhe você. Afinal, é sua área
        2 – Responder no mesmo tom? Desculpe, não é o que demonstra, pois fazer piadinhas com comentários que não contém ofensa não me parece postura de quem iguala o tom que recebeu no comentário.
        3 – Fácil jogar para os leitores… “complexo de inferioridade”? Um leitor requerer apenas mais igualdade no tratamento com os times é isso? Ok então…
        4 – “Noção de como as coisas funcionam” eu tenho. Tenho jornalistas na família. Até por isso argumento. Pesquiso, pergunto, questiono. Não sou “vaquinha de presépio”. Sou do tipo que exige que até meus alunos me questionem, para exercitar a reflexão. Mas faço o mesmo em meu dia a dia, pois tenho de praticar o que prego, certo?
        5 – Responda o que quiser, com piadas ou não. O que tinha de dizer já está escrito.

        AK: 1 – Não tratam com a mesma frequência e com o mesmo espaço que tratam os times locais, assim como procuro fazer.

        2 – Comentário com ofensa não entra aqui, de modo que o exemplo não se aplica. De resto, o tom é o mesmo. Releia os seus.

        3 – Você se sentiu à vontade para falar em “bairrismo”, eu fiz o mesmo para falar sobre “complexo de inferioridade”. Sim, um leitor que não parece compreender as razões da diferença de espaço dedicado aos times em cada região do país pode sofrer disso. É comum.

        4 – Desculpe, não parece. E ao contrário de você, não farei afirmações sobre o que você é ou deixa de ser. Não nos conhecemos.

        5 – Tenho lhe respondido desde o primeiro comentário.

        Um abraço.

  • A. Hayashi

    Não assisti ao jogo inteiro, apenas aos melhores lances, então posso estar sendo injusto, mas…

    1) “Meteram” a mão na Juve! Não foi mão do Vidal dentro da área antes do primeiro gol do Bayern?

    2) No segundo gol do Bayern, não me convenci ainda que não houve falta do Lewandovski no marcador da Juve, antes receber a bola no contra-ataque que terminou no gol do Bayern…

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