CAMISA 12



(publicada hoje, no Lance!)

POUCO

1 – Há jogos de futebol que transcorrem por mais de noventa minutos sem oferecer o que o clássico na Vila apresentou nos primeiros cinco. A imagem dos jogadores do Palmeiras com as mãos na cabeça é apropriada para o gol que Jackson não fez, no rebote da primeira falta do jogo. Gesto repetido pelo torcedor santista, ao ver o pênalti cobrado por Gabriel bater na trave.

2 – Arouca não só puxou a camisa de Ricardo Oliveira na área, como pediu para ser flagrado pelo árbitro. Ele discutia com o atacante do Santos enquanto Lucas Lima se preparava para cobrar o escanteio. Atenção garantida.

3 – A substituição precoce de Gabriel Jesus, por lesão, roubou do Palmeiras a fagulha individual que sempre preocupa defesas. O domínio coletivo do Santos só não era completo porque os sócios de Lucas Lima estavam um pouco abaixo do nível habitual.

4 – Milagre costumeiro de Fernando Prass, negando um gol a Ricardo Oliveira. O Santos produziu para terminar o primeiro tempo vencendo, mas foi para o intervalo apenas com a sensação de ser melhor.

5 – Segunda intervenção de Prass no placar, no reinício, bloqueando um chute de Marquinhos Gabriel. Passe espetacular de Lucas Lima, solitário na inspiração, aguardando a companhia dos atacantes privilegiados por jogar ao lado dele.

6 – Pênalti de David Braz em Lucas Barrios, não marcado.

7 – A chuva chegou e tornou o gramado da Vila ainda mais danoso ao bom futebol. Ainda assim, Gabriel foi capaz de aplicar um drible desconcertante em Amaral e vencer Prass com um chute no canto. Gol merecido.

8 – Dorival Júnior disse que esperava um jogo mais físico por causa das condições do campo. O Santos não finalizou com a qualidade de sempre, e por isso não venceu por um placar mais largo. O gol perdido por Nilson, sem goleiro, resume a noite.

9 – O Palmeiras tem o direito de imaginar uma situação diferente em seu estádio, na semana que vem. Mas precisará jogar bem mais para concretizá-la.

CRUEL

Aos 24 minutos da goleada de anteontem, o Barcelona tinha 166 passes e a Roma, 34. Apenas na jogada do segundo gol, marcado por Messi, 27 passes foram trocados pelos dez jogadores de linha do time catalão. O nível de jogo coletivo do Barcelona está voltando a ser uma covardia com os adversários, e a lesão de Messi poupou seu corpo por dois meses.

MUITO CRUEL

Levantamento estatístico de uma emissora de televisão inglesa mostra que o Bayern de Munique seria líder do Campeonato Alemão mesmo que jogasse sem goleiro. A pesquisa usou a média de gols por jogo do Bayern e o número de finalizações cedidas aos adversários. Mesmo que todas entrassem, o time de Pep Guardiola teria pontos para liderar. Incrível domínio.



  • Teobaldo

    O jogo Barcelona X Roma pareceu-me, em diversos momentos, uma disputa entre um time profissional e outro amador. Por vezes, mas não raramente, os jogadores da Roma deixavam transparecer um total desinteresse pela partida, tamanho o desequilíbrio entre os times. O desequilíbrio financeiro está fazendo um grande mal a esse esporte. Mesmo considerando a organização, que também faz parte do contexto de dominação, os recursos financeiros aportados de Barcelona, Bayern, Real e mais alguns, pode, ao longo do tempo, deixar o futebol, enquanto esporte de competição, com um sentimento de desmotivação. Vejo como necessária uma limitação nos gastos dos clubes. Um abraço!

  • Felipe

    André, ótimo texto, ótimo blog. Ver o Barcelona jogar é extremamente prazeroso. Imagino como deve antagônico o sentimento de um torcedor madridista.
    Apenas um ponto para reflexão: o estudo da emissora inglesa é interessante, porém sabemos que, caso o Bayern estivesse sem goleiro, os adversários tentariam chutes de locais e maneiras não tentados pelo simples fato de haver alguém lá. Um abraço!

    AK: creio que o modelo sirva para demonstrar o tamanho da superioridade, não para verificar a hipótese na prática. Obrigado e um abraço.

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