COLUNA DA TERÇA



(publicada ontem, no Lance!)

RANKING

A edição nacional da revista Forbes elegeu Neymar a maior celebridade brasileira em 2015. Na lista, que leva em conta aparições midiáticas, prestígio e influência, o atacante do Barcelona e da Seleção Brasileira é seguido pela modelo Gisele Bundchen e pelo ator Wagner Moura. Não permita que sua impressão sobre a precisão da escolha seja influenciada pela vontade de conhecer um, outro ou outra. Considere apenas que, quando um antigo casal formado por um astro do futebol brasileiro/mundial e uma modelo popular (não famosa, como Gisele) no país aparecia em público, a diferença de atenção recebida por cada um era tamanha que a moça ficava enciumada.

Aos 23 anos, Neymar é uma megaestrela do futebol exatamente como se imaginou que seria aos 12, quando os planos traçados para ele pareciam exagerados nas pretensões e arriscados por causa dos desvios que tantas vezes já desencaminharam talentos precoces. É perfeitamente compreensível não apreciar seus penteados ou suas entrevistas e reprovar a negociação nebulosa que o levou da Vila Belmiro ao Camp Nou. No papel de futebolista, que é como sua trajetória profissional deve ser analisada, o rapaz já está no território onde o ar é rarefeito. E subindo.

O que Neymar e seus dois sócios sul-americanos estão fazendo no ataque do Barcelona é algo que só consideramos normal porque se passa diante de nossos olhos, dificultando o estabelecimento de contextos e a devida perspectiva. Sim, Messi voltou há pouco, como se não tivesse se ausentado, mas só mesmo polemistas desprovidos de talento podem se atrever a dizer que seu retorno compromete o que Neymar e Suárez construíram sem ele. Se tanto, Neymar confirmou que o cetro estará em boas mãos quando chegar a hora, o que provavelmente faz parte do planejamento de um clube privilegiado por poder pensar na sucessão do trono.

As recentes destruições do Real Madrid, da Roma e da Real Sociedad mostraram um nível de futebol coletivo que o Barcelona não exibia desde os anos de Pep Guardiola, e um Neymar incontrolável, capaz de levar o caos à defesa adversária a cada vez que tocou na bola. Ele é goleador e assistente, infernal na lateral do campo ou dentro da área, insuportável. No sábado, pelo Campeonato Espanhol, ficou evidente o desejo do time de oferecer um gol a Messi, objetivo alcançado após uma tabela entre Neymar e Suárez e mais um passe do brasileiro. É incrível que o jogador que constantemente procura o argentino seja o artilheiro da liga, com quatorze gols.

O dinheiro e a celebridade estariam em qualquer lugar no continente europeu, mas Neymar queria jogar com Messi. Um acerto não só no aspecto futebolístico, mas na gestão de carreira. O vestiário catalão é – na medida do que é possível em um mundo de jogadores-empresas – um ambiente de cultura coletiva que ao menos não estimula o cultivo de egos monstruosos. E enquanto o fenômeno argentino reinar, os demais brilharão em seu entorno. Até o dia em que as luzes procurarem o próximo.

ÉPICO

O Vasco sobreviveu a uma rodada em que qualquer resultado diferente de uma vitória sobre o Santos significaria rebaixamento. E por mais improvável que parecesse, chegará ao último jogo com chances de permanecer na Série A. Mas será um domingo de tremenda tensão: o Vasco precisa derrotar o Coritiba (que precise de pelo menos um ponto) no Couto Pereira, e torcer para que Figueirense (Fluminense, em casa) e Avaí (Corinthians, fora) não vençam seus jogos.

REVISÃO

A posição do árbitro Leandro Vuaden não lhe permitia ver se Vanderlei tocou ou não em Nenê. É provável que ele tenha marcado o pênalti por estar convicto que o carrinho do goleiro atingiu o vascaíno. A imagem mostrou que não, e jogo perigoso na área não é pênalti, mas falta em dois lances. O cartão amarelo está correto pela imprudência. O lance reforça a importância urgente do recurso de vídeo.



  • Silva

    Caro André,

    Vou discordar de você mais uma vez, está virando rotina, há uma enorme diferença entre jogo perigoso e uma jogada onde ficou claro que foi a ação de alto defesa do Nenê, quem impediu o contato e sabe-se lá Deus o que mais teria acontecido com suas pernas se tivesse havido o choque. Logo Pênalti muito bem marcado.

    Abraços.

    AK: Não há problema em discordar, mas em se basear em premissas equivocadas, o que me parece ser um hábito seu. A caracterização de “jogo perigoso” é exatamente essa – colocar o adversário em risco. Se Nenê saltou para ludibriar a arbitragem ou por auto defesa é uma subjetividade que só o vídeo pode elucidar, e por isso mencionei a urgência do recurso. Se faltas forem marcadas todas as vezes em que um jogador saltar para evitar o contato físico, dificilmente haverá jogo. Um abraço.

