COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

CORAGEM É CONDIÇÃO

Ao levantar a Copa do Brasil de 2015, o Palmeiras reafirmou a importância de um componente do futebol que não se treina e não pode ser quantificado, mas exerce influência decisiva em jogos importantes. A demonstração de coragem do time palmeirense na segunda partida está na origem de uma conquista que, sim, era menos provável por causa da diferença técnica e de jogo coletivo em relação ao Santos.

A estatística mais sincera na avaliação do desempenho de um time de futebol é o número de finalizações certas. Este é o dado que, mesmo analisado isoladamente, revela com mais precisão a intenção de uma equipe em determinado encontro. No jogo de ida, na Vila Belmiro, o Santos superou o Palmeiras por 10 x 0 em chutes certos a gol, desequilíbrio que deveria ter produzido um placar superior a uma vitória simples. O lance desperdiçado por Nilson ao final do jogo, com o gol à disposição e sem a presença de Fernando Prass, simbolizou uma noite em que o goleiro palmeirense – figura principal do confronto e do título – impediu gols de Ricardo Oliveira e Marquinhos Gabriel, e Gabriel ainda perdeu um pênalti.

Se a relação finalizações/gols do time santista não tivesse sido tão pobre, o resultado do primeiro jogo teria deixado o Palmeiras em situação difícil, conclusão que ficou evidente pela noção de que o Santos permitiu que seu adversário “saísse vivo” da Vila. No Allianz Parque, quem pareceu ferido e com dificuldade para respirar foi o Santos, distante de sua produção habitual e espectador privilegiado de uma exibição de como disputar um jogo decisivo: o Palmeiras se entregou à tarefa – do ponto de vista futebolístico – de construir o resultado que lhe interessava e correu os riscos necessários para tanto.

Um aspecto pouco comentado foi a dificuldade do Santos de praticar seu jogo de passes rápidos em dois gramados em condições sofríveis. Isso contribuiu para diminuir a distância técnica entre as equipes e foi mais um adversário para os santistas especialmente na partida de volta, em que o número de finalizações no alvo foi baixo (cinco, contra quatro do Palmeiras). Enquanto o Santos foi frio e reticente, o Palmeiras soube converter o ambiente criado pela torcida para ser um time vibrante e que não se esqueceu de jogar, como se pôde ver na postura ofensiva mantida depois de abrir o placar.

Diferentemente do que pensam os incapazes de se relacionar com o futebol sem a cegueira do fundamentalismo (alguns jogadores incluídos, infelizmente), a observação de que um time tem maiores chances de conquistar um título não constitui uma previsão do futuro. E não diminui a vitória do outro. Ao contrário: a equipe que supera mais dificuldades para ser campeã é exatamente a que mostra mais méritos. O Santos se descaracterizou em dois jogos, não soube se mobilizar para decidir na casa do adversário. O Palmeiras encontrou seu melhor jogo no momento mais importante, e esbanjou a coragem sem a qual não se vence.

VOZES

Os jogadores mais atuantes da história do futebol brasileiro voltaram a se manifestar neste domingo, desta vez em repúdio ao Marco Polo que não viaja e à manutenção de seu grupo no comando da CBF. O Bom Senso Futebol Clube também defende que o próximo presidente da confederação seja escolhido por um processo eleitoral verdadeiramente democrático, que permita a participação de candidatos independentes. Enquanto isso, os clubes permanecem calados, como se não tivessem os meios e a obrigação de estimular o avanço. É o que se chama de silêncio cúmplice.

CELEBRAÇÃO

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro termina a temporada com clubes rebaixados em todas as divisões do Campeonato Brasileiro. Um de seus aliados é o presidente do Vasco da Gama, de volta à Série B no mesmo ano em que decretou a “volta do respeito”. Modelos de inegável sucesso.



  • Ailton

    Caro AK

    Quando teremos um bola da vez com o treinador da seleção brasileira?

    Abraços

    AK: Quando ele decidir aceitar o convite.

