CAMISA 12



 

(publicada ontem, no Lance!)

ALIEN

O cartola favorito de Marco Polo Del Nero para ocupar a vaga de José Maria Marin como vice-presidente da CBF deu uma entrevista surreal à edição de ontem de “O Estado de São Paulo”. Antônio Carlos Nunes demonstrou um nível tão assustador de desconexão com a realidade que, em qualquer ambiente minimamente decente, seria suficiente para enterrar suas possibilidades.

É preciso ler e reler para crer que, no ano de 2015 e após os casos de corrupção sistêmica revelados pela Justiça dos Estados Unidos, alguém como o presidente da Federação Paraense de Futebol tenha a chance de, após eleito vice-presidente, assumir a presidência da CBF por questão de idade (77) em caso de renúncia de Del Nero. É em torno dos pensamentos abaixo que a Federação Paulista de Futebol reuniu seus clubes filiados.

“Conheço o Marco Polo há muitos anos. Acho que ele está sendo injustiçado. É uma pessoa tão correta que pediu licença da presidência da CBF para se defender (…). Marco Polo está fazendo uma grande administração na CBF e não defendo a renúncia”, declarou o Coronel Nunes, a respeito do cartola indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA, investigado pela Fifa e pela CPI do Futebol.

“Para mim é uma honra assumir um cargo que foi do Marin, uma lenda do futebol brasileiro. Sou companheiro do Marin há muito tempo. Desde o tempo em que ele foi presidente da Federação Paulista a gente já se dava muito bem”, contou. Coronel Nunes certamente sabe que está concorrendo ao cargo de um dirigente que se ausentou da CBF por mais de 180 dias, mas seria possível ele desconhecer que Marin está preso?

“Precisa ser analisado. Só depois de um estudo poderemos dizer se vai dar certo. Existe alguma confederação no mundo que já faz isso?”, questionou, quando perguntado sobre a possibilidade de a CBF permitir a criação de uma liga de clubes, essencialmente revelando que não sabe do que se trata. A cartolagem brasileira redefine a desfaçatez.

ATRASO

O fato de os principais clubes do Brasil deixarem passar a oportunidade de ter uma representação legítima na CBF diz muito sobre o atraso em que vivem. Sobretudo os paulistas, que validaram o Coronel Nunes, não são apenas omissos, mas vergonhosamente irresponsáveis. Contentam-se em dividir migalhas do poder, quando poderiam fazer valer o que representam.

IDEIAS

É bom ouvir Muricy Ramalho insistir na questão da “ideia de futebol” ao falar sobre seu novo trabalho, no Flamengo. Trata-se de um aspecto quase totalmente ignorado no Brasil, onde se quer – e se precisa – ganhar de qualquer jeito. Muricy pretende ser diferente, mas precisará de suporte em um clube que se notabilizou recentemente pelas trocas de comando.



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