    • silva

      André, a premissa equivocada aqui é a sua, se “parece ser um hábito seu, não sei, não lhe conheço em condições para forma essa opinião. Defender que no futebol só há falta quando existir contato físico é um EQUIVOCO GRANDE. Há a ação temerária, o que justifica a grande maioria em prol da existência do pênalti.

      AK: Falta em dois lances, não pênalti. É o que diz a regra. Será necessário repetir?

      • silva

        Um pé alto sem contato, falta em dois lances. Ação temerária que põe em risco a integridade do adversário de forma extremamente grave como no lance, falta direta, dentro da área a equipe é punida com a penalidade máxima. Ponto.

        Outra fato que quero saber sua opinião, já que você defende o uso do recurso de vídeo, eu não sou contra, mas tenho receio de como se resolveriam alguns lances, em breve apresento algumas situações pra você.

        Abraços.

        AK: Você claramente desconhece a regra. Procure se informar.

        • Silva

          Vou recomendar ao Arnaldo César Coelho que procure se informar também. No futebol não há tiro livre direto sem que haja contato físico entre os jogadores, pode isso, Arnaldo?

          Abraços.

          • Rodrigo-CPQ

            Uai, e solada não é jogo perigoso? Pé alto não é jogo perigoso?? Precisa acertar o sujeito pra marcar isso?

  • RENATO77

    Achei penalti sim.
    Se num reflexo, o atacante consegue se livrar da pancada mas isso lhe custa dar sequencia na jogada, pois para escapar da pancada ele tem que saltar…é penalti! Mesmo não tendo acertado o corpo do atacante. Imprudência total do goleiro.
    Abraço.

    AK: Se foi reflexo ou simulação, só o vídeo pode levar a uma conclusão. Imprudência sem contato é amarelo e falta indireta. Um abraço.

    • José Henrique

      Depois dos defensores se preocuparem em “esconder” os braços na área, agora eles têm que ficar torcendo para o atacante sair voando para escapar de seus “carrinhos” com a sola a mostra.
      Isso se chama evolução. Assemelha-se a dirigir defensivamente no trânsito. Afff!

  • André

    Estou aguardando ansiosamente um post sobre a biografia do Alex. Teremos?

    AK: Um dia. No momento, uma outra leitura se faz urgente por compromissos profissionais. Um abraço.

  • Klaus

    Sobre o pênalti, inicialmente também discordei do texto, mas agora compreendi seu ponto. Trata-se de avaliar o comportamento e não apenas a ação, algo apenas possível pelo replay. Quem joga qualquer pelada e gosta de driblar e fazer firulas, sabe que deve ter esse reflexo de autopreservação inato, caso contrário…

    O próprio Neymar tem essa reação muito bem desenvolvida. Como se soubesse de onde vem a pancada, ele dificilmente está com ambos os pés no chão no momento de um contato violento.

    Por falar no Bola de Prata, só o vi jogar ao vivo uma vez: semifinal do Paulista de 2012. Resultado: São Paulo 1×3 Neymar. Tinha umas 50.000 pessoas no Morumbi: toda vez que o craque pegava na bola o público emudecia, temeroso sobre a próxima catástrofe a ser desencadeada.

    Três anos depois, ele já consegue o mesmo efeito na Europa. Assistir e ver Neymar no noticiário todo tempo dá a sensação de saciedade após comer uma panela de brigadeiro antes do jantar: quando o efeito do doce passa, sua fome quer muito, muito mais. E Neymar entrega.

    Um abraço.

    • José Henrique

      Boa. Novos profissionais necessários, para ensinar jogador a escapar de pancadas. Desenvolver a visão periférica para escapar dos assaltantes. O pé do Rodrigo do Vasco na cara do Malcom, não foi nada. apenas “jogo perigoso”. E o STJD se reúne e gasta recursos para analisar uma coisa trivial dessas?
      O STJD! Deveria se preocupar caso o cravo do Rodrigo tivesse perfurado um olho do jogador, ou se este estivesse em coma por alguma lesão ou afundamento no crânio, ou mesmo em cirurgia reparadora de um afundamento malar. Mudando para a vida cotidiana, se o tiro não me acerta, o atirador responde por “tentativa” de homicídio. Que sorte a dele hein? Se tivesse me acertado, seria crime doloso.

      • Alisson Sbrana

        Puxa vida! Verdade. Que sorte a dele!!! Bons argumentos a favor da marcação da falta em dois lances. Não imaginava que logo você apoiaria a falta, não o pênalti. “Que sorte a dele” foi ótimo.

        • José Henrique

          Como sempre, a dificuldade de interpretar textos.! Segue o lance. Kkkkk

  • Juliano

    Neymídia!
    Cai-cai!
    Contra o Naviraiense é fácil!
    Jogador de paulistão!

    E agora?

