CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

MEIAS

O Natal de Tite ficaria completo com apenas um presente: um armador para o lugar deixado por Jadson, autor de trezes gols e doze assistências na campanha do título brasileiro. Encontrar um jogador com as características necessárias para executar a função é a única solução que permitiria a manutenção da forma de jogar, sem provocar alterações que criariam outros problemas, alguns tão graves quanto a perda do meia que jogará na China.

A contratação de Marlone não está relacionada à saída de Jadson. Tite o vê como um jogador tático, de lado de campo, com força e mobilidade para entregar um trabalho semelhante, guardadas as devidas distâncias, ao que Jorge Henrique fez no Corinthians em 2011/12. Marlone oferece algumas opções, mas entre elas não está a articulação que Jadson passou a fazer desde que foi escalado com essa ideia em um jogo da fase de grupos da Libertadores deste ano.

Fágner estaria capacitado para ser o Jadson de 2016, se Tite estivesse disposto a transferi-lo da lateral para o meio de campo. Mas a hipótese não lhe passa pela cabeça. A saída pelo lado direito da defesa foi uma das marcas do Corinthians campeão brasileiro, e desfazer o mecanismo descaracterizaria o time. Tite não quer perder o lateral que considerou um dos melhores da posição na temporada.

Ele também não pretende alterar a função de Renato Augusto, bicampeão dos prêmios de melhor jogador do Brasileirão. A capacidade de leitura de jogo de Renato, que alterna entre meia e volante conforme o que a partida pede, provavelmente é mais importante para o sistema do Corinthians do que qualquer outro papel. Não lhe faltam visão e passe para atuar como Jadson, mas talvez falte alcance. Acima de tudo, Tite não quer arriscar.

O único jogador em todo o elenco que possui a configuração de armador é Matheus Pereira, que completará dezoito anos em fevereiro e tem três atuações pelo time principal. O plano é contratar um meia. Talvez dois.

BAUZA

A diretoria do São Paulo merece elogios por formatar uma linha de trabalho para o futuro técnico do clube, procurar o nome que considerava adequado para aplicá-la e estabelecer com ele um compromisso de intenções. A conduta serve como plano de voo e evita mal-entendidos. Além de evidenciar que o clube não é adepto do “resolve aí”. Postura profissional.

SELVA

As cotas da Libertadores são realmente baixas. Mas os clubes deveriam se empenhar mais em outras cobranças. Acabar com a cultura de violência que sobrevive no torneio, por exemplo, é urgente. E não só se fala pouco no tema, como a Conmebol pretende reduzir a punição aplicada ao Boca Juniors pelos tumultos no clássico com o River Plate, na última edição.



  • José Henrique

    Com efeito, os clubes deveriam mesmo brigar para acabar com a cultura de violência que sobrevive no torneio sul americano, porém ao que parece, o único clube com condições de liderar uma reclamação nesse sentido é justamente o Corinthians. O Corinthians ameaçou não jogar caso as cotas não fossem revistas, e o que vimos foi um monte de gente questionando porque não fez também pressão sobre o aspecto violência.
    Ora bolas? O que fazem os dirigentes dos demais clubes nesse sentido? Nada?

  • Gustavo

    André, tenho a sensação de que a resposta para essa encruzilhada corinthiana está alguns metros atrás. É certo que Ralf é fundamental, e ajuda a dar ainda mais equilíbrio ao 4-1-4-1 de Tite, mas a saída de Jadson e a chegada de Marlone abrem caminho para a entrada de Cristian (ou Bruno Henrique) como camisa 5. Seria a segurança na construção de jogadas desde atrás, sem a necessidade dos laterais buscarem a verticalização e diminuindo um pouco a frequência dos recuos de Renato Augusto (que ainda podem acontecer, é claro, mas não mais como condição básica para que o jogo flua). Tite certamente buscará outras soluções, mas suspeito de que a ideal seja essa.

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