CAMISA 12



(publicada em 18/02/2016, no Lance!)

AMOR OU ÓDIO?

Você gosta de futebol? Não é uma provocação, mas uma pergunta honesta. Claro, ter este diário em mãos (obrigado) e ler essas linhas (muito obrigado) são indicativos de que você se interessa pelo assunto, o que não significa, necessariamente, que goste. A pergunta pode parecer injusta para você, que adora o futebol e com ele se relaciona de maneira saudável. Mas pode caber a você, que se aborrece frequentemente com o que julga amar. Neste caso, é grande a possibilidade de você não gostar de futebol, sem saber.

O pênalti coletivo do Barcelona, domingo passado, evocou uma visão de futebol compartilhada por muita gente. São os eternos ofendidos, afetados pela síndrome da mágoa espontânea, para quem a jogada de Messi e Suárez é um exemplo de desrespeito, humilhação, menosprezo. Uma “quebra de decoro” que, embora não escrita, fere a “seriedade” da qual jogadores não devem se afastar, sob pena de pagar caro.

Essa forma de enxergar o jogo não tolera exibições criativas de habilidade técnica (ou, no caso mencionado, de corajosa improvisação) que não estejam acompanhadas da “objetividade” que as autoriza, e insiste em catalogar lances de efeito conforme a situação em que acontecem. Uma cavadinha na cobrança de pênalti, na final da Copa do Mundo, é coragem. Vencendo por 5 x 0, é falta de caráter. Uma caneta no campo de defesa é desnecessária. Na área do adversário, é recurso. Neymar não faz “gracinhas” quando está perdendo, acusam os magoados. Como se ele tivesse essa obrigação.

E como se times se comportassem do mesmo jeito, independentemente do placar. No futebol dos ofendidos, aceita-se a agressão que o árbitro não vê. É “malandragem”. Perdoa-se a cusparada, o cotovelo alto nas disputas de bola. “Faz parte do jogo”, dizem. Mas uma carretilha com 2 x 0 é um insulto. Um pênalti em dois toques, coisa de cafajestes. É preciso odiar o futebol para pensar assim. Tomara que não seja o seu caso.

SÃO PAULO

É uma insanidade, e uma injustiça, julgar o trabalho de um time em fevereiro. Mesmo que uma derrota histórica em casa diminua as possibilidades de classificação na Copa Libertadores. E mesmo que o futebol apresentado neste início de temporada lembre o jogo que se praticava no Brasil há sete ou oito anos. O São Paulo deve evoluir, não há outro caminho.

CORINTHIANS

No Chile, o Corinthians só conseguiu jogar a partir da metade do segundo tempo, quando controlou o Cobresal e passou a impressão de que o gol era questão de uma jogada caprichada do início ao fim. Terminou por encontrá-lo nos acréscimos, em um cruzamento de Lucca, desviado pela defesa chilena para a própria rede. Resultado ótimo, desempenho médio.



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