    Sobre o penalti, fico com AK, Juca e Mauro Cezar (opinião dada no Linha de Passe).
    Infelizmente os comentários aqui são feitos com “o coração de torcedor”. Se fosse Cássio e não Vanderlei, os sapientes que monopolizam a caixa de comentários e bradam o penal obviamente diriam que não foi, que o juiz quer prejudicar o meu time do coração e quem pensar diferente de mim é anti; perseguido que somos, eu e meu time.

    Abraço!!

    • José Henrique

      Anti é assim mesmo, invoca o Corinthians sempre, mesmo quando o jogo é entre outros. No caso, até premonição é válida. “Ah! Se fosse o Cássio” . Affff
      Então, se o jogo fosse na Vila, certamente o Santos teria vencido com algum “impedimento triplo carpado”. Rsrsrsrsr

      • Juliano

        Cansativo ter de desenhar sempre. Não “invoquei” nada, o comentário foi justamente baseado no fato dos dois corinthianos mais conhecidos deste espaço terem apoiado a marcação do penalti e não da falta em dois lances. E que é óbvio que “se fosse o Cássio” os mesmos corinthianos iriam pensar diferente, afinal, comentam tudo de maneira enviesada pelo “coração”, e quem discordar, é anti.

        😉

        Melhoras!

        • José Henrique

          O André por exemplo pensa diferente. Ele é “anti”? Claro que não. Você é anti, com certeza absoluta.

        • Rodrigo-CPQ

          Juliano, me perdoe, mas quem mais comenta com o coração (rancoroso) por aqui é você. Os debates sempre foram saudáveis, e vez ou outra aparecem torcedores posando de imparciais, como parece ser seu caso. Usa o exemplo do Cássio, mas poderia usar o do Ceni, o do Prass ou qualquer outro (mas o Corinthians dá mais Ibope, né?). Pra mim, que sou corinthiano, também não foi pênalti, como acho que foi pênalti naquele lance do Uendel contra o SP no primeiro turno, como acho que foi pênalti no Elias contra o Flamengo, como acho que o Cássio foi corretamente expulso contra o Palmeiras, como acho que o Felipe foi incorretamente expulso no mesmo jogo citado acima contra o SP e por aí vai.

          E parabéns ao Palmeiras pelo título, apesar da ação criminosa da torcida impedindo o Cléber Machado de entrar no Allianz Parque.

          • Juliano

            Ainda que seja desnecessária a réplica, porque eu escrevo uma coisa e vocês entendem outra, não posso deixar uma inverdade passar para frente.

            Por mais que queiram e insistam, não sou “anti” clube A, B, ou o que quer que passe na mente tacanha de quem tem péssimo relacionamento com o esporte. Assumo ser “anti” à postura de determinados comentaristas deste espaço, que possuem visão obtusa e enviesada pela sua torcida, distorcendo fatos, tudo isso que acompanhamos aqui há tempos. Os times, instituições, nada me devem e eu nada a eles, portanto seria imbecil ser “anti” um time.

            Admiro muitos que declaram sua torcida, o maior exemplo é Juca Kfouri, que adivinhem!, torce para o mesmo Corinthians. Com a diferença que sabe discernir entre torcer, comentar e apontar fatos de maneira imparcial e justa. E é exatamente por ter ser o profissional que é e ter a postura que tem que é um dos poucos que pode se arriscar em declarar tão abertamente para qual clube ele torce no seu íntimo. E que bom ser assim! Acho ótimo! Que existam mais Jucas! Tenho relacionamento ótimo com isso, não me importa qual o clube a pessoa torce, e sim sua postura.

            Se os Sapientes torcessem para qualquer outro clube (escolha qual quiser) e tivessem esse mesmo modo de pensar e se portar por aqui, eu seria “anti” este tipo de torcedor do mesmo modo, não importa o clube.

            Mais claro que isso impossível.

            E sim, parabéns ao Palmeiras, fizeram tudo o que tinham que fazer para serem campeões. E o Santos que aprenda com seus erros, que não foram poucos – sem tirar o mérito do escrete alvi-verde, mas foi fator importante no resultado final.

            Abraço!

            • José Henrique

              Me lembrei da frase”Quem do meu filho gosta, minha boca adoça”. (acho que é mais ou menos isso.) No caso você inverteu. kkkkkk

            • José Henrique

              Juca às vezes é muito sutil em suas opiniões. Veja, últimos dias vem exaltando o público de 25 mil pessoas no jogo CruzeiroxSão Paulo, e ele fala sério (sic) na verdade um grande clássico brasileiro.
              Ele sabe que perto do Corinthians esse número é significativamente pequeno. Treino do Corinthians na Arena (hoje), 14.000 torcedores. Quer dizer, Juca tem que ser lido nas entrelinhas sempre.

  • Klaus

    Digamos que o Vanderlei fosse o Cunha e o Nenê fosse a Dilma… Será que a intenção dele era derrubar a adversária ou aliviar a pressão dentro da área?!

    Algo me diz que a Presidente preferiria pular para evitar a falta/rasteira a simular uma queda…

    (É só uma piada, eu suplico!)

    Um abraço!

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