  • Juliane

    Uma boa análise. Porém, alguns, ou a maioria dos jogadores do Palmeiras, se manifestaram ao final do jogo contra a mídia, não por colocar o Santos como favorito. Isso era fato. A questão, foi que alguns, falaram em humilhação, que o jogo da volta, seria um amistoso. Alguns, acredito eu que guiado pelo coração de torcedor, chegaram a humilhar o Palmeiras e os palmeirenses. Essa foi a questão. Sabe aquele ditado: “Quem apanha não esquece!”? Pois é, foi isso que aconteceu. Nós não esquecemos das pancadas que levamos.

  • José Henrique

    O bom senso, na minha modesta opinião peca por omissão em alguns assuntos que tem sufocado os times de futebol. Jogador de futebol jamais poderia ser tratado como empregado CLT. Paulo André por exemplo, foi ridículo reivindicando direitos absurdos. Obter ganhos dessa forma, aproveitando se de uma legislação furada, com valores indecentes na verdade é uma tentativa de enriquecimento inaceitável. Vemos o Guarani, vendendo seu patrimônio para atender indenizações a jogadores, calculadas com base na CLT. Por outro lado, vejo o Alex reclamando porque o Corinthians não participou das manifestações no domingo contra a CBF. Certamente ele não sabe que o Corinthians é oposição a Del Nero, não é de agora. Alex deveria reclamam de seu companheiro, pedindo para que retire essa ação absurda contra o Corinthians.

  • Teobaldo

    “Diferentemente do que pensam os incapazes de se relacionar com o futebol sem a cegueira do fundamentalismo….” Concordo! E isso levou-me a uma pergunta para a qual não encontrei uma resposta: O que pensam os incapazes de se relacionar com o futebol sem a cegueira do fundamentalismo? Um abraço!

  • Uma final nao se joga, se ganha. Foi isso que o time do PVC fez. Parabens!
    E antes que me esqueca, odio eterno ao futebol moderno!

    Sds

    AK: Além desse ser um conceito equivocado, o que o Palmeiras fez foi, exatamente, jogar. Um abraço.

  • Juliano

    AK, irretocável, é isso mesmo.

    Agora peço perdão pelo “off-topic”, mas acho de extrema relevância, uma vez que lemos aqui muitas informações tão bem redigidas a respeito da lama na FIFA e CBF. Pois bem. A limpeza deve ser cima pra baixo ou debaixo pra cima? Digo isso pois os clubes entram constantemente em “frias” se envolvendo em negócios obscuros em troca de muita grana.

    Digo isso porque quero compartilhar um link que acessei a partir da leitura diária de outro Kfouri, o Juca. Segundo ele próprio, é estarrecedor. O link é este: http://www.fielcorinthiano.com/2015/12/klar-precisamos-conversar.html

    Antes que me perguntem, não escolhi que esta história novamente esteja acontecendo com este clube. Compartilharia se fosse com qualquer um outro. Daniel Klepper, o autor do texto contido no link, sim é um exemplo de torcedor. Este sim é fiel. Ser fiel é isso. As considerações finais que ele faz são precisas e está coberto de razão. Que nossos colegas que acompanham sempre este espaço consigam entender isso.

    Espero não ser moderado, mas se for, paciência.

    Abraço!

    • José Henrique

      Ser fiel sob o ângulo de vista de um “anti” só poderia ser esse mesmo.
      Eu sou fiel, e se descobrisse que alguém estivesse comprometendo a integridade de minha maior paixão, a primeira coisa que faria seria entrar em contato com a diretoria do meu clube.
      Agora, se eu descobrisse, e antes de avisar o meu “maior amigo”, contasse para o “ventilador”, eu seria o maior traira da paróquia. Isso vale o mesmo procedimento , com meus amigos do peito.
      Agora, claro que, conceitos de fidelidade, e companheirismo depende sempre do caráter de cada um.

      • RENATO77

        O caso vem se agravando, dia após dia.
        Abraço.

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