COLUNA DA TERÇA



(publicada em 15/02/2016, no Lance!)

À FRENTE

1 – Minutos iniciais marcados por uma disputa de valentia, não de futebol. Quando jogadores assumem esse comportamento, convertem o árbitro em um policial em campo e o convidam a tomar decisões disciplinares das quais reclamarão. O melhor caminho, sempre, é jogar.

2 – A amostra ainda é mínima, claro, mas, em comparação com a temporada passada, é notável a dificuldade do Corinthians para sair jogando da própria intermediária. A reformulação implica em novos circuitos coletivos, que demandam tempo e treino.

3 – Também se percebe, no São Paulo de Bauza, a solidez defensiva como prioridade, cuja avaliação não deve sofrer o impacto de um lance bizarro como o que gerou o primeiro gol em Itaquera.

4 – O mérito do Corinthians foi a conexão Fagner-André-Giovanni Augusto, pelo lado direito. O São Paulo tinha superioridade numérica contra o meia corintiano, que não chegou a tocar na bola e a perdeu de vista. Lucão tabelou com Mena e tirou Dênis do lance com uma assistência para Lucca, que estava fora da área quando se viu em condição de marcar. Nada fez sentido.

5 – De tudo o que aconteceu, tratar o próprio goleiro como adversário em um passe que o tinha como destinatário é a ação de Lucão que menos se compreende.

6 – O primeiro tempo poderia ter terminado em empate, mas Cássio consertou a falha de Yago em lance com Calleri. Centurión simplesmente não conseguiu colocar a bola em jogo no escanteio subsequente. No balanço dos erros, o São Paulo ganhou com distância. Por isso perdia.

7 – O recomeço teve o benefício de dois times interessados em ser superiores com a bola, não com a boca ou com a sola da chuteira. Mas isso significou um jogo mais calmo, não necessariamente melhor. O São Paulo tinha mais lucidez no lado esquerdo do ataque, com Michel Bastos, e, a partir dos vinte minutos, passou a correr os riscos que acompanham a procura do gol.

8 – Bauza substituiu um meiocampista (Thiago Mendes) por um atacante (Kelvin) na marca da meia-hora, e o roteiro do final do clássico foi apresentado: o São Paulo teria a bola e a insistência, o Corinthians teria o campo. Em 2015, o time de Tite não perdoava esse tipo de situação.

9 – Boa defesa de Cássio, em um cabeceio de Mena que poderia ter sido mais bem colocado. O goleiro corintiano tem o hábito de se destacar quando enfrenta o rival.

10 – Tite já tratava da substituição de Giovanni Augusto, aos quarenta minutos, mas o ex-atleticano ainda tinha um escanteio a cobrar. O lance terminou no segundo gol do Corinthians, em que Yago CABECEOU a bola que QUICOU na área são-paulina. Outro erro defensivo, desta vez definitivo para determinar o vencedor do jogo.

11 – Há quase um ano, Corinthians e São Paulo se enfrentaram em Itaquera, na estreia de ambos na Copa Libertadores. O jogo exibiu um time muito à frente do outro em termos de estrutura e jogo coletivo. Apesar da dramática reconstrução de seu time, a impressão é de que o Corinthians permanece adiante. Também é preciso considerar os defeitos de um jogo pobre no aspecto técnico, e um gol inexplicável gerado por Lucão.

DESPERDÍCIO

A sensacional rodada do domingo no Campeonato Inglês, em que os quatro primeiros colocados se enfrentaram, foi marcada por importantes erros de arbitragem que podem ter influenciado a disputa pelo título. Pode-se discutir se a Premier League tem o melhor campeonato do mundo do futebol, mas o investimento e a competitividade são inegáveis. Em uma época em que os sistemas de tecnologia de vídeo para auxiliar a arbitragem estão prontos para ser usados de forma confiável, é um desperdício inaceitável que os resultados de campo sejam prejudicados por erros do apito que as imagens podem corrigir. Especialmente onde não falta dinheiro.

BONITO

Pênalti para o Barcelona, contra o Celta. Messi rola para Suárez marcar. Se foi intencional, como homenagem a Cruyff – que trata um câncer de pulmão e fez essa jogada quando atuava pelo Ajax – foi lindo.



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